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“Alimentos e Sentimentos” – por Daiane Bergamaschi

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Daiane Bergamaschi (Foto: Divulgação)

Em algum momento de sua vida, sentimentos como ansiedade, nervosismo, preocupação e angústia estiveram presentes, e, de alguma forma, interferiram no modo como você se alimenta?

De fato, o estado emocional pode interferir nos nossos hábitos alimentares. Os sentimentos podem provocar diversas reações no apetite, como a sua redução ou aumento, sendo que este último pode gerar em muitos casos, aumento de peso, e se a causa inicial não for tratada, em longo prazo pode-se agravar e resultar na obesidade e inúmeras outras complicações.

Os alimentos, em um primeiro momento, tem importância funcional, ou seja, fornecer energia para manter as funções vitais. Entretanto, o ato de se alimentar, está relacionado também a valores sociais, culturais, afetivos e sensoriais.

É sempre importante fazer a reflexão de como estamos nos relacionando com a comida. Muitas vezes as pessoas comem demais na tentativa de aliviar o estresse, como uma fuga, mas depois surge a culpa e um grande círculo vicioso é gerado. Comer para o “tempo passar” ou porque “sente um vazio interior” é um sinal de alerta.

Os momentos de compulsão gerados pela ansiedade, normalmente só se dispersam quando o alimento desejado é consumido, e são caracterizados por episódios de comer sem controle, além da quantidade que deveria e em curto espaço de tempo. O grande problema, é que os alimentos mais procurados durante as crises de ansiedade são os calóricos, ricos em açúcares, gorduras e sódio.

Deve-se salientar, que alguns alimentos e bebidas podem contribuir significativamente para o aumento da ansiedade, tais como a cafeína, guaraná, chá-preto, chá-verde, o álcool, energéticos, carboidratos refinados como a farinha de trigo, o açúcar, o arroz branco e alimentos industrializados, que são ricos em aditivos químicos (corantes, aromatizantes e conservantes). Estes alimentos e bebidas podem induzir o sistema nervoso a uma maior liberação de adrenalina, hormônio liberado em momentos de estresse, o que impede o relaxamento do corpo, acarretando em ansiedade.

Em contrapartida, diversos alimentos podem contribuir para a diminuição da ansiedade, tais como os integrais, verduras, frutas e legumes, como a alface, espinafre, brócolis, laranja, maracujá, o feijão, peixes e castanha-do-pará.
Uma das principais dicas é fazer da refeição um momento de tranquilidade, comer devagar e mastigar bem os alimentos. Manter uma rotina de alimentação e não passar mais de 3 horas sem se alimentar evita a fome intensa e consequentemente, a compulsão. Fazer dietas restritivas pode ser um grande fator desencadeante da ansiedade, devido à sensação de privação.

A reeducação alimentar é a melhor forma de mudar seus hábitos alimentares e de prevenir a ansiedade. Uma alimentação saudável deve ter o princípio do equilíbrio, variedade e moderação e trás inúmeros benefícios para a nossa saúde e qualidade de vida.

Daiane Bergamaschi – Nutricionista Pós-graduada em Gestão da Qualidade no Processamento de Alimentos