Artigos - Desenvolvimento Rural

“A importância da análise do solo no planejamento da safra” – por Eduardo Mariotti Gonçalves

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Eduardo Mariotti Gonçalves (Foto: Divulgação)

O solo é um organismo natural, formado por componentes químicos, físicos e biológicos, resultante da ação de intemperização, causada por agentes atmosféricos (ex: chuvas, ventos, sol…), sobre a rocha, e suscetível a modificações, especialmente, àquelas relacionadas aos componentes químicos e biológicos, nos horizontes superficiais, pela ação do tempo e do manejo adotado na agricultura.

Do ponto de vista agronômico, a camada arável (0-20 cm), é a porção de solo que nos interessa para estudo e aplicação prática, pois é nesta profundidade que situam-se a maioria das raízes das plantas, logo é desta fração que utilizamos para diagnóstico da fertilidade dos solos na agricultura. Conceitualmente, um solo fértil é aquele que permite o adequado desenvolvimento das plantas, servindo de meio para desenvolvimento e sustentação de suas raízes.

O adequado diagnóstico da fertilidade do solo tem como base a análise do solo. Esta deve ocorrer previamente à instalação da cultura, preferencialmente de 3 a 6 meses antes do plantio, para os cultivos anuais e/ou antes da brotação para os cultivos perenes. Este prazo antecipado, permite o planejamento das operações de calagem e adubação, bem como a logística para aquisição, se necessária, dos corretivos e fertilizantes.

Enquanto a análise química, informa os parâmetros associados à acidez, teor de matéria orgânica, e disponibilidade de nutrientes. A análise física, informa a relação e presença dos principais constituintes físicos do solo: areia, silte e argila. Ambas análises são muito importantes, sendo exigidas nos últimos anos, nas operações de crédito rural acima de R$ 5.000 de custeio agrícola junto aos bancos.

A eficácia da análise do solo depende preliminarmente do rigor da amostragem do solo a ser coletado para envio ao laboratório, pois uma pequena fração de solo será representativa de toda área/gleba a ser analisada. Para coleta e amostragem de solo existe uma metodologia que é apresentada no capitulo 3 do Manual de calagem e adubação publicado em 2016 pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo.

De posse do laudo de análise do solo, e com apoio da interpretação e recomendação agronômica, realizada pelo técnico, o produtor tem a em suas mãos, uma importante ferramenta de tomada de decisão, inclusive para economizar, na aquisição e na escolha do fertilizante mais adequado a cada realidade.

Para maiores informações sobre análise de solo e recomendações agronômicas, procure a Emater/RS.

Eduardo Mariotti Gonçalves – Engenheiro Agrônomo da Emater