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Campanha conscientiza sobre a prevenção do câncer de pele, o tumor mais comum no Brasil

“Dezembro Laranja” terá ação neste sábado. No país, uma em cada quatro novas ocorrências de tumor é de pele

Ana Maria Braga, Barbara Evans, Silvio Santos e Vanderlei Luxemburgo, além de serem figuras públicas, têm, pelo menos, mais uma coisa em comum: todos já tiveram câncer de pele, doença que atinge cada vez mais pessoas, de todas as idades e classes sociais. É o que mostram dados como os do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que estima mais de 180 mil casos por ano. No Brasil, uma em cada quatro novas ocorrências de tumor no Brasil é pele.

— Os casos de tumor de pele superam todos os outros no país. É o tipo mais comum tanto em homens quanto em mulheres. Em incidência de câncer de pele, o nosso país se assemelha a Austrália, que tem uma grande população ruiva (cuja pele é ainda mais sensível do que a de pessoas loiras e, por isso, mais suscetíveis) – afirma Maurício Conti, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Os tipos mais conhecidos de câncer de pele são os melanomas e os não melanomas (leia abaixo). O primeiro é o menos comum, corresponde a cerca de 3% dos casos, porém, mais agressivo: dos 6,2 mil pacientes por ano, mata 1,7 mil (27%). Já os não melanomas são bem mais frequentes – em 2018, conforme o Inca, foram 165.580 mil casos, e, em quase 90% das ocorrências, são do subtipo carcinoma, que provoca cerca de 1,9 mil óbitos por ano no Brasil (1,1% dos doentes), de acordo com a SBD.

Diante dos números crescentes e dos riscos que representam, é imprescindível que o diagnóstico seja feito o mais rápido possível. Para isso, o autoexame é o ponto de partida.

— É preciso analisar as manchas em cinco critérios: assimetria, bordas irregulares, cores diferentes, diâmetro e evolução do sinal — afirma a doutora Taciana Dal’Forno Dini, presidente da SBD-RS, ressaltando que, diante da percepção de qualquer uma dessas características, um médico deve ser procurado o quanto antes.

Foi ao perceber um desses sinais que o vendedor de produtos hospitalares Leandro Ferraz, 46 anos, de Porto Alegre, identificou um tumor de pele em estágio avançado.

— Por dois dias seguidos, depois do banho, vi que tinha sangue na toalha. Aproveitei que a empresa onde eu estava trabalhando ia fechar e procurei um médico. Ele retirou o sinal e enviou para biópsia, que deu resultado positivo para melanoma — conta Ferraz.

“ABCDE” – Regras para identificação dos sinais de perigo

Em novembro, o técnico do Vasco, Vanderlei Luxemburgo, descobriu um melanoma no nariz ao fazer a biópsia de um sinal. Dias depois, Luxemburgo, 67 anos, passou por uma cirurgia para retirada do tumor. O treinador passou por processo de raspagem no nariz, que é considerado simples e foi realizado com sucesso.

— Como sou meio neguinho, nunca me preocupei em passar protetor, mas é um conselho que tenho que dar. Se cuidar sempre e se proteger no dia a dia. Uma cirurgia simples, e Deus sabe o que faz. O médico me disse que se tivesse que escolher um câncer seria melhor esse, pois tem 99% de chance de ficar bom. Como sempre jogo para o lado positivo, estou com 99% para estar tranquilo — disse o ex-treinador do Grêmio logo após descobrir o tumor.

O tratamento mais eficaz para o câncer de pele, independentemente do tipo, costuma ser cirurgia com remoção do tumor – como no caso de Ferraz e do técnico do Vasco – e avaliação posterior para saber se ele foi removido completamente. Existem casos em que é necessário quimioterapia.

Mas estudos já apontam para outros tipos de tratamento, como imunoterapia e terapia-alvo, cujo principal objetivo é atingir e neutralizar as células do câncer, inibindo sua atividade e crescimento, por meio de medicamentos intravenosos ou administrados via oral. São alternativas menos agressivas e com menores efeitos colaterais do que a quimioterapia convencional. Contudo, esses tratamentos ainda não são ofertados pelo Serviço Único de Saúde (SUS).

3 tipos mais comuns de câncer de pele

  • Carcinoma basocelular – Esse tipo de câncer geralmente se desenvolve em áreas expostas ao sol, especialmente na cabeça e no pescoço. O carcinoma basocelular tem crescimento lento e raramente se espalha para outras partes do corpo. Entretanto, se não for tratado, pode disseminar-se para outros tecidos e órgãos.
  • Carcinoma espinocelular – Geralmente aparece em áreas do corpo expostas ao sol, como rosto, orelhas, lábios, pescoço e no dorso da mão. Pode também surgir em cicatrizes ou feridas crônicas da pele em qualquer parte do corpo.
  • Melanoma – O melanoma pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais. É o tipo mais grave, devido à sua alta possibilidade de provocar metástase (disseminação do câncer para outros órgãos).

5 mitos e verdades sobre a doença

  • É preciso usar protetor em dias nublados?
    VERDADE: os raios ultravioleta estão presentes na mesma intensidade em dias nublados, portanto, o uso de protetor solar é imprescindível.
  • O risco é maior no verão?
    VERDADE:
    o que determina maior risco de incidência de câncer de pele é o índice ultravioleta (IUV), que mede o nível de radiação solar na superfície da Terra. Quanto mais alto, maior o risco de danos à pele. Esse índice é mais alto no verão, porém, pode ser alto em outras épocas do ano.
  • Quem tem pele, cabelo e olhos claros corre maior risco de ter câncer de pele?
    VERDADE:
    as pessoas negras produzem mais melanina, que protegem a pele. Já as pessoas claras são mais sensíveis, então têm de se proteger e sempre usar protetor solar nas áreas expostas ao sol.
  • Existe exposição ao sol 100% segura?
    MITO:
    é preciso evitar excessos e sempre aproveitar o sol com moderação.
  • Melanoma não tem cura?
    MITO:
    o importante é o diagnóstico em estágios iniciais, quando os tratamentos são mais eficientes. Hoje já há tratamentos inclusive para estágios mais avançados, mas quanto antes começar o tratamento, melhor.

 

 

Fonte: Gaúcha ZH