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“Bovinocultura leiteira como alternativa de produção da agricultura familiar” – por Higor Barcelos

Higor Barcelos (Foto: Divulgação)
Higor Barcelos (Foto: Divulgação)

O agronegócio brasileiro é um dos maiores setores da economia nacional, tendo commodities fortalecidas e produção agropecuária de forte expressão no comercio exterior. Atualmente no Brasil são 4,8 milhões de estabelecimentos rurais, sendo que 85% são propriedades da agricultura familiar que geram cerca de 14 milhões de empregos diretos.

Este segmento tem um papel importante na economia das pequenas cidades, pois 4.928 municípios têm menos de 50 mil habitantes. Destes, mais de quatro mil têm menos de 20 mil habitantes.

Estes produtores e seus familiares são responsáveis por inúmeros empregos no comércio e nos serviços prestados nas pequenas cidades. A melhoria de renda deste segmento, por meio de sua maior inserção no mercado, tem impacto importante no interior do País e, por consequência, nas grandes cidades.

A agricultura familiar reúne aspectos importantes: a família, o trabalho, a produção e as tradições culturais, portanto, pode ser considerada como aquela que, ao mesmo tempo em que é proprietária, assume os trabalhos no estabelecimento. Essa classificação é independente da área disponível para cada produtor, da renda obtida na atividade, do nível tecnológico praticado ou mesmo do destino que a produção recebe.

A economia da agricultura familiar basicamente gerada pela produção de suínos e frangos integrados, bovinocultura leiteira, fruticultura e horticultura. Porém a pecuária de leite é a mais relevante das atividades desenvolvidas, apresentando bom desempenho em áreas pequenas, gerando renda na venda de leite cru e comercio de terneiras, novilhas e vacas leiteiras.

Sabe-se que a integração está presente na maioria das propriedades familiares, porém ela engessa a tomada de decisão do agricultor e impõe investimentos às vezes inviáveis. Portanto, a atividade leiteira permite uma renda mensal e poder de decisão na compra dos insumos e uma melhor tomada de decisão de investimentos, tais como: melhoramento genético, aumento no numero do rebanho, entre outros.

As propriedades de agricultura familiar da Região Sul e do Centro-Oeste são as que mais trabalham com a pecuária leiteira, pois o leite está presente em 61% dos estabelecimentos das duas regiões. Na Região Sudeste são aproximadamente 44% das propriedades que trabalham com leite e nas Regiões Norte e Nordeste esse valor é menor, quando comparado com outras regiões brasileiras, cerca de 24%.

Portanto, visando a manutenção das cadeias produtivas, diminuição do êxodo rural e uma melhor qualidade de vida na agricultura familiar, a bovinocultura leiteira se torna uma alternativa indispensável comparada com outras atividades.

Higor Barcelos – Extensionista Rural
Escritório Municipal de Encantado