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Estado prepara retirada da vacinação contra a febre aftosa

Assembleia reuniu lideranças regionais e estaduais para
debater a possível retirada da vacina

Tema foi discutido na assembleia geral da Amvat sexta-feira, em Fazenda Vilanova, e reuniu lideranças regionais e estaduais

A retirada da vacina contra a febre aftosa no Rio Grande do Sul foi o assunto principal da assembleia geral da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) realizada na última sexta-feira (18.10) à tarde, na Prefeitura de Fazenda Vilanova. Prefeitos, secretários da Agricultura e lideranças do setor discutiram o tema. As ações já em andamento pelo estado foram apresentadas pela chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do RS, Rosane Collares. Ela mostrou dados e falou sobre as ações realizadas a partir do Plano Estratégico lançado em 2017 pelo governo federal, o qual prevê a retirada gradativa da vacina até 2026.

O RS, conforme Rosane, integra o bloco formado por Santa Catarina e Paraná, que pediu a antecipação da retirada. Segundo ela, há estudos desde 2017 sobre os riscos de vulnerabilidade e não há vírus da aftosa no estado. Para a profissional, a vacina é importante, mas deve estar alinhada a outras medidas, como controle de trânsito e vigilância.

“Estamos discutindo a possibilidade de não vacinar mais porque isso sempre foi feito e nichos de proteção foram criados”, enfatizou. Além disso, de acordo com a chefe da Divisão, não há registro de caso da doença há 18 anos e de lá para cá houve uma evolução muito grande. “Hoje, se retirarmos a vacina e na eventualidade de ocorrer um caso, em três meses é possível obter o certificado de livre da aftosa”, ressaltou.

Presente ao encontro, o presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Rogério Karber, reforçou os investimentos feitos no RS para o controle de doenças. Lembrando o surto que ocorreu no início dos anos 2000, Kerber observou que o conceito mudou, há mais controle e que investimentos estão sendo feitos para agir imediatamente numa possível ocorrência. Para ele, a segurança é necessária, e o estado precisa de condições diferenciadas para se posicionar frente ao mercado, abrindo novas oportunidades.

Também participaram da assembleia representantes da Fetag, Sindicatos Rurais, da Coordenadoria Regional da Agricultura, das cooperativas Languiru e Dália e secretários municipais da Agricultura, entre outros. “Fiquei seguro com as explanações. Não podemos perder competitividade para os outros estados”, declarou o presidente da Languiru, Dirceu Bayer. “As missões que vêm ao Brasil passam ao largo do Rio Grande do Sul e precisamos de recursos. Posso pensar que sim, que devemos dar um passo à frente, ser livre da aftosa sem vacinação”, acrescentou o presidente do Conselho de Administração da Dália Alimentos, Gilberto Piccinini.

Para o presidente da Amvat, prefeito Jonatan Brönstrup, a assembleia foi um momento importante, para o amadurecimento da questão da segurança sanitária. “Estas oportunidades são o melhor caminho para que possamos construir, pois queremos, enquanto gestores, que venham para melhorar a qualificar a atividade do homem do campo”, avaliou. O encontro reuniu cerca de 60 pessoas, com representação de 25 municípios da região.

 

 

Texto e fotos: Paulo Ricardo Schneider
Plural Comunicação Integrada