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“Alimento sem agrotóxico é orgânico?” – por Tatiane Turatti Orlandini

Tatiane Turatti Orlandini (Foto: Divulgação)
Tatiane Turatti Orlandini (Foto: Divulgação)

Produtos orgânicos, sejam eles in natura ou processados, podem ser encontrados em nossa região em alguns supermercados, lojas de produtos naturais e feiras de produtores rurais. Em grandes centros os orgânicos tem ganhado espaço e além dos supermercados, estão em lojas de produtos orgânicos, farmácias, restaurantes, clínicas de saúde, beleza e bem estar, entre outros.

Fato é que o orgânico tornou-se nicho de mercado por uma tendência social e hoje é um dos maiores mercados de crescimento internacional. Mas você sabe exatamente o que é um alimento orgânico? A resposta que logo vem em mente é que o orgânico é um alimento sem agrotóxicos. Você não está errado ao pensar assim, mas saiba que o conceito de orgânico vai muito além de não ter venenos em sua composição.

De acordo com a Lei 10.831/03, que trata da produção e comercialização dos produtos orgânicos no Brasil, os alimentos orgânicos devem ser aqueles produzidos baseados em princípios que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais. Na agricultura orgânica, não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente, sejam elas agrotóxicos, adubos químicos, organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização.

Em outras palavras, o sistema de produção de um alimento orgânico é diferente do sistema de produção de um alimento convencional. Isso porque o primeiro tem como regra básica a preocupação de não prejudicar o meio ambiente, solo, ar e água, além de não destruir os recursos naturais, daí vem a proibição do uso de agrotóxicos ou adubos químicos.

O agricultor orgânico também não cultiva transgênicos para não colocar em risco a diversidade de variedades que existem na natureza, assim tem o trabalho de selecionar e guardar as sementes crioulas para o próximo plantio. A agricultura orgânica segue basicamente os princípios da agroecologia que são o respeito a todos os seres vivos e a manutenção do solo vivo e saudável. Afinal um solo saudável gerará uma planta saudável com mais resistência a doenças e consequentemente agricultores e consumidores mais saudáveis e felizes.

Tanto para o agricultor que vai produzir quanto para o consumidor final é importante saber dessas diferenças para não correr o risco de reduzir o alimento orgânico ao “alimento sem agrotóxico”. Por que o alimento orgânico tem um modo de produção que contraria a lógica da agricultura convencional praticada principalmente com o advento da chamada revolução verde, e justamente por esse motivo deve ser valorizado.

Nesse ponto entra a ação do consumidor que deve fazer uma breve reflexão sobre o desafio da produção de alimentos orgânicos em uma região predominantemente leiteira e avicultora. É necessário e importante que os consumidores compreendam o processo de produção para entender o preço de um alimento orgânico.

Para que o orgânico se consolide no mundo inteiro, precisamos ainda, de investimento na assistência técnica, financiamentos que estimulem o produtor orgânico, pesquisas e fortalecimento dos diferentes canais de comercialização.

A população urbana compreendendo a importância da produção de alimentos orgânicos, tanto para a saúde quanto para o meio ambiente, e principalmente, fazendo parte das discussões que geram políticas públicas na área da agricultura pode ajudar a desenvolver uma rede de cooperação que certamente trará muitos benefícios para toda a sociedade.

Fontes:

1 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.831.htm

Tatiane Turatti Orlandini
Extensionista Social – Nutricionista
Escritório Municipal da Emater/RS – ASCAR Encantado