Artigos - Desenvolvimento Rural

Benefícios das oleaginosas e aproveitamento nas propriedades rurais – por Tatiane Turatti

Tatiane Turatti (Foto: Arquivo Pessoal)

As sementes e os frutos oleaginosos são conhecidos por serem fontes de gorduras insaturadas, chamadas gorduras boas, que ajudam a controlar o nível sanguíneo de colesterol, inibir a formação de coágulos que podem prejudicar a circulação e ajudam a proteger o corpo da formação de compostos prejudiciais à saúde, os radicais livres.

As oleaginosas também são fonte de proteína, vitaminas (ácido fólico, niacina) e minerais (zinco, selênio, magnésio, potássio, dentre outros), Três oleaginosas estão presentes em muitas das propriedades dos agricultores do RS, e quando cultivadas podem ser boas opções para o consumo da família e/ou para comercialização, são elas: o abacate, as nozes e o amendoim.

Plantando-se pelo menos cinco cultivares de abacateiro, de ciclo precoce, médio e tardio, é possível colher abacates desde o mês março até o mês de dezembro, praticamente todo o ano. O abacate é uma fruta rica em gorduras monoinsaturadas, benéficas ao organismo por contribuir para a redução dos níveis de triglicérides e colesterol, elevando o HDL (colesterol bom) e diminuindo o LDL (colesterol ruim). Além disso, o abacate possui altos níveis de antioxidantes, como o fitoesterol.

O cultivo de nogueira-pecã também apresenta um excelente custo-benefício, uma vez que, iniciada a produção de nozes, o pomar pode ser explorado economicamente durante mais de 50 anos, com baixo custo de produção. Além disso, a noz-pecã, após ser colhida, secada e armazenada adequadamente, poderá ser consumida pela família durante todo o ano.

Destaca-se por ser um alimento saudável e nutritivo, boa fonte de minerais, sobretudo cálcio, ferro, zinco, selênio e potássio, boa fonte de fibras alimentares e com potente capacidade antioxidante, o que reduz o risco de doenças do coração e câncer.

Já o amendoim é um alimento rico em minerais, vitaminas, fibras e gorduras saudáveis. Ele também contém fibra e compostos antioxidantes, o que faz dele um potencial fator de proteção contra doenças. Podemos citar como vitaminas e minerais presentes no amendoim: vitamina E, vitaminas do complexo B, folato, magnésio, zinco, fósforo, cobre, potássio e cálcio. O amendoim, ao contrário do que muitos pensam, possui nutrientes que diminuem o colesterol ruim, como é o caso dos fitoesteróis, além disso, o amendoim possui um corante natural (também presente nas uvas e na cebola roxa), antioxidante, essa substância auxilia para impedir que o colesterol LDL (o colesterol ruim) forme placas nas artérias – prevenindo o infarto.

O amendoim é uma leguminosa presente nas propriedades familiares de todo o Brasil, pode ser cultivado em quase todos os tipos de solo; contudo, a maior produtividade é obtida naqueles solos drenados, de razoável fertilidade e textura mais leve, favorecendo a penetração dos ginóforos ou “esporões”, o desenvolvimento das vagens e a redução de perdas na colheita. Solos de textura muito argilosa (pesada) frequentemente conferem excelente produtividade ao amendoim, porém, como as vagens ficam debaixo do solo, pode ocorrer maior perda na colheita.

Conforme preconizado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, as oleaginosas devem ser consumidas preferencialmente in natura e em preparações culinárias que não levem açúcar, já que o acréscimo de calorias a um alimento já calórico, mesmo que saudável, pode acarretar em ingestão de calorias desnecessárias e consequente aumento de peso. As oleaginosas são alimentos saudáveis, saborosos, versáteis e facilmente cultivados nas propriedades rurais. Inclua esses alimentos no dia a dia, variando o tipo e o modo de preparo e desfrute da saúde que a natureza pode nos proporcionar.

 

 

Tatiane Turatti: Extensionista Social – Nutricionista
Escritório Municipal da Emater/RS – ASCAR Encantado

 

Referências bibliográficas

Brasil. Ministério da Saúde. Desmistificando dúvidas sobre alimentação e nutrição : material de apoio para profissionais de saúde / Ministério da Saúde, Universidade Federal de Minas Gerais. – Brasília : Ministério da Saúde, 2016.  164 p. : il.

MARTINS C.R. et al. Cultura da noz-pecã para um agricultura familiar. Em: Wolff, L. F .; Medeiros, C. A. B. (Ed.). Alternativas para a diversificação da agricultura familiar de base ecológica. Pelotas: Embrapa Clima Temperado. (Embrapa Clima Temperado, Documentos, 443). 30-81,2017.