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“Adubação verde: benefícios do uso de plantas de cobertura na qualidade do solo” – por Eduardo Mariotti Gonçalves

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Eduardo Mariotti Gonçalves (Foto: divulgação)

Em artigo publicado no dia 28 de junho, falamos sobre a importância da análise do solo no planejamento da safra. Juntamente com as medidas corretivas de reposição de nutrientes, podemos adotar uma estratégia complementar a adubação mineral: as plantas de cobertura, também conhecidas como adubação verde.

A adubação verde, como o próprio nome já diz, trata-se de enriquecer o solo com algumas plantas que lhe geram inúmeros benefícios:

? Aumento da quantidade de matéria orgânica e micro-organismos do solo;
? Mantém o solo mais úmido e mais fresco (armazenamento de água);
? Melhoram a infiltração da água (presença de macroporos);
? Deixam o solo mais poroso para circular mais oxigênio (presença de microporos);
? Descompactam camadas do solo, facilitando a penetração das raízes das plantas (Ex: nabo forrageiro);
? Adicionar o nitrogênio (alimento), que é fornecido pelas plantas da família das leguminosas (Ex: ervilhaca, trevos, feijões);
? Melhorar a estrutura do solo, com formação de agregados o que reduz as perdas de solo por erosão e lixiviação.

Entre alguns exemplos de adubos verdes podemos citar algumas plantas da família Fabaceae (popularmente conhecidas como leguminosas, que produzem um fruto denominado vagem. Ex: ervilhaca, trevos, feijão miúdo, feijão guandu, lab lab, crotalária, feijão de porco), e plantas da família Poaceae (conhecidas como gramíneas. ex: aveia branca, aveia preta, azevém, trigo, triticale).

As gramíneas são excelentes em proteger o solo, e melhoram a matéria orgânica do solo, uma vez que a sua decomposição é mais lenta, protegendo o solo por um período mais longo.

Há que se destacar que as plantas leguminosas possuem a capacidade de fixação biológica do nitrogênio (FBN). De maneira sucinta, estas plantas abrigam em suas raízes bactérias que capturam o Nitrogênio do ar (N2 – forma de N indisponível para as plantas), e o transformam em nitrato ou amônia, formas preferenciais de absorção de nitrogênio pelas plantas. Em troca, estas plantas liberam exsudatos ricos em glicose que nutrem as bactérias: a esta relação, chamamos de simbiose, ou seja, quando os dois organismos são beneficiados.

Ainda temos algumas plantas como é o caso do nabo forrageiro, pertencente a família Brassicaceae, que possui a função de descompactar o solo devido à sua raiz, que é muito agressiva. Também consegue buscar o nitrogênio e o fósforo que estão em profundidades maiores de 20cm.

Para manejar a adubação verde as plantas devem ser cortadas ou roladas quando apresentarem 80% em florescimento, pois neste momento o nitrogênio encontra-se mais disponível. A massa de adubo deve ser manejada na superfície do solo, ou incorporada até a profundidade de 8 a 10 cm.

Para se ter ideia, a ervilhaca tem capacidade de fixar cerca de 90 Kg de Nitrogênio por hectare, o que é equivalente a quatro sacos de uréia, uma vez que a uréia na sua formulação comercial apresenta apenas 46% de Nitrogênio.

Para maiores informações sobre adubos verdes, procure a Emater. Boa semana!

Referências: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)

Eduardo Mariotti Gonçalves
Engenheiro Agrônomo, Emater RS