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Apoio de políticas públicas consolida agroindústria familiar de Santa Clara do Sul

O ano de 2011 foi transformador para a família Kollet da localidade de Picada Santa Clara, em Santa Clara do Sul. Foi naquele momento que o casal Fabiana e Nélio começou a “tirar do papel” o projeto para a implantação de uma agroindústria de massas caseiras, roscas, biscoitos, pães e cucas. Até então produtores de leite e de fumo, pretendiam empreender como uma forma de ter uma alternativa a mais de renda para a propriedade. Só que a ideia deu tão certo que, hoje, a Agroindústria Kollet é a única fonte de renda para a família. O que só foi possível com o apoio de diversas políticas públicas nas três esferas – municipal, estadual e federal.

Resgatando a própria história, Fabiana lembra que tudo começou há 20 anos com a compra do terreno via Banco da Terra – programa de crédito fundiário -, o que lhes permitiu investir na agricultura. Na época, a produtora atuava em uma fábrica de calçados do município, enquanto o marido trabalhava na “roça”. “Sobre os pães e biscoitos eu os fazia para o nosso consumo, entregando algumas unidades para os vizinhos, para os amigos ou para os parentes”, recorda. Foi numa destas oportunidades que um tio que já era feirante a “intimou” a produzir pães para comercializar na feira. Foi assim que o hobby começou a se tornar profissão.

Nélio não lembra exatamente a data em que a coisa começou a “tomar forma”, fazendo a produção saltar de pouco mais de 50 pães mensais para quase 500 na atualidade. Mas lembra da importância que as políticas públicas tiveram nesse processo – o que inclui o apoio da Emater/RS-Ascar, que incluiu a família no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) do Governo do Estado. “O que encaminhou a formalização do empreendimento nas esferas financeira, ambiental e sanitária”, explica o extensionista da Emater/RS-Ascar Ivan Bonjorno.

Em paralelo, políticas públicas como o Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper) possibilitaram  à família o acesso a R$ 12.500 com 80% de bônus adimplência o que, somado a outros aportes do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), possibilitou investimentos no prédio da agroindústria, em equipamentos como fornos, geladeiras, mesas de inox e freezer, entre outros, além de automóvel para transporte da produção. Autodidata, Fabiana realizou via Emater/RS-Ascar o Curso de Boas Práticas de Fabricação, o que também contribuiu para que aprimorasse seu produto.

Hoje, a agroindústria ocupa praticamente as 24 horas diárias do casal, sendo o pão de milho o “carro chefe” do empreendimento. “É trabalhoso, tivemos dificuldades no começo, mas podemos dizer que estamos contentes com aquilo que fazemos”, salienta Fabiana. A alta demanda pelos produtos é motivo de orgulho, sendo comercializados também por meio de políticas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). “Em geral a gente percebe que tem aumentado a procura por alimentos que tenham sabor caseiro, que sejam menos industrializados”, pondera Nélio. “Inclusive no contexto da pandemia”, completa.

Sobre ambições futuras, Fabiana sorri e diz que um dos desejos é poder tirar umas férias na praia. “Quem sabe mais para frente, depois que tudo isso passar”, brinca. Mas é olhando pro lado, na casa que está sendo construída junto à antiga moradia em que ela e Nélio residem, que seus olhos brilham. “Minha intenção era passar o Natal já dentro dela, mas é mais provável que comecemos o ano com casa nova”, comenta apontando para a edificação que está sendo erguida na propriedade e que contou com o apoio de mais uma política pública de crédito, no caso o Pronaf Habitação. “A gente ‘apertou’ aqui e ali, economizou um pouco e conseguiu transformar esse sonho em realidade”, concluiu.

 

 

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar – Regional de Lajeado
Jornalista Tiago Bald