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Evento da Chamada do Leite em Encantado aborda Normativa 62 e doenças do rebanho

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Em Encantado, 22 famílias integram a Chamada do Leite (Foto: Tiago Bald)

Próxima da conclusão de seu terceiro ano, a Chamada Pública do Leite — operacionalizada pela Emater/RS-Ascar, por meio de convênio com o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA) do Governo Federal — teve na terça-feira (31), no auditório Imigrante, em Encantado, o seu último evento técnico.

Na ocasião, os produtores que integram o programa participaram de duas palestras. A primeira delas, sobre a Instrução Normativa 62, foi ministrada pelo técnico em Agropecuária da Emater/RS-Ascar, Higor Barcellos. Em seguida o médico veterinário da inspetoria local, Maurício dos Santos, abordou tema relacionado a doenças no rebanho leiteiro.

Os assuntos, de acordo com Barcellos, foram demandados pelas famílias que integram a Chamada do Leite — em Encantado são 22. Nos últimos três anos, os integrantes da política pública participaram de diversas atividades, entre seminários, palestras, reuniões, oficinas e tardes de campo, que abordaram temas variados relacionados à higiene na hora da ordenha, manejo de pastagens e criação correta da terneira, entre outros. “Tudo isso somado a ampliação do serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social que esteve mais próximo do produtor e que continuará ocorrendo normalmente”, salienta o técnico.

Para o agricultor Geraldo Francisco Farias, da localidade de Linha Azevedo, a Chamada Pública tem sido importante por instrumentalizar o agricultor, levando a ele o acesso às novas tecnologias e a qualificação permanente. “O que não podemos é ficar parados no tempo, senão inevitavelmente ficamos para trás”, analisa. Com oito vacas em lactação produzindo juntas cerca de 150 litros de leite ao dia, Geraldo já estuda a possibilidade de ampliar não apenas o rebanho, mas também a produção. “São ajustes e melhorias que ainda podemos fazer e que garantirão a qualidade que procuramos”, observa.

A busca da qualidade também está relacionada a um objetivo para o futuro: o da implantação de uma agroindústria para a fabricação de queijos. De acordo com Geraldo, o projeto já foi encaminhado e, para sair do papel, depende apenas do aumento do volume de leite produzido para atender a demanda. “Não tenho dúvidas de que o mercado para esse tipo de produto é garantido”, destaca. O empreendimento também tem a ver com a permanência do filho Elias, na propriedade dos pais. “Acredito que com a implantação de uma agroindústria, ele, que já se mostra inclinado a ficar, tenha um motivo a mais para permanecer aqui”, sorri.

No total, 500 famílias de 41 municípios diferentes, sendo 25 do Vale do Taquari, 14 do Vale do Caí e dois da Serra Gaúcha foram beneficiadas pela Chamada Pública do Leite, que se encerrará entre os meses de março e abril desse ano. “O objetivo foi o de concentrar o trabalho em propriedades em que a produção fosse menor do que 100 litros diários, com foco na sustentabilidade econômica, social e ambiental”, ressalta o assistente técnico regional em Sistema de Produção Animal da Emater/RS-Ascar e coordenador local da Chamada, Martin Schmachtenberg. “A intenção geral não é apenas ampliar a renda, mas garantir qualidade de vida para as famílias e a continuidade dos jovens no meio rural”, completa.

De acordo com Barcellos, deverá ocorrer, em breve, um último evento para avaliação de todas as etapas da política pública, em data e local a serem definidos. O evento de ontem contou com a participação do gerente regional da Emater/RS-Ascar, Marcelo Brandoli e do supervisor Cezar Burille. Brandoli valorizou o empenho das famílias envolvidas com a Chamada, na busca pela qualificação. “Certamente é uma ação que não se encerra aqui, já que temas como gestão da propriedade leiteira, importância da redução de custos para o produtor e organização da cadeia produtiva fazem parte da nossa rotina de trabalho”, finaliza Brandoli.

Texto: Ascom Emater