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Família Piffer de Progresso encontra na diversificação da produção o caminho para a sucessão rural

Família trabalha junta na propriedade e não depende mais exclusivamente da renda do tabaco

Desde que “se conhece por gente” o jovem Acxel Piffer, da localidade de Alto Honorato, em Progresso, lembra-se do pai Valdir e da mãe Alaídes plantando tabaco. A cultura sempre gerou renda para a família, que é completada pelo irmão Josuel e pela avó Santina. Aliás, segue gerando – para o ciclo deste ano já estão plantados mais de 50 mil pés de fumo, distribuídos em uma área de 3,5 hectares. Só que a penosidade do trabalho, o excesso do uso de agrotóxicos e a falta de perspectivas na monocultura, aliados a vontade de estudar, fizeram com que Acxel saísse da propriedade e buscasse novos ventos no município de Teutônia.

Aluno de um curso de Gestão Financeira e empregado em uma empresa de produção de cereais, Acxel ainda não se sentia feliz. “Estava longe da família e dos amigos e ainda trabalhando em algo ainda mais pesado do que se estivesse ao lado dos pais, colhendo e plantando tabaco, sem nenhuma qualidade de vida”, recorda. Foi quando surgiu a oportunidade para a realização de um curso para a produção de morango em substrato, no Centro de Formação de Agricultores de Teutônia (Certa) da Emater/RS-Ascar, em setembro de 2017. “Foi um divisor de águas, que fez com que retornasse para a propriedade”, relembra.

O começo não foi fácil. Não bastava apenas convencer o pai a “abraçar a ideia” e investir em outro cultivo – por mais que a família já tivesse algumas vacas de leite, como alternativa. Era preciso praticamente torcer para que desse certo. “Só que foram tantos os problemas de doenças, da vermelhidão das folhas à antracnose, que quase pensamos em desistir”, rememora. Na época, em abril de 2018, foram construídas as estufas e plantados os primeiros três mil pés, das variedades Pircinque, San Andreas e Albion após a obtenção de um financiamento de R$ 20 mil via Pronaf.

Sem conseguir solucionar o problema com a empresa fornecedora de mudas, Acxel encontrou na assistência técnica da Emater/RS-Ascar, o apoio necessário para que as doenças das plantas fossem revertidas. “Como não utilizamos agrotóxicos, foi o uso de um produto natural que fez com que não houvesse mais perdas”, celebra o jovem, que colheu 2,8 mil quilos de morangos no primeiro ano, com comercialização garantida não apenas para o consumidor final, mas também por meio de políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Aliás, a oportunidade de colocação do produto com preço justo para o agricultor – a família recebe, em média cerca de R$ 22 por quilo de morango – fez com que seus integrantes se motivassem a cultivar também repolho, moranga, aipim e até pinhão, com mercado garantido. Outras frutíferas recém-plantadas, como pêssego, caqui e ameixa, além de servirem como “quebra-vento” para a proteção dos morangueiros, também deverão ter como destino o mercado local. “Fora o próprio morango, que terá sua área ampliada, com a colocação de uma nova estufa e a projeção de plantio de sete mil pés”, salienta Acxel.

Para o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Marcelo Brandoli, a diversificação da propriedade e o consequente processo de sucessão rural não ocorreriam apenas pela força de vontade dos agricultores: também as qualificadas políticas públicas contribuem neste contexto. Além de a família participar da Chamada Pública da Sustentabilidade – programa do Governo Federal -, também foi incluída no Programa de Gestão Sustentável da Agricultura Familiar (PGSAF) do Governo do Estado, ambos operacionalizados pela Emater/RS-Ascar. “Foram e seguem sendo ações executadas em parceria com prefeituras e entidades e que, agora, rendem frutos”, avalia.

Ações do tipo, além de aproximarem os agricultores do serviço de extensão rural, promovem um bom gerenciamento da propriedade, com produção sustentável e qualidade de vida. “Em Progresso há outras famílias de agricultores que têm conseguido manter os seus jovens no campo”, salienta a extensionista da Emater/RS-Ascar, Simone Wobeto. “Mudar nem sempre é fácil, requer persistência, mas a gente sabe que quem ficar e se qualificar, provavelmente se dará bem na atividade”, resume o pai, Valdir. “No fim das contas é um investimento que a gente faz no futuro dos nossos filhos, garantindo que eles também estarão por perto”, finaliza.

 

 

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar – Regional Lajeado
Jornalista Tiago Bald