Artigos - Desenvolvimento Rural

“Agroindústria familiar e processamento artesanal de alimentos” – por Eduardo Mariotti Gonçalves

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Eduardo Mariotti Gonçalves (Foto: Elisangela Favaretto)

O processamento de alimentos através da agroindústria é uma importante alternativa de geração de renda no meio rural. Quando a produção da matéria prima ocorre na própria unidade de produção, em mão de obra realizada pela própria família, temos então a agroindústria familiar.

Primeiramente antes de ser uma agroindústria, o produtor ou produtora devem ser agricultor(a) familiar(es), e portanto devem atender alguns requisitos para ser enquadrados como agroindústria familiar cadastrada no Programa Estadual da Agroindústria Familiar no Rio Grande do Sul:

Possuir Talão de Produtor, enquadrado como microprodutor rural;
Possui Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP);
Produzir a matéria prima a ser processada;
Providenciar cadastro no Programa da Agroindústria Familiar junto a Secretaria de Desenvolvimento Rural através da Emater/RS;

O cadastramento no programa junto a Emater é o primeiro passo para as famílias acessarem os serviços de assistência técnica e planejamento para formalização do empreendimento. Neste tipo de empreendimento, os agricultores são os protagonistas do processo, passando a atuar em toda a cadeia produtiva (produção de insumos e matéria prima, processamento e comercialização).

Além disso, promovem a descentralização da renda e a diversificação da produção e o desenvolvimento local, fortalecendo os valores culturais, a sustentabilidade e a oferta de produtos diferenciados e de qualidade. Entre outros objetivos da legalização da agroindústria está a segurança alimentar, através do uso das boas práticas de fabricação e processamento de alimentos. Além disso, o processamento artesanal (característico na agroindústria familiar), permite a conservação do alimento sem no entanto, alterar as características do mesmo, fazendo-se uso de ingredientes e condimentos na sua forma in natura o que elevam e distinguem a qualidade do alimento a ser consumido.

Em outras palavras o processamento artesanal apresenta características do alimento feito em casa, mas atendendo um conjunto de medidas e padrões sanitários e ambientais que conferem a segurança do alimento. Aquela receita de mãe para filha ou avó para neta tem espaço na agroindústria familiar. Esta percepção fica cada vez mais evidente nas feiras e exposições da agroindústria familiar, à exemplo da Expoagro, Expodireto entre outras feiras locais.

Com apoio da Emater os agricultores familiares podem desenvolver a agroindústria familiar em suas propriedades. O acesso a políticas públicas como à assistência técnica e extensão rural, crédito rural, e comercialização juntos aos mercados institucionais (PNAE e PAA), podem estruturar atividades de melhoria da renda e qualidade de vida no campo.

Para maiores informações sobre agroindústria familiar, procure a Emater em seu município.

Eduardo Mariotti Gonçalves – Engenheiro Agrônomo da Emater