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“As tendências para o mercado de alimentos” – por Vanessa Daltoé

Vanessa Daltoé (Foto: Diuvlgação)
Vanessa Daltoé (Foto: Divulgação)

O mercado consumidor de alimentos está em constante crescimento, é dinâmico e apresenta constantes inovações. Estudiosos indicam várias estratégias para atingir bons resultados e ampliar o mercado consumidor que, em geral, estão alicerçadas em qualidade. Contudo, atualmente, a qualidade é apenas uma das características consideradas fundamentais para a manutenção das agroindústrias no mercado.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos – ITAL destaca cinco macrotendências no mercado de alimentos: Sensorialidade e prazer, saudabilidade e bem-estar, conveniência e praticidade, confiabilidade e qualidade e, por fim, sustentabilidade e ética.

No que se refere a “sensorialidade e prazer” as tendências estão vinculadas ao aumento no grau escolar, acesso a informação e poder aquisitivo. A partir da valorização da arte culinária e de experiências gastronômicas, desperta-se o interesse por novas experiências que acaba disseminando receitas e produtos regionais. Destacam-se os polos gastronômicos como forma de lazer e entretenimento.

O grupo de “saudabilidade e bem estar” tem como origem o envelhecimento da população, estudos e descobertas científicas que relacionam a alimentação às doenças e a busca por uma vida mais saudável. Nesse contexto destaca-se o surgimento de diversos segmentos de consumo como, por exemplo, alimentos funcionais, produtos para público com restrições alimentares (alérgicos, diabéticos, etc.), o crescimento de consumidores que buscam por alimentos mais naturais.

As tendências do grupo de “conveniência e praticidade” são desencadeadas principalmente pelo ritmo acelerado de vida nos centros urbanos e pela mudança nas estruturas tradicionais das famílias. Nesse cenário, destaca-se a demanda por refeições prontas e semi prontas, alimentos de fácil preparo, embalagens práticas com facilidade na abertura, fechamento e no descarte. Verifica-se ainda um crescimento no consumo de pequenas porções, embalados para consumo individual, para comer em diferentes lugares e situações. Em geral, essas necessidades convergem com a necessidade de saudabilidade e bem-estar resultando em uma demanda crescente por alimentos convenientes, tais como bebidas à base de frutas, snacks de vegetais, ou seja, alimentos práticos, mas elaborados com ingredientes mais naturais.

As tendências de “confiabilidade e ética” estão alicerçadas na valorização de características intrínsecas aos produtos, como rastreabilidade e garantia de origem, os certificados de gestão, qualidade e segurança, a rotulagem informativa e outras formas de comunicação utilizadas para comunicar os atributos de seus produtos.

Na linha de “sustentabilidade e ética” além de exigência com qualidade de produtos e processos identifica-se a preocupação com meio ambiente e contribuindo com causas sociais, de pequenas comunidades agrícolas, com certificados de origem, desencadeando uma relação próxima com as empresas.

Face a esse contexto, pode-se concluir que nós, os consumidores, não adquirimos os alimentos apenas por seus atributos físicos (cor, aparência, textura, etc.) mas também por seus benefícios ou utilidades. A região do Vale do Taquari, por suas características, possui uma grande diversidade de alimentos e, por conta disso, atinge diferentes públicos consumidores e, consequentemente atende diferentes necessidades. Conhecer a necessidade do consumidor para oferecer soluções (produtos ou serviços) com benefícios que possam satisfazer as necessidades e, mais importante que isso, informar aos consumidores, através das embalagens é um dos grandes desafios das agroindústrias.

Vanessa C.B. Daltoé
Gestora | APL – AF Vale do Taquari