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Emoção marca palestra pelo Dia do Comerciante em Teutônia

Palestrante com a presidente da CIC, Mariza Wolf, e diretores da pasta do Comércio da entidade empresarial teutoniense (Foto: Leandro Augusto Hamester)

“Mesmo sem poder ficar em pé e caminhar, levanto todo dia e escrevo minha história sem lamentar as rasteiras que a vida me deu.” A frase é de Márcio Dal Cin, palestrante na 12ª edição do evento promovido pela CIC Teutônia em comemoração ao Dia do Comerciante. A programação especial reuniu cerca de 450 pessoas na noite de 19 de julho, na Associação Pró-Desenvolvimento de Languiru. Além da palestra “Tudo mudou, e agora?”, o evento ainda teve muita pizza e bebida na confraternização de encerramento.

Dal Cin contou sua história de vida e deu um verdadeiro show de superação. Depois de um trágico acidente de trânsito, aos 33 anos de idade, ele teve que recomeçar do zero, reaprender a viver, superar inúmeros desafios e desenvolver novas habilidades e atitudes para encarar o novo momento pessoal e profissional numa cadeira de rodas. Numa narrativa com momentos de tristeza, alternados com passagens emocionantes e uma pitada de humor, ele fez refletir sobre o sentido da vida.

“Nossa vida é uma constante mudança, exige que cada um assuma responsabilidades, mas para isso precisamos estar preparados e buscar alternativas para superar as dificuldades que se apresentam no caminho”, foi enfático, reafirmando o valor da família.

Tudo mudou

Ele era o motorista numa viagem de trabalho que ia de Lajeado a Tubarão, quando uma carreta carregada com soja cortou a frente do automóvel. Dal Cin falou de detalhes daquele momento de agonia para ele e os passageiros do automóvel. “Eu percebi que estava morrendo, só pensava na minha família, na minha filha. Tentava manter a calma e fazia muito esforço para conseguir respirar. Me dei conta de que algo muito sério havia acontecido quando não consegui me mexer”, emocionou-se. Dal Cin teve lesão em duas vértebras no pescoço e ruptura da medula. Nesse momento, o público estava em completo silêncio e as primeiras lágrimas brotaram na plateia.

Na sua cadeira de rodas motorizada, Dal Cin circulava de um lado ao outro no palco. O grave acidente resultou em dificuldades motoras para mãos e dedos e a perda total da sensibilidade e controle do peito para baixo. “Foram 16 dias na UTI sem dormir, os piores dias da minha vida. A gargalhada da minha filha brincando com a mãe era minha maior motivação para seguir em frente. Assim, 26 dias depois de sair de casa com minha mochila, retorno numa ambulância, na maca, carregado por quatro homens”, revelou.

Nesse momento, uma pessoa da plateia é convidada ao palco e passa por uma situação desafiadora: ficar o resto da palestra numa cadeira de rodas, sem conseguir mexer os dedos das mãos e muito menos levantar-se. Foi uma forma que o palestrante encontrou para exemplificar as suas dificuldades diárias, falando da dependência da cadeira de rodas, da sua espiritualidade, das tristezas e frustrações e do sentido da vida com 85% do corpo paralisado

Força para seguir em frente

“Eu me sentia um inútil, precisava fazer alguma coisa para me ajudar e melhorar a situação da família. Uma grande vitória foi quando consegui comer e pentear meu cabelo sozinho. São coisas simples, mas que são motivo de alegria”, frisou, acrescentando que “jamais podemos desistir diante das primeiras dificuldades”. Dal Cin lembrou a busca por alternativas para auxiliar nas despesas da casa. “Precisava ser exemplo para minha filha e minha esposa. Foi então que comprei uma pizzaria”, recordou, apresentando a Chef Leon Pizzaria Delivery, sediada em Lajeado, cujo lema empresarial tem relação direta com a vida de Dal Cin: “A felicidade está nas coisas simples”.

Por fim, a mensagem do palestrante ficou evidente: “quando surgem os problemas, é nessa hora que precisamos evoluir. A mesma vida pode ser transformada, ser mais alegre, colorida e contagiante, mas para isso precisamos estar suficientemente preparados para tudo. Para cada problema, há sempre uma solução.”

Ao se despedir, Dal Cin parabenizou os comerciantes pelo seu dia e destacou o valor das pessoas. “O maior ativo das empresas são as pessoas, que vestem a camisa pela empresa e por elas mesmas. As pessoas precisam ser as protagonistas”, disse. Numa representação metafórica da linha da vida, ele procurou valorizar o aprendizado, o amor, o diálogo, o respeito e o perdão. “Não espere chegar amanhã para ser feliz. A felicidade acontece aos poucos, aqui e agora”, finalizou, sendo aplaudido de pé.

Dia do Comerciante

O Dia do Comerciante é celebrado no dia 16 de julho. Aproveitando a data especial, o vice-presidente do Comércio da CIC, Robson Luís de Souza, também falou da importância do setor para a economia. “Em Teutônia, dos 500 associados da CIC, em torno de 50% são do setor do comércio. Aos comerciários, nosso reconhecimento, profissionais que representam o suporte necessário para que as empresas possam empreender e fazer a economia girar. Trabalhar com vendas exige preparo dos vendedores, e é isso que todos nós buscamos a cada novo treinamento oferecido pela CIC Teutônia”, concluiu. A presidente da entidade empresarial, Mariza Wolf, também fez uso da palavra e convidou a todos para participarem da 2ª Teutofrangofest, de 17 a 19 de agosto.

Texto: Ascom Teutônia