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Com impasses e desafios, governo do RS divulga nesta terça-feira cronograma de retomada das aulas

Às 9h desta terça-feira (1º), o governo do Estado apresenta aos prefeitos o novo cronograma de retomada presencial das aulas. A expectativa é de que as atividades sejam retomadas ainda na primeira quinzena de setembro pela Educação Infantil. Depois, seria o Ensino Superior, seguido pelo Ensino Médio e Técnico. Por fim, voltariam os alunos do Ensino Fundamental.

O plano é apresentado após vários adiamentos e discussões. Em junho, quando foi anunciado o primeiro cronograma, o início das aulas presenciais de forma escalonada no ensino básico estava previsto para julho. Com o agravamento dos indicadores da pandemia, o plano foi adiado para que as atividades retornassem no dia 31 de agosto. Na semana passada, houve um novo recuo e a projeção passou para a primeira metade de setembro.

Agora, o plano é que o retorno aconteça de forma escalonada entre setembro e novembro, segundo o secretário de Articulação e Apoio aos Municípios Agostinho Meirelles.

— Já posso adiantar que do levantamento de restrição, por exemplo, da Educação Infantil, para uma próxima etapa a gente vai intercalar com no mínimo de 14 a 20 dias, até para podermos seguir medindo a evolução da epidemia. Portanto, nos dá esperança de que possamos retomar o calendário ainda no mês de setembro e com os retornos por etapas, talvez, até o mês de novembro — afirmou, em entrevista ao programa Gaúcha+, na segunda-feira (31).

Há apreensão na comunidade escolar e entre gestores municipais. No dia 18, tendo como base o cronograma anterior apresentado pelo governo gaúcho, a Federação dos Municípios do RS (Famurs) divulgou levantamento no qual 94,8% dos prefeitos são contrários ao retorno das atividades presenciais na escola.

– Devemos voltar somente quando tivermos segurança para isso. Quando teremos segurança? Quando os números da pandemia baixarem, para que a gente tenha as condições sanitárias para não colocar crianças e servidores da educação em risco. A curva tem que baixar de forma consistente, ao menos, por 15 dias (para podermos voltar) – disse, no dia 26 de agosto, o presidente da Famurs, Maneco Hassen.

O Cpers-Sindicato, maior entidade representativa dos educadores estaduais, vê necessidade de uma queda significativa nos indicadores para haver segurança da comunidade escolar. Recentemente, o conselho geral da entidade aprovou moção propondo que o retorno dos professores às salas de aula só aconteça com a disponibilização de vacina para a doença. No dia 28, o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH-RS) recomendou que a “redução acentuada” das curvas de mortalidade e contágio seria “condicionante” para um novo calendário.

O governo destaca que o retorno não será obrigatório e que a volta às aulas só será permitida para regiões com bandeira amarela ou laranja no modelo de distanciamento controlado. O temor é de que o retorno às aulas presenciais represente um aumento ainda mais expressivo no número de casos de coronavírus no Estado.

Espécie de “laboratório” da volta às aulas, o Amazonas, pouco mais de três meses após o pico da pandemia e o colapso do sistema de saúde, viu ao menos 10% dos professores da rede pública estadual testarem positivo para covid-19 na segunda semana da reabertura das escolas, no final de agosto.

 

Situação das escolas privadas

O Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe-RS) defende que, se a rede pública não tem condições de abrir as portas, essa opção seja dada às escolas privadas que desejarem e estiverem prontas para retomar as aulas presenciais e acolher seus alunos.

— Estamos em um platô no nosso Estado, então já é a hora de as instituições que desejem receber alunos possam fazê-lo. Se a rede pública entender que não tem condições de voltar no momento, que se libere a retomada da rede privada antes. Em países como Holanda e Portugal, os primeiros serviços a voltarem foram as escolas. No Brasil, a maioria dos serviços já voltou enquanto discutimos se volta a educação. Isso mostra a preocupação do brasileiro com a educação. Infelizmente, não é nossa prioridade — disse, no dia 25 de agosto, Bruno Eizerik, presidente do Sinepe.

Por outro lado, o Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro) observa a necessidade de uma queda sustentada no contágio.

— Os professores querem voltar, estão extremamente estressados com as aulas a distância. Não é questão de esperar uma vacina, mas de ter nível de contágio baixo, hospitais com capacidade para receber pessoas doentes e maior testagem — afirmou Cecília Farias, diretora do Sinpro, no dia 26 de agosto.

As escolas da rede privada gaúcha têm promovido adaptações passo a passo: primeiro, com protocolos de segurança e planejamento, para depois buscar a readequação dos espaços e a disponibilização de materiais como dispensadores de álcool gel nos corredores.

 

Como se deu a retomada das aulas no mundo?

Distanciamento, lotação pela metade, máscaras em sala de aula e escalonamento por idade são regras adotadas por escolas do mundo inteiro que retornaram às aulas neste ano. Ao contrário do Brasil, países europeus e a maior parte dos Estados Unidos controlaram a epidemia de coronavírus antes da retomada.

O Uruguai foi  o primeiro da América Latina a retomar as aulas presenciais, ainda em abril, começando pelas escolas rurais. Em junho, foi a vez das zonas urbanas, incluindo Montevidéu. Tudo ocorreu com a epidemia controlada (havia 20 mortes no total quando a abertura geral das escolas foi anunciada). Como particularidades, o uso de máscaras é obrigatório para estudantes secundários e as aulas têm no máximo quatro horas.

Nos Estados Unidos, a maioria dos estudantes do ensino básico norte-americano ainda estuda de forma remota, mas alguns Estados já retomaram as atividades, como Indiana, Mississippi e Tennessee. Nova York planeja a volta em setembro com controle da epidemia, mas já houve retornos em regiões com cenário em piora, caso de Texas e Geórgia. Marcadamente, escolas em Estados republicanos tendem a abrir mais.

Já na Holanda  a volta às aulas foi liberada apenas após expansão da testagem e semanas consecutivas de queda acentuada no número de casos. Começaram as creches, Ensino Fundamental e educação especial — quase um mês depois, o Ensino Médio retornou. De início, eram duas aulas por semana, para depois a rotina ser retomada. O ano escolar já acabou e agora há férias – crianças menores de 12 anos não precisam usar máscara nem praticar distanciamento.

Em Israel, um dos piores surtos de coronavírus foi em um colégio. Em meio a temperaturas acima de 40ºC, uma escola secundária de Israel fechou janelas das salas, ligou o ar-condicionado ao máximo, liberou a exigência de máscaras por três dias e voltou às atividades da mesma forma como antes da pandemia. Após duas infecções confirmadas, a instituição testou em massa alunos, professores e funcionários. Descobriu-se um surto de quase 200 contaminações. O caso virou exemplo de erro para o mundo inteiro e mudou a estratégia do governo israelense, que passou a retomar as aulas pela pré-escola e formandos.

 

Principais medidas adotadas pelos países que retomaram as aulas

  • 50% de lotação na sala de aula,
  • Retorno gradual dos alunos por idade
  • Entrada na sala de aula e recreio em horários distintos
  • Presença voluntária
  • Máscaras obrigatórias, pelo menos para os mais velhos
  • Colocação de tapete sanitário nas entradas
  • Adesivos no chão demarcam distância segura
  • Janelas abertas para aumentar a ventilação
  • Aulas em ginásios ou ao ar livre para turmas grandes
  • Cancelamento de atividades físicas no início
  • Limitação de no máximo quatro horas de aula

 

FONTE: GAÚCHA ZH