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“Egoísmo, o mal do Brasil”- por Fredi Camargo

Cientista Político Fredi Camargo (Foto: Divulgação)
Cientista Político Fredi Camargo (Foto: Divulgação)

Antes de tudo, vamos começar nossa reflexão acertando alguns entendimentos. Vamos deixar então combinado que supostamente temos ciência e concordamos com o seguinte: o poder no Brasil serve a pequenos grupos, com interesses estritamente econômicos; há interferência da política na justiça brasileira e esta serve aos mesmo poderosos; há intervenção das esferas política e econômica na mídia de massa que, por sua vez, também tem interesses econômicos; há uma camada espessa da sociedade, composta por funcionários públicos de carreira política, que se repoltreia com o poder em nome de sua comodidade; e, por fim, claramente há uma tentativa de continuidade nisso tudo, com anuência de todos os grupos citados, no atual cenário brasileiro.

Posto isso, vamos agora ao ponto de reflexão. Sabendo disso tudo, estando cientes de que somos apenas um rebanho sendo levado ao abatedouro diário que tornou-se nossa sociedade, por qual motivo não tomamos atitude nenhuma?

Seria porque gostamos desse modo de vida, onde brasileiros trabalhadores, não importa de qual classe ou ramo, sabem que seu esforço diário está servindo somente para a sua sobrevivência e para tornar ainda mais poderosos e acomodados os da casta alta da nossa sociedade? Se não, então talvez fosse porque, apesar de nós, que já combinamos ali em cima de estarmos cientes de tudo isso, não tenhamos ideia e organização suficientes para alterarmos este quadro? Uma outra alternativa é a facilidade de sermos facilmente, apesar de pensarmos que somos espertos e safos, enganados pelos discursos e imagens em épocas certas para mantermos eles lá?

Pois bem, respondo que ao mesmo tempo que é um pouco disso tudo, também não é este o principal fator. A resposta é uma só e se resume a um sentimento comum ao brasileiro: somos egoístas.

Sim, somos egoístas como sociedade, podemos até não ser com nossos amigos, com nossos parentes e conhecidos próximos. Podemos dizer que ajudamos os necessitados, que fazemos parte de grupos religiosos filantrópicos e nos compadecemos perante desgraças coletivas como cheias, deslizamentos e acidentes. Mas no fundo, na hora em que mais precisamos ser solidários e pensar em uma sociedade como um todo, quando temos que analisar onde e qual caminho está nosso país e nossa sociedade é que esquecemos de tudo e pensamos somente em nós. É na hora do voto, na hora de escolher friamente e inteligentemente que buscamos a alternativa que é melhor para o “eu” e não para o “nós”.

E é por causa desse nosso egoísmo, desse pensamento mesquinho e individualista que estamos como, e onde, estamos. Fadados e condenados a aceitar todo aquele cenário descrito no começo deste texto, sem pensar em uma reação conjunta, que leve toda a sociedade a um novo patamar coletivo é que nos entregamos aos mais espertos que a gente. Nosso pensamento interesseiro é a causa de nossa desgraça social.

Por isso, antes de pensarmos em berrar, nos organizar, brigar e manifestar nossas posições a favor de A ou B, devemos pensar em sermos mais altruístas. Pensar que mesmo que aquele candidato seja meu amigo, meu conhecido, amigo de um parente, tenha prometido emprego ou qualquer ajuda particular a mim ou a algum ente meu, se ele não merece e tem um passado que mancha sua atividade política, esqueçamo-lo. Ele faz parte daqueles grupos que estão pouco preocupados com o povo. Pensemos nisso e tornemo-nos mais sociais de verdade, todos ganharemos com certeza.

Boa semana!
Fredi Camargo – Cientista Político
Contato: cc.consultoria33@gmail.com