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Cultura da Noz-Pecã é tema de Simpósio Sul-Americano e de Seminário em Anta Gorda

Cenário da noz pecã norteou o debate (Foto: Divulgação)

O salão da Sociedade Cultural e Recreativa Carlos Gomes de Anta Gorda recebeu um público de cerca de 300 pessoas nesta quarta-feira (25), para o primeiro dia de atividades 1º Simpósio Sul-Americano da Cultura da Noz-Pecã e 5º Seminário da Cultura da Noz-Pecã. O evento foi oportunidade para que agricultores, técnicos, pesquisadores, estudantes e outros interessados na área trocassem informações sobre temas, como registro de produtos agroquímicos para o cultivo, planejamento, implantação e condução de pomares e ações da Câmara Setorial da Noz-Pecã e Programa Pró-Pecã/RS.

Parte da programação da 7ª FestLeite, que ocorre até o próximo domingo (29), no Parque de Eventos Aldi João Bisleri, em Anta Gorda, o Simpósio e o Seminário contaram com a participação de comitivas de mais de 60 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, de outros estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, e de países vizinhos, como Argentina e Uruguai. Entre os palestrantes e mediadores estiveram representantes de entidades diversas, como Emater/RS-Ascar, Embrapa Clima Temperado e Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), entre outras.

Entre os assuntos discutidos no dia esteve o Cenário da Noz-Pecã. Em painel mediado pelo assistente técnico estadual em Fruticultura da Emater/RS-Ascar, Antônio Conte, pesquisa, produção e mercado foram abordados pelos engenheiros agrônomos do INTA Castelar da Argentina, Enrique Frusso, da INIA Las Brujas do Uruguai, Roberto José Zoppolo e da Embrapa Clima Temperado, Carlos Roberto Martins. Contextualizando e historicizando o cultivo, afirmaram que o setor depende de organização, de produtividade com investimento e de qualidade daquilo que é cultivado, entre outros, para que possa se fortalecer.

Tradicional em Anta Gorda, o cultivo da noz-pecã quase se confunde com a história do município que, emancipado em 1963, viu as primeiras mudas de nogueiras serem plantadas quase 20 anos antes pelo agricultor (que viria a se tornar prefeito), Arminho Miotto, época em que o município era um distrito de Encantado. “De lá para cá muita coisa mudou, sendo que, hoje, contamos com 280 produtores, 480 hectares de área plantada e 170 toneladas de frutos colhidos por safra, o que faz com que Anta Gorda receba a alcunha de Capital da Noz-Pecã”, avalia o extensionista da Emater/RS-Ascar, Fernando Selayaran.

“Esta condição, por si só, já justifica a existência de um evento da envergadura do Simpósio e do Seminário”, analisa o assistente técnico regional em Sistema de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, Derli Bonine. Anta Gorda é o segundo maior produtor do Estado, perdendo apenas para Cachoeira do Sul em área plantada, mas não em número de agricultores familiares. “Assim, dada a importância da cadeia produtiva para a região, é fundamental a discussão de temas que possam fortalecer a pecanicultura a partir de ações conjuntas, envolvendo diversas entidades ligadas ao setor”, pondera.

A propósito do trabalho em parceria, esta foi a tônica dos discursos das autoridades. O gerente adjunto da Emater/RS-Ascar, Carlos Lagemann, no ato representando o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Tarcísio Minetto, destacou o empenho da Instituição no fomento à diversidade de cultivos, em levar a Assistência Técnica e Extensão Rural e Social aos produtores e em promover o acesso e o conhecimento a novas tecnologias. “É dessa forma que o setor cresce e se fortalece”, comentou. Já o prefeito de Anta Gorda, Celso Casagrande, enfatizou a abrangência do evento, com painelistas internacionais capazes de promover um grande intercâmbio de conhecimentos.

Outras autoridades, como representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), câmaras setoriais, universidades e também da FestLeite participaram do primeiro dia de atividades. O evento segue nesta quinta-feira (26), a partir das 08h30, no mesmo local. No debate estão previstos temas, como visão de mercado para a noz-pecã, manejo de doenças ocorrentes no pomar, fertilidade e adubação e práticas de colheita e pós-colheita. O simpósio e o Seminário serão finalizados com a abertura oficial da Colheita da Noz-Pecã, a partir das 16h30, na propriedade da família Pitol, na localidade de Linha Carlos Barbosa.

Texto: Ascom Emater