Artigos - Desenvolvimento Rural

Boas práticas agropecuárias na produção de silagem – por Eduardo Mariotti Gonçalves

Eduardo (Foto: Divulgação)
Eduardo (Foto: Divulgação)

Estamos em plena fase de colheita da silagem no Vale Taquari. Boa parte dos produtores já realizaram a colheita do milho silagem, enquanto outros estão preparando os silos. Vejamos a seguir, alguns detalhes que se observados, podem fazer toda diferença na qualidade do produto final:
a) Escolha do híbrido: todo processo de silagem começa na escolha do híbrido ideal para o objetivo que se deseja. Um híbrido ideal, deve apresentar alta digestibilidade de grãos, folhas e colmo, alto teor de matéria seca, sanidade foliar (tolerante a doenças foliares), e ampla janela de corte, também denominada pelo termo inglês stay green.
b) Ponto de corte: A linha do leite é um bom indicador do ponto de corte. De modo geral, o corte deve ser realizado quando a linha do leite atingir de 2/3 a 3/4 do grão. Neste momento o teor de água no grão situa-se entre 30 a 35%. Simultaneamente este é o momento em que obtemos o maior acúmulo de matéria seca (MS) na silagem de planta inteira e onde obteremos menores perdas no processo de ensilagem.
c) Dimensionamento do silo: o dimensionamento do silo deve considerar a quantidade de animais, o número de dias em que será ofertada a silagem e a quantidade de silagem ofertada por dia/unidade animal.
d) Tamanho da partícula: Recomenda-se partículas entre 0,5 a 2,0 cm. Para obter este padrão de partículas é indispensável uma adequada afiação e regulagem das navalhas da ensiladeira. Particulas menores e/ou maiores que o recomendado tendem a se tornar “sobras de cocho” o que se traduz em perdas econômicas para o produtor.
e) Compactação e fechamento do silo: A boa compactação da massa ensilada é fundamental. Para cada 10h de corte são necessárias 12h de compactação. Esta relação deve ser mantida para a conservação de uma silagem de qualidade. O fechamento deve ser feito no menor tempo possível, para uma adequada fermentação o fechamento não deve ultrapassar 12 horas.
f) Vedação do silo: A vedação evita que a silagem sofra deterioração pela presença de oxigênio. Escolha sempre lonas de boa micragem, evitando a entrada de ar e possíveis perdas.
g) Abertura do silo: Após fermentação, com a silagem pronta é hora de abrir o silo. Em torno de 30 dias após fechamento do silo, está pronta para ser usada. Retire sempre fatias de cima abaixo, cortando uma fatia de espessura de 25 cm diariamente. Para conseguir uma fatia em torno de 25 cm é mandatório que o silo construído tenha sido dimensionado para atender a oferta diária do rebanho, sendo que um adequado dimensionamento do silo facilitará a oferta e a conservação da silagem. Dica: após aberto mantendo-se o corte diário, não é necessário fechar o silo, a lona superior deve somente evitar a entrada da água da chuva.
Além destes pontos que tratamos, cabe destacar que preliminarmente ao plantio cabe a velha e segura recomendação da importância da análise do solo (artigo de minha autoria, publicado nesta coluna, em junho). Lavouras de silagem sobre silagem acompanhadas, tem apresentado teores de potássio muito baixos. Em situações críticas, são observadas em lavouras, manchas de plantas tombadas, onde nitidamente observa-se colmos quebrados após ventos moderados. Isto se explica pelo fato de que em lavouras de silagem a extração de nutrientes é ainda maior quando comparadas ao milho grão, pois além dos grãos, está se retirando a palha e os colmos, que é a principal reserva de potássio na planta. Quando são observados estes sintomas, é hora de repensar o modelo de nutrição e com apoio técnico, recuperar os indicadores de fertilidade do solo, de modo a resgatar um equilíbrio de entradas e saídas de nutrientes.

Para finalizar, agradecemos aos leitores que nos acompanham ao longo deste ano e desejamos um excelente ano novo de safra cheia a todos nós!

Eduardo Mariotti Gonçalves
Engenheiro Agrônomo, Emater RS