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Documentário retrata vida dos Haitianos no Vale do Taquari

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Desta terça-feira (20), os haitianos  mostrar à comunidade como se sentem. O lançamento do documentário: “Haitiano: na esperança de um novo dia” foi apresentado aos veículos de comunicação locais e órgãos públicos de Lajeado e região a fim de disseminar o conteúdo relatado pelos imigrantes em formato de denúncia em que através dos pilares: educação, segurança, trabalho e saúde, contam sobre o preconceito que vivem na região. O vídeo foi produzido dentro do Projeto de Apoio à Integração dos Imigrantes no Vale do Taquari que surgiu no início do ano e foi elaborado pelo Grupo de Diaconia da Comunidade Evangélica de Lajeado (CEL). O Projeto contou com palestras, encontros e compartilhamento e para finalizar o vídeo foi apresentado com um café da manhã no Centro Comunitário Evangélico.

O representante do Projeto, Pastor Luis Henrique Sievers está satisfeito com o resultado do documentário que retrata a realidade dos imigrantes, especialmente dos haitianos. “Nosso Projeto foi um trabalho feito com muitas mãos e por isso percebemos a empolgação do grupo. Esse documentário vai ajudar bastante para que as escolas e grupos que desejarem tenham o material e iniciem uma conversa em sala de aula.”

Sievers acredita que para minimizar o preconceito é preciso aumentar a informação, já que grande parte está desinformada a respeito da realidade que vivem. “Mesmo que sejamos a quarta ou quinta geração de imigrantes alemães e italianos, quase esquecemos que nosso passado foi feito de muita luta para se integrar numa região atrás de terras. A maioria dos haitianos vem atrás de trabalho nas cidades e isso criou e gerou outros tipos de conflitos que no passado nossos avós e bisavós enfrentaram”, diz o Pastor.

O documentário será colocado a disposição da comunidade em forma de serviço que é a tarefa da igreja. “Queremos servir não só os membros, mas toda a comunidade local. Como o Pastor Sinodal Gilciney Tetzner disse, a esperança é que não morra o assunto e que de outras maneiras possamos dar continuidade a esse compromisso de acolher bem esses imigrantes que aqui chegam”, destaca.

Os interessados no assunto poderão visualizar o material através do canal de Facebook “Identidade Filmes”. Serão utilizadas as mídias disponíveis para alcançar o objetivo e as entidades parceiras farão o mesmo, como a Rede Ecumênica da Juventude (REJU), o Sesc, a Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e o Sínodo Vale do Taquari.

Vivência através da lente da câmera

A diretora de imagens e edição Fernanda Scherer conta que está feliz em conseguir expor esse trabalho e saber que terá continuidade, pois a comunidade estará disponível para a comunidade. As redes de apoio também estão apoiando e transmitirão a nível nacional. “Foi um orgulho realizar esse trabalho em conjunto com o Tiago e o Marcus. Observei que os haitianos ainda terão que correr em busca dos direitos deles no Brasil e que muitos são invisíveis na sociedade, mas não podemos perder a esperança. Foi gratificante realizar esse trabalho que foi elaborado em apenas dois meses e contou com a ajuda dos haitianos e daqueles que fazem parte do Projeto”.

Fernanda e Tiago querem dar continuidade aos vídeos e estão começando uma produtora independente de documentários. Para o ano que vem tem alguns projetos em mente. “Esses projetos de denúncia que podem ajudar a fazer a diferença e mostrar a realidade nos chamam atenção, mas estamos abertos a novas ideias”, diz Fernanda.

O repórter Tiago Wiethölter, estudante do curso de jornalismo da Univates afirma que estava ansioso para o Lançamento do Documentário. Sempre atraído pelo mundo de matérias e conteúdos online, ele afirma que antes mesmo de cursar jornalismo o que mais o interessava era os vídeos. Hoje repórter da TV Univates ele afirma que está encantado pela área e acredita que o jornalismo pode mudar o mundo. “Ainda acredito nessa parte heróica dos jornalistas e que podemos mudar muito através da comunicação. Com o documentário tive a certeza disso, buscamos trazer as questões sociais e a realidade desses haitianos e acho que esse é o primeiro passo”, conta.

Tiago agradece a parceira e amiga Fernanda e o supervisor Marcus Staudt que com visão acadêmica trouxe embasamento para pensar no documentário. “Tínhamos uma ideia superficial e esse contato com ele foi importante para produzir um conteúdo de qualidade”, diz. Sobre a realidade dos haitianos o jovem percebeu que os pilares relatados pelos imigrantes mostram itens básicos para uma qualidade de vida e todos  estão falhos para eles.

Ao todo foram entrevistadas quatro pessoas e o tempo total do vídeo é de 15 minutos. O vídeo também foi traduzido na linguagem criolo para que seja de compreensão para os próprios haitianos.

E já foi pior

Quando chegou ao Brasil, há cinco anos o coordenador dos imigrantes Renel Simon afirma que o preconceito era ainda mais forte, mas ao longo do tempo foi se modificando. “Podemos perceber através dos meus colegas de trabalho na prefeitura que trabalho no CRAS e me sinto muito bem acolhido ou a ajuda do trabalho da Igreja Evangélica de Confissão Luterana. Estamos vendo mudanças e acreditamos que possam mudar e transformar ainda mais as coisas”.

Simon acredita que o documentário terá resultado positivo para os imigrantes. “Foi muito bom mostrar um pouco da realidade dos imigrantes. A partir do vídeo dá pra ver um pouco como é nossa vida, porque alguns pensam que o mundo está bom e não há dificuldade e um dos objetivos é mostrar a realidade que vivemos no Brasil”. Simon salienta que também falaram as coisas boas, mas o formato de denúncia foi para evidenciar como se sentem e que pelo preconceito ser crime as pessoas não falam diretamente, mas percebem no comportamento delas. “Outra questão é a insegurança. Os que trabalham são assaltados e não estão protegidos e, além disso, queríamos igualdade. O tratamento é diferente em algumas empresas e queríamos que a partir do vídeo as pessoas enxergassem o que está acontecendo com os imigrantes”, diz Renel.

Encerramento do Projeto

Com o documentário, o projeto chega formalmente ao seu final. Sua duração era de um ano, apoiado pela Secretaria de Ação Comunitária da IECLB. Ainda ficarão para 2017 a conclusão da criação da associação dos imigrantes, protelada em virtude da conjuntura política e econômica do país e uma roda de conversa entre imigrantes e estudantes, cancelada em função da última enchente, que atingiu muitas famílias de imigrantes. “Esperamos que o compromisso de atender bem aos imigrantes que aqui chegam permaneça aceso no coração dos lajeadenses”, diz o Pastor.

Fonte: Ass. de Comunicação IECLB|Lajeado
Foto: Renata Leal