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“A Lava-jato não pode morrer” – por Fredi Camargo

Cientista Político Fredi Camargo (Foto: Divulgação)
Cientista Político Fredi Camargo (Foto: Divulgação)

A homologação das delações da Odebrescht, ordenada dentro de todos os trâmites regimentais pela ministra Carmem Lúcia, mostra que a Lava-jato não parou. Isso por si só já se torna um alento para aqueles que achavam que o falecimento do ministro Teori Zavascki possa ter sido resultado de conspirações políticas criminosas cujo objetivo seria o fim da operação exatamente nesta etapa que dizem ser a mais bombástica até aqui.

Esta manobra, no entanto, não pode ter ligação com o acidente do ministro e não deve ser pauta para conclusão nenhuma sobre as investigações, que devem seguir dentro dos seus ritos e buscar a fundo a verdade. O seguimento da Lava-jato só mostra que dentro do STF e da equipe do ministro falecido, apesar dos pesares, a operação continua e as investigações deverão ser levadas a sério por quem for substituir o relator.

Como já foi dito aqui, a operação é alvo de amores e ódios, dependendo de sua fase, conforme interesses partidários atingidos. Enquanto Lula e o PT eram alvo, oposicionistas do então governo bradavam a favor da equipe de Sergio Moro num tom de vingança contra o partido da estrela. Quando o alvo foi Eduardo Cunha e seus apoiadores, foi a turma do PT então que esqueceu seus desafetos e gritou a favor da operação como se ali, somente naquele momento, as investigações estariam corretas e punindo quem merecia.

A verdade é que, fora os partidários cegos, a operação tem sim que buscar desmantelar o máximo possível de quadrilhas (não vejo outro adjetivo) que dominam Brasília desde sua criação, e até mais, dominam o governo brasileiro desde sua origem. São quadrilhas de origens familiares, cujos herdeiros até hoje pensam que a justiça e a lei são servas de seus interesses e que ao povo resta trabalhar para eles.

A Lava-jato não precisa ter vida longa, pois senão estará caindo em descrédito, mas deve durar o tempo suficiente para mostrar que podemos ter esperança de que nela esteja, como disse Eike Batista ainda em Nova Iorque antes de sua prisão, nascendo um novo Brasil, onde quem tem competência e criatividade possa criar seu negócio sem molhar a mão de político corrupto com propinas para isso.

Boa semana!
Fredi Camargo – Cientista Político
Contato: cc.consultoria33@gmail.com