Artigos - Desenvolvimento Rural

Cultivo da nogueira pecã – por Eduardo Mariotti Gonçalves

Eng. Agrº. Eduardo Mariotti Gonçalves

A nogueira pecã (Carya illinoensis [Wangenh.] K. Koch), é uma planta que pertence a família Juglandaceae, de clima temperado, nativa dos Estados Unidos e México, com adaptação nas latitudes 30º a 35º.

No Brasil, as primeiras mudas foram trazidas por imigrantes americanos por volta dos anos 1870, no estado de São Paulo. Por ser uma planta de clima temperado sua melhor adaptação ocorreu na região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul. No estado a cultura ocupa uma área cultivada de 4.000 ha e mais de 1.200 produtores que se dedicam a atividade.

Entre as principais variedades destacam-se Barton, Cape fear, Desirable, Shwanee, Success, Imperial, Melhorada e Importada. Cabe mencionar que na escolha das variedades para implantação do nogal devem ser observados produtividade, resistência a doenças e rendimento de amêndoas inteiras. A nogueira é uma planta dependente de polinização cruzada, neste sentido é de suma importância ter de 20 a 30% de variedades polinizadoras por hectare.
Quanto ao espaçamento de mudas, este é variável em função do sistema de produção adotado. No sistema de cultivo adensado os espaçamentos mais usuais são de 10m x 10m e 12m x 12m. Já no sistema de integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), preconizam-se espaçamentos maiores com distâncias em torno de 15m x 15m a 20m x 20m.

Um aspecto importante na implantação do nogal é o planejamento e correção do solo. Nesta etapa deve ser realizada a amostragem e coleta de solo para análise em profundidades estratificadas de 0-20cm e 20cm-40cm ao longo do perfil do solo. A nogueira é uma planta muito sensível a acidez do solo, sendo necessária a correção do solo para um pH 6,0, baseado na recomendação agronômica conforme as recomendações orientadas pelo responsável técnico.
A aquisição de mudas é etapa fundamental no projeto. A aquisição de mudas deve ser realizada junto a viveiros de mudas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). No momento da aquisição solicitar na emissão da Nota fiscal a informação referente a quantidade de mudas, as variedades (porta-enxerto e enxerto), número do lote, juntamente com as demais informações fiscais. Recomenda-se que o produtor verifique juntamente o estado sanitário das mudas, a soldadura do enxerto e o aspecto geral da muda.

A implantação das mudas deverá ocorrer entre os meses de abril a junho visando obter melhor índice de pega de mudas em função da maior disponibilidade de água no solo e menor radiação solar. Após a implantação deve proceder o manejo de plantas daninhas, utilizando roçada e capina mecânica. Evitar uso de capina química, evitando possíveis danos de fitotoxidez causada pela deriva de produtos fitossanitários.

Entre os manejos sequenciais destacamos as podas, com destaque para poda de formação que se realiza nos primeiros anos para orientar a arquitetura das ramificações, permitindo o desenvolvimento de um eixo principal, com ramos fortes, espaçados e com ângulos de inserção superiores a 45º. A poda de desbaste dos galhos ocorre para permitir a entrada de luz na copa e a terceira poda, a de poda de condução, se realiza para conduzir a copa das árvores adultas formando um líder central retirando-se 20% do volume da copa.

A etapa reprodutiva em escala comercial (em pomares bem conduzidos), inicia por volta do oitavo ano após a implantação. A maturação ocorre entre os meses de março a maio, podendo variar em função das condições ambientais e genéticas das plantas.

A noz pecã é um fruto seco que apresenta baixo conteúdo de ácidos graxos saturados e em sua composição estão presentes esteróis, tocoferóis e compostos fenólicos que possuem atividade antioxidante, que atuam na prevenção de doenças crônicas e degenerativas.

 

Eng. Agrº. Eduardo Mariotti Gonçalves
Emater RS Ascar, Encantado