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“Agora é jogo novo para o Brasil” este é o artigo do cientista político Fredi Camargo

Fredi CamargoCom a tramitação, e possível aprovação, da PEC-241 no congresso, o presidente Temer desencadeia uma série de discussões na mídia, em redes sociais na internet e até mesmo no dia a dia do brasileiro. Essa proposta tem com alegação pública a contenção das despesas da União buscando um ajuste econômico na tentativa de estancar a crise e a sangria do erário público vista nos últimos anos. Quando falo em alegação pública, me refiro ao discurso do governo para a opinião pública para justificar tais ações.

Porém, tais ações desencadearam uma séria de questionamentos à classe política (uma evidência do porque a tramitação ser feita após as eleições). Uma delas é em relação ao dito congelamento dos investimentos em saúde e educação conforme dita a PEC. Na realidade, de acordo com o governo, o congelamento se dá em âmbito total dos investimentos governamentais para que o custo da máquina pública seja novamente equilibrado à receita.

Contudo, a população deve saber por que somente os gastos do executivo é que serão congelados. Por que não se abate também os salários pomposos e acima dos tetos dos outros poderes? Por que não se limitam também os gastos públicos com a manutenção de gabinetes de deputados e senadores? Por que não se congelam os aumentos abusivos de custos com poderes judiciário e legislativo durante estes 20 anos? Por que não mudam de uma vez a questão de privilégios e mecanismos que fazem com que salários se sobreponham nas diversas esferas já que todas saem do mesmo caixa?

Respondo. A causa principal é a manutenção do poder e isto só se consegue com a continuidade da distribuição das benesses aos afilhados do executivo e dos outros poderes que, por sua vez, permitirão ao governo atual manter-se intacto no que diz respeito aos escândalos e aos projetos enviados para a apreciação legislativa. Ou seja, me ajuda que eu te ajudo, a velha máxima do toma-lá-dá-cá da política brasileira.

É necessária uma contenção de custos públicos? Isso é óbvio. A distribuição de apadrinhamentos nos últimos anos passou da linha da razoabilidade usual na história (todos os governos fizeram esse tipo de uso da máquina pública), isso é verdade. Mas o remédio amargo para isso só quem vai tomar é quem sempre pagou por isso: a população. Agora é rezar e esperar, pois é um jogo novo para o Brasil, mas o resultado já sabemos e quem sai perdendo é o mesmo de sempre, o povo. Mas esse merece e disso falo daqui alguns dias.

Boa semana!
Fredi Camargo – Cientista Político
Contato: cc.consultoria33@gmail.com