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“Entendendo a dinâmica do Trabalho” – por Carolina Sofia

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Carolina Sofia (Foto: Divulgação)

Anteriormente fizemos uma discussão a respeito da estrutura da jornada de 8 horas de trabalho e o seu surgimento. Gostaria de abordar sobre a estruturação das formas de trabalho empresarial, pensando um pouco o nosso feriado da última segunda que foi o dia do trabalhador. O mundo do trabalho e o modo como se apresenta hoje nem sempre foi como é. Como as jornadas de trabalho se modificaram ao longo da história e do desenvolvimento do capitalismo, o trabalho também o fez.

Para iniciar a discussão tomo como ponto inicial o surgimento do Taylorismo. Antes disto as sociedades se organizavam de modo que cada trabalhador funcionava de forma autônoma, produzindo desde o início até o fim de um produto. Cada um tinha uma profissão, onde realizava sozinho, ou em oficinas/sindicatos, toda a atividade. Com o advento das fábricas, os homens começaram a se reunir para confeccionar produtos, onde todos faziam de tudo um pouco.

Eis que em 1910, Frederick Taylor introduz o estudo da administração do trabalho científico, entendendo basicamente que, se os homens produzissem as coisas de forma ordenada, cada um fazendo uma parte, teriam um rendimento muito maior. As primeiras fábricas passam a produzir produtos em série, com cada operário fazendo uma parte específica do trabalho e, apenas aquela para qual foi treinado, obedecendo ordens de seus chefes. A produção fabril na Segunda Revolução Industrial passa a ser 10 vezes mais rápida e aumentar muito o crescimento do capitalismo.

Analisando o modelo de Taylor e ainda o aprimorando, é que em 1914 Henry Ford introduz o Fordismo. Ford cria linhas de produção de montagem com esteiras, fazendo com que empregados deixem de obedecer ordens dos chefes, mas reajam ao ritmo das esteiras e se submetam às máquinas, aos poucos adquirindo um trabalho mecanicista. Com o Fordismo a produção melhorou ainda mais; houve a instauração da jornada de trabalho de 8 horas e as produções em massa e em série. Muitos produtos novos, com menos custo e modernos e que poderiam ser consumidos pelos próprios trabalhadores. O capitalismo ganha o mundo e chega em seu apogeu. Os trabalhadores são treinados para um trabalho repetitivo, mecânico, obediente e não criativo, executado pela mão de obra, de um lado, e pensado por poucos que o administram.

Ao chegar ao Japão o Fordismo precisou ser adaptado ao país e as suas necessidades distintas do capitalismo ocidental(e Europeu), surgindo assim o Toyotismo. A Toyota, nos anos 70, foi quem desenvolveu a otimização da produção, buscando mão de obra ainda mais barata, introduzindo grupos de observação e controle de qualidade, utilizando de novas tecnologias e máquinas mais modernas nas empresas e com definição de mais funções para cada empregado. Pelo Toyotismo o funcionário precisa ser mais inteligente, buscar aperfeiçoamento constante, interagir mais com colegas, operar diversos equipamentos e estar engajado com os objetivos da empresa como um colaborador, não mais empregado. O advento do Toyotismo ganha o mundo, pois ele garante a continuidade do ritmo e produção mesmo com faltas, pausas e trocas, pois todos sabem fazer tudo e estão engajados com seus empregos num espírito de confiança, lealdade e ajuda mútua. Taiichi Ohno, através da fábrica da Toyota, disseminou seus princípios, por muitos arraigados ainda hoje, proliferando o individualismo e a competitividade. Já em meados do Séc XVI, parte da nossa sociedade aparentemente está começando a despertar e iniciar uma nova transição.

Estes estudos são muito importantes para saber as verdadeiras relações que estabelecemos em nosso ambiente de trabalho e quanto este trabalho compõem a nossa subjetividade nos tornando o que somos. Voltaremos a eles.

Carol Sofia é Psicóloga e Especialista em Gestão e Docência de Ensino Superior.