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Estimativa da Emater para safra de grãos indica aumento de produção

Foto: Kátia Marcon/Emater
Rio Grande do Sul estima a injeção de R$ 30 bilhões em sua economia (Foto: Kátia Marcon/Emater)

Com projeção de colher 29,1 milhões de toneladas de grãos de verão (arroz, feijão 1ª safra, milho e soja) da safra 2016/2017, o Rio Grande do Sul estima a injeção de R$ 30 bilhões em sua economia. O levantamento da Emater, conveniada da Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), contabiliza, para a próxima safra de verão no Rio Grande do Sul, uma produção de 29.105.276 toneladas, valor 2,20% maior do que os 28.477.369 colhidos no ciclo que passou. Os números foram apresentados na terça-feira (30), durante um café da manhã com a imprensa, na 39ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

A avaliação preliminar indica que a área a ser plantada com as principais culturas de verão do estado deve ficar bem próxima da área semeada no ano anterior. A variação identificada foi de apenas +1,66%. Se considerado o total semeado com essas culturas, a área cultivada chega a 7,463 milhões de hectares.

“As condições do clima são sempre um desafio para o sucesso das plantações, mas com tecnologia e informação temos conseguido manter, ao longo dos últimos anos, boas safras”, analisou o secretário da SDR, Tarcisio Minetto. “Esperamos que a safra deste ano repita as anteriores, dinamizando todos os demais setores da economia gaúcha, como tem acontecido”, afirmou.

A variação foi de 0,64% na área do arroz, -1,39% do feijão 1ª safra, 8,93% no milho e 0,90% para a área da soja. Importante para a produção leiteira, o plantio de milho destinado à produção de silagem segue com aumento constante nos últimos anos, sendo que para esta safra é de 1,60%. “Se confirmada a safra de 4,7 milhões de toneladas, isso não atende à demanda do estado, que é de 6 milhões de toneladas”, destacou Minetto.

Análise Individual

Arroz
Baixos estoques, dificuldades durante a evolução da safra passada, que resultaram em produção abaixo do esperado, e preços valorizados em relação às médias históricas estimularam os orizicultores, a aumentarem a área em 0,64%. Mesmo assim, a área esperada para este ano deverá ficar dentro da média dos últimos anos, em torno de um milhão de hectares.

Feijão
Nem mesmo o expressivo valor do produto ao longo do último ano (acima dos R$ 200,00 a saca de 60kg) foi capaz de impedir a diminuição da área cultivada com a leguminosa, tendência observada desde 1995. Nesse cenário, a área projetada para o feijão fica em pouco menos de 40 mil hectares, -1,39% em relação ao ano passado.

Milho
Com a recente valorização, a área cultivada de milho destinado à produção de grão deverá ter aumento de 8,93%, nesta safra. Mesmo com os preços em alta, a área não será muito maior do que 800 mil ha, abaixo do um milhão de hectares necessário para atendimento da demanda interna do Estado. O aumento no custo de produção e a relação de preço ainda favorável à soja freiam o ímpeto do produtor. Já a área destinada à produção de silagem terá aumento de 1,60% em relação à safra anterior, passando para 371 mil ha.

Soja
Depois de sucessivos aumentos expressivos na área cultivada com a oleaginosa, a tendência é de estabilidade. Para esta safra, o levantamento indica um aumento de apenas 0,90%, passando para 5,5 milhões de hectares.

Em termos absolutos, a maior área plantada será a da região de Ijuí, com 908 mil ha. Já em termos relativos, o maior aumento foi verificado na região administrativa da Emater de Porto Alegre, que passará a cultivar 124 mil ha, 9% a mais que a safra passada.

Produção
No tocante à produção e baseando-se em rendimentos iniciais, obtidos a partir da tendência apresentada pelos rendimentos médios municipais nos últimos dez anos, o estado poderá alcançar os seguintes volumes: 8.354.275 toneladas de arroz; 53.301 toneladas de feijão, na primeira safra; 4.849.472 toneladas de milho; e 15.848.228 toneladas de soja, chegando a um total de 29.105.276 toneladas de grãos na safra de verão 2016/2017.

Na comparação com a safra passada, o levantamento indica uma variação de 11,33% no arroz, passando de 7.504.104 toneladas para 8.354.275. A primeira safra de feijão será 10,57% menor, saindo de 59.603 toneladas na safra 2015/2016 para 53.301 toneladas na atual. O milho deverá ter acréscimo de 2,66%, passando de 4.723.828 toneladas para 4.849.472 toneladas. A soja terá uma diminuição de 2,11% das 16.189.834 toneladas colhidas na safra passada, para uma estimativa de 15.848.228 toneladas neste ano.

Cabe destacar que, mesmo ocorrendo um aumento de apenas 2,2% na produção dos principais grãos de verão, se confirmadas as expectativas, esta safra se situaria entre as principais já registradas no Rio Grande do Sul, ficando 13,66% acima da média das últimas cinco safras, já que a média entre os anos de 2012 e 2016, de 25.606.380 toneladas, pela estimativa da Emater terá o acréscimo de 3.498.896 toneladas, chegando às 29.105.276 toneladas.

Produtividade
Em relação à produtividade esperada, os dados foram apurados a partir das tendências apresentadas pelas médias municipais ao longo dos últimos dez anos. Para as lavouras de arroz se espera uma produtividade média de 7.635kg/ha, valor 8,37% maior, em relação ao obtido no ano passado; no feijão o percentual deve ser 10,30% menor do que o registrado na última safra, chegando a 1.337kg/ha; no milho a produtividade projetada, de 6.019kg/ha, também é menor do que a da safra 2015/2016, com variação negativa de 6,02%; a soja é outro grão que deverá ter menos produtividade, o primeiro levantamento aponta 2.869 kg/ha, o que representa -3,46% em relação ao obtido no ano anterior.

“Mais do que números definitivos, este primeiro levantamento indica uma tendência quanto ao comportamento do produtor em relação à área a ser cultivada com esses cereais na safra de 2016-2017”, avalia o diretor técnico da Emater, Lino Moura. A confirmação ou não dos números dependerá, basicamente, das condições meteorológicas e da tecnologia empregada durante o ciclo das culturas.

O presidente da Emater, Clair Kuhn, destacou a importância do trabalho do agricultor para a economia e, sobretudo, para a manutenção da vida em sociedade. “Temos hoje números positivos, que indicam mais uma boa safra de grãos no Rio Grande do Sul, que quer dizer mais alimento nas mesas de todos nós e recursos financeiros para o Estado como um todo, mas principalmente para quem produz. Fato que devemos comemorar, pois é reflexo do trabalho da Extensão Rural que a Emater presta, levando tecnologias e informações que auxiliam nossos agricultores e produzirem melhor”, comenta Kuhn.

Texto: Ascom Expointer 2016