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Esfe: o futuro das feiras e eventos com estandes menores e maior qualificação

O 16º Encontro do Setor de Feiras e Eventos (Esfe) acontece durante toda esta terça-feira (6), no Centro de Convenções Rebouças, pela primeira vez em formato híbrido, via streaming na plataforma EventMobi.com. O tema escolhido para esta edição é  “Mãos à Obra” e tem a missão de contribuir para a retomada das atividades do setor, promovendo empresários e profissionais da área para trabalharem juntos na reconstrução do mercado.

O painel que abriu o evento debateu o futuro das Feiras e Eventos, com a participação de Paulo Octavio Pereira, do B.o do Marketing, Abdala Jamil, presidente da Ubrafe, Ana Luísa Cintra, diretora do Centro de Convenções Rebouças, Daniel Galante, diretor do São Paulo Expo, Fátima Facuri, presidente da Abeoc, Fernando Lummertz, consultor e mentor de empresas do setor, e Ana Maria Arango, diretora da UFI para América Latina. A mediação ficou por conta de Otávio Neto, do Grupo ON.

“Acredito que a partir de agora muda muito a questão da megalomania, de querer ter o melhor estande ou o maior. O produto será o foco, algo muito mais sério e comercial”

Para o diretor do São Paulo Expo, as feiras presenciais têm toda uma diferença da parte digital, com relação ao atendimento, hospitalidade e recepção. A feira presencial não vai acabar, ela muda um pouco o formato, com menos visitantes, mas mais qualificados. É um ganho para todos”, disse Daniel. “Acredito que a partir de agora muda muito a questão da megalomania, de querer ter o melhor estande ou o maior. O produto será o foco, algo muito mais sério e comercial”, completou.

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Daniel Galante, diretor do São Paulo Expo

Ainda segundo Galante, “teremos um resultado melhor, porque iremos investir melhor. A questão do presencial continuará viva, o que muda é que terá muito mais a presença do digital. Nosso negócio é seguro, os protocolos são seguros, e os eventos serão retomados seguindos esses protocolos. Vamos retomá-los com muita segurança. Pessoas irão voltar aos eventos e não serão contaminadas”, destacou o diretor do São Paulo Expo.

Abeoc lamenta o desconhecimento do setor pelo poder público

“Eu acredito muito nas feiras, eu acho que é uma grande ferramenta, principalmente os de Mice. No entanto, o poder público não nos conhece, tanto é que as feiras poderiam sim ter voltado, cumprindo protocolos sanitários, mas não adiantou, porque os técnicos de poder público não categorizaram os eventos da maneira que deveriam, porque as feiras de negócio não geram aglomeração”. Essas são palabras da presidente da Abeoc, Fátima Facuri, que também participou do debate.

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Fátima Facuri, presidente da Abeoc

Segundo ela, o destino e a origem mostra que as feiras têm um controle muito eficaz de visitantes, expositores e fornecedores. Diversas entidades fizeram o dever de casa, mas não fomos ouvidos”, completou Fátima, que ainda abordou sobre o futuro dos eventos pós-pandemia. “Acredito que os eventos vão voltar com força, até porque as feiras precisam desse relacionamento. A  gente precisa conhecer o que é o negócio, abrindo oportunidades para nossos eventos, sempre com muitos pés no chão, layout padronizados, montagem elegante, mas nada de grandes estandes”.

“Acredito que os eventos vão voltar com força, até porque as feiras precisam desse relacionamento. A  gente precisa conhecer o que é o negócio, abrindo oportunidades para nossos eventos, sempre com muitos pés no chão, layout padronizados, montagem elegante, mas nada de grandes estandes”

O desafio, ainda segundo ela, é fazer com que o visitante consiga se sentir num ambiente de negócios. “Os eventos que já foram retomados, ficou provado, que voltaram com força. O evento 100% virtual é muito bom para gerar conteúdo, vieram para ficar, com mais inscritos. E agora nesta retomada, sabemos que teremos menos pessoas presentes fisicamente, mas até 10 mil inscritos no formato híbrido, acredito que seja uma grande oportunidade. Eventos precisam gerar mais impacto e acredito que a tecnologia é o caminho, com menos papel e mais negócios”, finalizou.

Feiras virtuais são atalhos, e precisamos de caminhos

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Fernando Lummertz, consultor e mentor de empresas de eventos

Fernando Lummertz, consultor e mentor de empresas do setor, acredita que concorrente humano favorece a realização de feiras físicas, “na medida que as pessoas estão frente a frente, juntas numa feira de negócios, onde têm a possibilidade da empatia, da simpatia, da antipatia, que são elementos humanos que fazem a diferença para se definir se vão fazer negócios ou não. “Então, esses elementos humanos, no presencial, são plenamente exercidos”.

No virtual, segundo Lummertz, é complicado. “Eu acho que o momento que estamos vivendo e logo quando começamos a buscar alternativas, acho que cometemos um erro, buscamos atalhos, ao invés de buscar caminhos. Fazer feira virtual? Eu comecei em 1999, ou sejá, há 22 anos eu falava em feira virtual. Me convenci, após investir nisso, que não era o caminho, que não era possível fazer uma feira virtual com um sucesso de uma feira física. Isso me convence de que a feira virtual é um atalho, e não um caminho”, destacou o consultor.

“Fazer feira virtual? Ru comecei em 1999, ou sejá, há 22 anos eu falava em feira virtual. Me convenci, após investir nisso, que não era o caminho, que não era possível fazer uma feira virtual com um sucesso de uma feira física. Isso me convence de que a feira virtual é um atalho, e não um caminho”,

“E para encontrar caminho, eu acredito que precisamos refletir sobre que tipo de investimento das empresas que estão neste mercado precisariam fazer, acho que talvez direcionar esses investimentos um pouco menos para a feira virtual, e sim para o desenvolvimento de tecnologias que nos permitam fazer cada vez melhor os eventos presenciais, cada vez mais seguros, de pontos de vista sanitários, eficazes, de ponto de vista de retorno de investimento, e tecnologia, para fazer com que as feiras sejam cada vez mais reconhecidas como uma indutora de negócios”, finalizou.

Ubrafe destaca necessidade das feiras para a economia

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Abdala Jamil, presidente da Ubrafe

Abdala Jamil, presidente da Ubrafe, entende que não está sendo fácil enfrentar todo este momento da pandemia, apesar da união de todos os setores da cadeia, das entidades representativas, que acabaram aprendendo juntos. Consequentemente, ele não esconde a expectativa da retomada dos eventos físicos.

“Em outubro, acreditávamos que iríamos atender o calendário que estava sendo programado, mas agora, que tudo mudou, prevemos uma retomada a partir de julho. Estamos todos preparados para isso, com protocolos rígidos e confiança em trazer a segurança e o bem-estar para expositores, promotores e toda a cadeia de montagem das feiras. Estamos trabalhando juntos às autoridades para mostrarmos que temos, como eventos de negócios, uma visitação mais comprometida, num ambiente em que a segurança é colocada a toda prova”, destacou.

“A economia do Brasil precisa das feiras, são geradoras de empregos, geradora de riquezas”

Ainda segundo o executivo, “a economia do Brasil precisa das feiras, são geradoras de empregos, geradora de riquezas. Esperamos que as autoridades deem sinal verde, entendam que estamos capacitados para realizar feiras de acordo com os protocolos e que serão seguidos”, completou Abdala.

UFI destaca a retomada da confiança do público

Ana Maria Arango, diretora da UFI para América Latina, deu destaque a retomada da confiança do visitante para acompanhar fisicamente um evento ou feira nesta retomada. “Precisamos ter o conhecimento para fazermos eventos online. Foi um susto para todo mundo e derrepente todos tiveram que se programar e fazer de outra forma. Todos os eventos acabaram sendo online e esse ano e não tivemos problemas. É possível fazer eventos físicos novamente? Sim, é, mas é preciso ter participantes, organizadores sérios e comprometidos com todos os protocolos. Precisamos da confiança do público”, destacou ela.

 

 

Fonte: Mercado e Eventos