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História do Festival
HISTÓRIA DO FESTIVAL

HITÓRICO DO SURGIMENTO DO FESTIVAL DA MENTIRA

       O Festival da Mentira teve o seu inicio em uma brincadeira de amigos. No dia 14 de maio de 1982, numa sexta-feira à noite, um grupo de amigos, reunidos na Sociedade Recreativa e Cultural Tiradentes para um jantar onde, após este, o grupo ficou curtindo um divertido bate-papo com muitas risadas, piadas e mentiras, o que é muito comum em uma roda de amigos um atochar o outro com uma mentira, GILBERTO LASTE, conhecido como CATRACA, deu a sugestão de realizar um FESTIVAL DA MENTIRA.   As pessoas que estavam presentes neste jantar gostaram da idéia e alguns já se dispuseram a ajudar. O Festival ficou marcado para o dia 22 de maio de 1982, apenas oito dias após o encontro que deu origem à idéia.  A SRCT gostou e aprovou a realização do Festival, onde mais tarde patenteou o evento. 
Na época o presidente da sociedade era Dalton José Nichel e a comissão organizadora do festival foi composta por: Celto Dalla Vecchia, Ângelo Mezacasa (Colombim), José Querino Dalpian e Gilberto Laste (Catraca).
        Apesar do pequeno espaço de tempo entre o surgimento e a realização do primeiro Festival, este foi amplamente divulgado.  No dia 18 de maio de 1982, terça-feira, saíram de Nova Bréscia, Gilberto Laste (Catraca), Ângelo Mezacasa (Colombim), na época Vereador, e Celto Dalla Vecchia, com destino à capital - Porto Alegre, onde visitaram os meios de comunicação para a divulgação do evento. Em todos os locais em que passaram receberam muito apoio o que garantiu o sucesso do Festival.
      O primeiro Festival foi grandioso embora o pequeno espaço de tempo para a divulgação. Inscreveram-se 20 pessoas para contarem suas mentiras, onde o vencedor foi José Calvi da cidade de Encantado, com a mentira “A FAZENDA DO MEU PAI”.
      A realização do Primeiro Festival aconteceu no dia 22 de maio de 1982 às 20 h na SRCT.  Compareceram aproximadamente 400 pessoas para prestigiarem o evento.
O primeiro colocado além de ganhar o Título de mentiroso recebeu um prêmio em dinheiro no valor de Cr$ 10 mil.
A RBS-TV, de Porto Alegre, esteve presente no festival e no domingo, dia 23, o evento foi apresentado para todo o Brasil pela Rede Globo de televisão no programa Fantástico.
Para a organização do evento e para a comunidade o 1º FESTIVAL DA MENTIRA superou todas as expectativas, foi um sucesso total.
 No inicio a comunidade não gostou muito da idéia de um Festival da Mentira, pois mentir era, e ainda é, algo muito feio. A população não queria que o município tivesse fama de cidade dos mentirosos, mas, com o tempo entenderam e aprenderam a responder as provocações usando frases como: “os mentirosos vem de fora”, ou “nunca um bresciense ganhou o 1º lugar no festival”.
Com o segundo festival, surge o slogan: “POVO DE VERDADE BRINCA COM A MENTIRA” escolhido pela organização do evento. Além do slogan, surgiu também um logotipo que é um porquinho saindo de dentro de uma abóbora, criado por Mairi Scartezini Giovanaz, que venceu um concurso feito com os alunos da escola local no ano de 1983. O logotipo foi inspirado na mentira ganhadora do primeiro Festival da Mentira. O 2º Festival teve mais tempo para a organização e ganhou cartazes e muita divulgação. O evento aconteceu no dia 17 de setembro de 1983 e durante o dia teve atrações variadas e até shows.
Desde o ano de 1982 até o ano de 1987 o Festival foi promovido todo o ano, variando entre o mês de setembro e novembro. Mas, no ano de 1988 o festival não aconteceu. Sofreu  uma parada em decorrência de um trágico acidente envolvendo o idealizador do evento – CATRACA –que veio a falecer. Este fato deixou a cidade muito abalada e sem condições de pensar na organização do 8º Festival da Mentira, que foi realizado no ano seguinte, 1989. E desde então o festival sofreu varias paradas. Após 1989, ele foi realizado em 1991, sofreu um intervalo de três anos, voltando em 1994. No ano de 1996 foi realizada a 10ª edição do evento, e mais uma vez outra parada. Desta vez por quatro anos. Quando muita gente pensava que nunca mais iria ser realizado,  no ano de 2000 ele voltou e desta vez prometendo não cessar mais. A partir deste ano ele esta sendo promovido regularmente de dois em dois anos, e não falhou até hoje, foi promovido em 2002, 2004 e agora em 2006 promete ser muito melhor, pois a programação inicia-se no dia 19 de abril e só terminará no dia 23 de abril.


XIV FESTIVAL DA MENTIRA

O 14º Festival da Mentira foi realizado de 19 a 23 de abril de 2006. neste período foram realizados vários eventos paralelos, como o  6º Encontro de Gaiteiros, com encontro de gaiteiros de todo o Rio Grande do Sul encerrando com um show do Grupo Os Serranos, que abriu as programações no dia 19 de abril. No segundo dia houve um show com a Banda Super Produção, de Carlos Babosa. Na sexta-feira, dia 21, foi aberta a feira comercial e industrial, bem como a exposição de carros antigos e atrações paralelas como bandas e palhaços, a noite teve uma apresentação do Grupo Ragazzi del Monti e Banda Gramofonica.
No sábado, as mentiras começaram a ser contadas a partir das 9 horas da manhã na câmara de vereadores e passadas em um telão no auditório do centro administrativo para o público presente. Neste ano, houve a participação de pais e filhos, como Sérgio e Mateus Lorenzon e Alécio e Marcelo dos Passos, todos obtendo a classificação. As 10 classificadas foram anunciadas às 17 horas, os classificados foram:

o Alécio Borsoi Dos Passos de Porto Alegre com a mentira: “Vinho e Transporte Coletivo”.
o Ângelo Antonio Barbieri de Nova Bréscia com a mentira “Invenção ou Surgimento da Churrascaria”.
o Ângelo Mazacasa de Nova Bréscia com a mentira “As Mentiras do Americano na Lua”
o Ivair Giovanaz de nova Bréscia com a mentira “Educação é a Solução”
o Marcelo Bado Dos Passos de Porto Alegre com a Mentira “Arvore e Leite”
o Mateus Lorenzon de Nova Bréscia com a mentira “O Milagre dos Frangos”.
o Osmar Ghisleni de Boqueirão do Leão com a mentira “Plano de Governo da Reeleição do Lula”.
o Sérgio Lorenzon de Nova Bréscia com a mentira “Revelação de um Churrasqueiro”.
o Sérgio Luis De Maman de Nova Bréscia com a mentira “Os girassóis da Rússia e as Caturritas Comunistas”
o Vladimir de Almeida de Passo Fundo com a mentira Origem da Gripe Aviária”.

Durante todo o dia ocorreram atrações diversas terminando com um baile no Ginásio Municipal de Esporte com o Conjunto os Atuais e som Enigma.
No domingo, último dia do Festival teve a Gastronomia do churrasco, que premiou a melhor churrascaria do país. A vencedora foi a Churrascaria Vento Aragano, de São Paulo, também foi premiada a melhor ervateira da região, que foi a Putinguense de Putinga. Neste dia teve o encerramento de todas as feiras e exposições, e ao final da tarde os 10 melhores mentirosos se apresentaram diretamente ao público. A classificação foi:

10º - Vlademir de Almeida;
9º - Sérgio de Maman;
8º - Marcelo dos Passos;
7º - Ângelo Mezacasa;
6º - Ângelo Antonio Barbieri;
5º - Osmar Ghisleni;
4º - Mateus Lorenzon;
3º - Ivair Giovanaz;
2º - Alécio dos Passos;
1º - Sérgio Lorenzon.

Pela primeira vez, em 14 edições e 24 anos de Festival, um Bresciense consagra-se vencedor do Festival da Mentira. Sérgio lorenzon contou a mentira:


REVELAÇÃO DE UM CHURRASQUEIRO

Muitos de vocês já me viram, me conhecem, mas não conhecem minha história. Foi no inicio dos anos 80, quando ainda trabalhava no aeroporto de Nova Bréscia. Um dia vindo de Porto Alegre, pousou um avião, e deste desembarcou o saudoso Catraca, empresário de churrascaria. Chegou direto em mim e disse: “A churrascaria Nova Bréscia, junto ao Laçador, está precisando de um churrasqueiro”. Aí fizemos um acordo com ele mesmo. E pensei: “Quem era esse laçador?” No dia seguinte tomei uma canja no meu cavalo e comecei o meu novo emprego. Ali trabalhei dois anos. Fui escolhido o melhor churrasqueiro do Brasil. Sabe por quê? No fim eu trabalhava lá: servia todos os dias mais ou menos mil pessoas e ainda sobrava um tempinho para ir lá fora servir o Laçador. Mas trabalhando por varias partes como churrasqueiro eu até encorpava varias churrascarias por esse Brasil a fora. Depois então tornei a Porto Alegre, desta vez para trabalhar na churrascaria Galpão Crioulo.
Quando em 1989, após servir o prefeito de Nova Bréscia, autoridade  Gildo Giongo, ele me chamou para uma conversa. E ele disse: “eu estou pensando em ter um churrasqueiro para colocar lá no canto da praça da Matriz de Nova Bréscia. E eu pago 8 mil dólares mensais, com contrato até abril de 2006”. Eu pensei um pouquinho: “também não ganho tão mal”. Só que perguntei a ele:”quem eu vou servir lá, tio?” Ele disse: “ninguém, você sobe no pedestal e exibe o espeto de carne e a faca e não se mexe. Tu não podes nem piscar o olho enquanto tiver alguém andando pela cidade”. Imediatamente vim pra cá, tomei meu posto. Confesso aos senhores, nos primeiros anos consegui uma boa economia, mas nos últimos anos, com a queda do dólar, mal dava pra sobreviver, por que vocês sabem, eu não sou feito de pedra. E me lembro das madrugadas que eu dava minhas saidinhas. E vocês sabem que na madrugada tudo é mais caro? Eu quero expor aqui que muitas coisas aconteceram, marcaram em mim nesses 17 anos de abstinência, mas que vou citar apenas duas: no dia 09 de abril, domingo a tardinha, eu me lembro do campeonato e me emociono. Vocês acham que foi fácil pra mim ver meus amigos passando na minha frente desfilando, comemorando o titulo do grêmio. Eu, sendo gremista, tendo que fingir que era uma estatua?
Outro fato foi na semana passada, na sexta feira santa. Uma procissão grandiosa de via – sacra programada pelo padre de nossa paróquia, parada na minha frente. Mais de 10 mil fiés, todos moradores aqui do centro, em coral, choravam, pediam a Deus a benção sobre todos os churrasqueiros de Nova Bréscia que trabalham por esse Brasil afora, e eu, sem perder a fé, pedi a Deus: “Senhor, me de forças nesses últimos dias, faça com que esse pessoal não olhe pra mim”. Por que se eles olhassem pra mim iam descobrir que não era uma estatua que estava ai, por que as lágrimas estavam correndo pelo meu rosto.
Mas tudo bem, tudo acabou, hoje, terminado o meu contrato, desci do pedestal agora a pouco e vim imediatamente para cá. Para pela primeira vez participar deste festival, para contar tudo isso que contei aos senhores. E para anunciar que estou de contrato novo, vou trabalhar na UNIVATES, vou trabalhar na área da gastronomia. Mas antes disso eu tenho uma grande missão. Eu já falei com o governador do Estado com o diretor-presidente da AVIPAL, com o prefeito Diógenes Laste, de Nova Bréscia. E prometi a eles que no máximo em 30 dias serão retomadas todas as exportações de gado e de frango para o exterior. Vocês vão dizer: “como é que ele vai conseguir?” Eu já estou preparado, eu tirei a carne de rês e coloquei o frango puro da ANVALE, antes disso de Nova Bréscia, no meu espeto. Estou viajando para o exterior em nome de todos os churrasqueiros de Nova Bréscia para dizer que não acreditem nessas mentiras, estou aqui para dizer que a carne de frango não faz mal. Eu pretendo ficar por lá no máximo dois dias. Eu quero que esse frango saiba apoiar e alimentar ao menos 100 milhões de pessoas.mas para que isso se concretize senhores jurados, autorizem o comitê organizador deste evento para empenharem uma moto para que eu possa viajar imediatamente.


                                     XIII FESTIVAL DA MENTIRA

O 13º Festival da Mentira aconteceu nos dias 16 e 17 de abril de 2004. No sábado, dia 16 as programações tiveram inicio as 7:00h com mateada de integração e abertura das feiras da saúde, comercial, industrial, de produtos agrícolas ecológicos, artesanatos e exposição de pequenos animais.
Neste ano, 30 pessoas inscreveram-se para concorrer ao posto de mentirosos. compareceram 29. Estes contaram suas mentiras no Centro Administrativo Municipal a partir das 13:30h do sábado. Após o resultado, os 10 classificados, dirigiram-se ao Ginásio Municipal de Esportes para, às 20:30h, apresentarem suas estórias ao público e a classificação foi:

10º Roger Cemin Timm – Encantado
9ºEduardo Sfoglia – Encantado
8ºJosé Calvi – Encantado
7ºElizelto Borghetti – Encantado
6º Vladimir de Almenda – Vera Cruz
5º Hélio Ari Fraporti – Nova Bréscia
4º Thiago Vian – Encantado
3º Mário Radaelli – Garibaldi
2º Delcir Scalco – Dois Lajeados
1º Osmar Ghisleni – Boqueirão do Leão

Pela quinta vez Osmar Ghisleni levou o titulo de maior mentiroso do Festival e sua mentira foi:


TRÊS GRANDES DESCOBERTAS DE NOVA BRÉSCIA EM 2003

“Fui representar o município de Nova Bréscia no último encontro dos prefeitos em Brasília. Chegando lá, contei as três descobertas de Nova Bréscia em 2003. Como resultado fomos eleitos o melhor município do Brasil, ganhando o direito de nos apresentarmos na ONU, perante a comunidade científica. Há 10 dias apresentei as na ONU as três descobertas: a primeira ocorreu quando um agricultor foi tratar seus frangos e encontrou alguns adoentados. Ele os levou ao laboratório de Nova Bréscia, onde foi constatada a Gripe do Frango. Os técnicos conseguiram desenvolver a primeira vacina contra esta doença. A segunda foi a descoberta da vacina contra o mal da Vaca Louca. Um agricultor percebeu problemas em seus terneiros e os levou ao mesmo laboratório, onde se confirmou a doença. Os técnicos também descobriram a vacina em pouco tempo. A terceira grande descoberta é a polenta trasgênica, feita com milho trangênico. Ela faz com que os moradores tenham uma maior longevidade. Na ONU Nova Bréscia acabou recebendo três grandes prêmios: Nobel de Química, de Física e de Medicina. Ao retornar à cidade pedi ao prefeito que fizesse um decreto preservando estas descobertas:
1 – Fica proibida a exportação da vacina contra a gripe do frango para que Nova Bréscia continue sendo o maior exportador do país;
2 – Fica liberada a exportação contra o mal da vaca louca para que nenhum churrasqueiro, em nenhuma parte do mundo, asse algum churrasco com carne doente;
3 - O segundo prato típico, depois do churrasco, será a polenta trasgênica com molho de frango sem gripe;
4 – o prefeito libera os agricultores para plantar milho, arroz, soja e feijão trangênico. E até algumas pragas transgênicas para serem espalhadas nos municípios vizinhos.”

                                      XII FESTIVAL DA MENTIRA

        No dia 13 de abril de 2002, às 09:00h e com a abertura das feiras: comercial, industrial, produtos agrícolas, artesanato e da saúde, teve o início do XII Festival. Na parte da tarde, a partir das 13:00h os 38 candidatos inscritos contaram suas mentiras na câmara municipal de vereadores, tendo a classificação dos 10 melhores mentirosos.  Às 17:30min os 10 mentirosos classificados contaram suas “lorotas” ao público, no Ginásio Municipal de Esportes. Os classificados foram:

· Arlindo Sheid – Nova Bréscia;
· Paulo Sérgio Gregorie – Caxias do Sul;
· Vladimir Almeida – Vera Cruz;
· Clóvis José de Castro Pereira – Sobradinho;
· Alécio José dos Passos – Porto Alegre;
· Osmer Ghisleni – Boqueirão do Leão;
· Sérgio Eliseu Lorenzon – Nova Bréscia;
· Eduardo Sfoglia – Encantado;
· Helio Ari Fraporti – Nova Bréscia;
· Arlindo Bildhauer – Nova Bréscia.

O vencedor pela 4ª vez – Osmar Ghisleni de Boqueirão do Leão, que contou a mentira:


HOMENAGEM À NOVA BRÉSCIA

 “Estou aqui para realizar três coisa importantes. Em primeiro lugar, estou hoje em Nova Bréscia para cobrar uma dívida. Em segundo, para prestar uma homenagem e, em terceiro lugar, para trazer uma boa notícia. No dia 21 de novembro de 1987, ganhei o VI Festival da Mentira e recebi um cheque de Cz$ 30 mil. Naquele dia, eu estava vestido de gaúcho, porque ia ter um show com o Gaúcho da Fronteira, e fui para a festa, ode fiquei comemorando e tomando cerveja com os amigos. De manhã, quando cheguei em casa, a mulher estava me esperando e foi logo perguntando onde estava o cheque. Eu comecei a colocar as mãos nos bolsos e chegou a me dar um frio na barriga. “Perdi o cheque”, disse para a mulher. Na verdade não sabia se tinha perdido, se tinha trocado no bar ou tinham me roubado. Há poucos dias, houve um rodeio promovido pelo CTG de Boqueirão do Leão e eu, vestido de gaúcho, fui guardar uns trocos depois de comprar uma cerveja, e encontrei o cheque no bolsinho da guaiaca. Na segunda -  feira, assim que abriu o banco, cheguei no caixa para trocar o cheque, mas o pedido foi negado. O caixa alegou que não podia trocar, visto que a moeda já tinha trocado umas quatro vezes. Ele me aconselhou a vir a Nova Bréscia e tentar receber o dinheiro. Segundo o caixa, os Cz$ mil, hoje valem uns R$ 2 mil. Por isso estou aqui, para ver se eu consigo receber o dinheiro. Fiz até uma promessa: vou deixar para Nova Bréscia um pôster de Gilberto Laste – CATRACA, me entregando o prêmio há 15 anos (Osmar mostra um pôster dele e de Catraca em 1987). Eu gostaria que este quadro ficasse aqui em Nova Bréscia, porque faz 20 anos que o Festival foi criado e um ano após esta foto ter sido tirada, o Catraca foi vitima de um acidente fatal.
Por último, vim aqui para dizer que as próximas olimpíadas, em 2004, serão em Nova Bréscia. A cidade já tem aeroporto, piscinas e campo. Falei para o prefeito que só falta construir a vila olímpica. O dinheiro virá das sobras de campanha deste ano e da entrega do Bim Ladem que está aqui em Nova Bréscia. Inclusive já temos a camiseta da próxima olimpíada com o lema “Nem Rio, nem Grécia, olimpíadas 2004 é em Nova Bréscia”. Com isso, vamos espalhar o nome da cidade pelo Brasil e pelo mundo.”

XI FESTIVAL DA MENTIRA

       Ocorrido no dia 29 de abril de 2000, com 44 inscritos, onde apenas 39  compareceram. A partir das 13:00 ocorreu a etapa classificatória do festival, as 18:00 foram divulgados os 10 melhores mentirosos, que apresentaram-se, ao público, no Ginásio Municipal de Esportes a partir das 19:30h. Os classificados foram:

· Vladimir de Almeida – Vera Cruz;
· Arlindo Sheibel – Nova Bréscia;
· João Luiz Pereira Prestes – Sobradinho;
· Clóvis José Pereira – Sobradinho;
· Mário Radaelli – Garibaldi;
· Mauro Luis Pisolani – Alvorada,
· Leonardo Francisco do Carmo – Encantado;
· Osmar Ghisleni – Boqueirão do Leão;
· Cleomildo Vargas da Silva – Lajeado;
· Ari Francisco... – Encantado.


O 1º lugar ficou com Vladimir de Almeida que interpretou a mentira escrita por Paulo Jacobsen, intitulada:


CRIAÇÃO DE CORVO EM NOVA BRÉSCIA

“Um ricaço de Nova Bréscia resolveu investir dinheiro aqui. Foi criar peixe e frango. I eu vim pra cá cuidar. O açude era grandão, do tamanho do Olímpico e do Beira-Rio. Os dois juntos. O aviário então, nem se fala. Tão grande que cabiam nele todos os outros aviários de Nova Bréscia. Havia 1,5 mil homens trabalhando. O asfalto daqui da Nova Bréscia, ficou parado um mês , porque as máquinas foram contratadas para fazer a terraplenagem.
Comecei cuidando dos pintos. Estavam crescendo muito devagar e resolvi misturar uréia na ração pra crescer mais ligeiro. Os frangos ficaram tão grandes que tinha bicho com 25 Kg, de papo vazio. O Prefeito ficou sabendo e veio olhar. Trouxe até o governador do Estado. A RBS - TV veio filmar pra passar no Globo Rural. Um dia desses veio uma excursão com 30 ônibus só pra ver a pintaiada. Estava a coisa mais linda.
Uma noite, eu dormia e ouvi um estouro que tremeu tudo era a água respingando pra tudo quanto era lado. Fui correndo pro aviário e tudo em baixo da água. Era peixe por baixo, frango por cima, peixe comendo frango e frango comendo peixe. Os vizinhos, com o estouro, foram ver o que tinha acontecido. E me ajudaram a tirar os peixes de dentro do aviário. Tiramos tanto peixe, que a Prefeitura mandou caminhões para carregar tudo e distribuir n a cidade.
Os frangos ficaram molhados e tive que secar um a um. Tirei a ventoinha de um fusca, que eu tinha, pra fazer um ventilador e secar os bichos. Eles ficaram maiores ainda, de tanta água que beberam e tanto peixe que comeram. Num domingo de manhã, eu plantava pipoca e tão quente estava, mas tão quente, que eu atirava os grãos dentro das covas e eles estouravam. Me sentei na sombra e, de repente, ouvi os gritos da “muié véia”. Fui correndo pro lado do aviário e, meu Deus! Eram os frangos morrendo com o calorão.
Começou a morrer tudo. Era um caindo morto por cima do outro. Não sobrou nenhum. Os corvos começaram a vir. E vinha tanto corvo que preteou tudo, parecia que estava se armando um temporal de tão preto que ficou. Era corvo nas árvores, corvo no telhado, em todo o lugar.
E a “muié véia” gritando que estava tudo perdido, que nós tava quebrado. Foi aí que eu tive uma idéia. Gritei pra “muié”: abre as portas do aviário! A corvaiada começou a entrar. Entra corvo e entra corvo ate que fechamos as portas. Os corvos estavam todos presos. Fui correndo pra telefonar pra cidade pra mandar vir um caminhão de tinta branca. Pintei os corvos todos de branco. Ficou a coisa mais linda, tudo branquinho. Mandei os corvos pra Avipal, que exportou pro Japão.  E naquele ano, ganhou até o prêmio de exportador do ano.
Pois não é que os bichos fizeram tanto sucesso que os japoneses só querem este tipo de carne. Pra finalizar, vocês não imaginam o trabalho que passei. Mas dá tanto lucro que já comecei a fazer outro lote. E até trouxe um pra vocês verem”. (no final retira um peru branco de uma caixa e joga para o público, jurando que é um dos corvos que tanto sucesso fizeram no Japão).


                                           X FESTIVAL DA MENTIRA

        O 10º Festival da Mentira foi realizado no dia 13 de abril de 1996, com 34 pessoas inscritas para concorrer ao titulo de maior mentiroso. Na parte da tarde, os 34 concorrentes passaram por uma etapa classificatória, de onde saíram 10 classificados, que à noite na sede da SRCT, contaram novamente suas estórias.
              
              A classificação:

· Osmar Ghisleni - Boqueirão do Leão;
· José Calvi da cidade - Encantado;
· Sérgio Elizeu Lorenzon, - Nova Bréscia;
· Mário Radaelli - Garibaldi;
· Sérgio De Maman - Nova Bréscia;
· Clóvis de Castro Pereira - Sobradinho;
· Adelei Fachini -  Nova Bréscia;
· Mauro Luis Pisolani - Passo Fundo;
· Arlindo Sheibel - Nova Bréscia;
· Jonas Calvi - Encantado.

A mentira contada por Osmar Ghisleni, tricampeão do festival, foi:

                                    CARTA AO POVO DE NOVA BRÉSCIA

“Há um mês atrás fiz uma viagem à Brasília e fui recebido pelo presidente FHC. Na conversa com ele, fui incumbido de trazer para a cidade de Nova Bréscia uma pastinha cor-de-vinho porque a pasta cor-de-rosa já estava comprometida. Me pediu para só abri-la no dia 13 de abril, no Clube Tiradentes da cidade. Na viagem de volta, não me contive a abri a pastinha. De fato as noticias eram muito boas. O conteúdo da carta dizia o seguinte:

Brasília, 13 de abril de 1996.
Prezado Povo de Nova Bréscia!

No dia 11 de abril, vocês comemoraram 31 anos de emancipação política. Eu não me esqueci deste fato, tanto é que estou mandando noticias boas, e ao mesmo tempo parabenizando este povo de fé e de verdade. Não conheço pessoalmente Nova Bréscia. Mas no ano que vem farei minha primeira visita oficial ao município. Por enquanto segue uma lista de obras que farei ainda este ano.

1. Construção do Aeroporto Internacional Domenico Mezacasa, em homenagem a um dos pioneiros de Nova Bréscia. Neste Aeroporto descerão aviões pequenos, os modernos jatos da TANBRÉ (Transportes Aéreos Nova Bréscia) e eu mesmo descerei aí com o Sucatão.

2. Construção do Autódromo Internacional Arcângelo Daroit, outro pioneiro do município. Neste autódromo será disputado o Grande Prêmio Brasil de Formula – 1, em 1997.

3. Conclusão dentro de 45 dias do asfalto até Encantado. Peço paciência ao povo, só 45 dias. O asfalto subirá o Calvário para ressuscitar Nova Bréscia.

4. Será rodado, em Nova Bréscia, um filme que vai ganhar o Oscar 97 nos Estados Unidos. O filme se chamará “O Cinquilio”, que conta a história de dois casais de italianos, que jogavam quatrilio e tomavam vinho enquanto o Ricardão aguardava no guarda-roupa.

5. Será construído um laboratório para pesquisa e cura da AIDS bem como o vírus causador da vaca-louca. Porque se a vaca ficar louca, como ficam os churrasqueiros?

6. Será construído um presídio de segurança máxima com capacidade para 18 mil pessoas. Aí passarão em prisão perpétua PC Farias, Collor e os banqueiros quebradores de bancos. Se tiverem bom comportamento, soltamos todos de uma só vez.

7. A fábrica de automóveis Peugeout se instalará em Nova Bréscia, que passará a ser o novo centro do Mercosul.

8. O Futebol Clube Tiradentes disputará, no ano que vem, a Copa do Brasil, em lugar do Internacional que não ganha de ninguém. Com chances de ir à Tóquio.

9. O Festival da Mentira passará a ser Internacional, enquanto que o novo município de Coqueiro Baixo, recém emancipado, ficará com o Festival Nacional de Lorota.


Finalizando, deixo meu abraço a este povo com o lema “com o trabalho de cada um e a mentira de todos nós, Nova Bréscia constrói o seu Futuro”.


                            

IX FESTIVAL DA MENTIRA.

O 9º Festival da Mentira ocorreu no dia 09 de abril de 1994, e pela 2ª vez consecutiva o vencedor foi Ivano Casagrande, de Porto Alegre, com a mentira:
                        NAS ASAS DOS MARRECÕES


“Pessoal. Pois não é que quase não chego a tempo de participar deste festival. Anteontem me convidaram para uma caçada de marrecão na fazenda de um gringo aqui de Nova Bréscia, lá pelas bandas de Rosário do Sul – RS, divisa com Alegrete - RS.
Logo que chegamos no local, fomos tomar um chimarrão (GIF-61Kb) com o gringo proprietário. Dali a pouco notei um cachaço de uns 200 Kg que caminhava rengueando. Vi que ele tinha duas próteses ortopédicas. Uma pata mecânica na paleta esquerda e uma no pernil direito traseiro.
Aí eu disse pro gringo:
-Mas que barbaridade, tchê! Isso aí só pode ser invenção de veterinário uruguaio.
-Dio ma que nada porca pipa. Isso é uno invento di mia própria cabeça.
Vendo uma cara de alegria na cara do porco, disse para o gringo:
-Puxa vida, gringo. Tu deves gostar muito deste porco
-Ma é claro,  Casagrande. Gosto tanto dele que to comendo ele aos poquetin.
Enquanto nós conversávamos, os demais caçadores, com o nego Teobaldo, colocavam as tralhas da caçada num jipão. Terminada a arrumação, nos tocamos para atravessar o rio Ibirapuitan, pois os açudes onde estariam os marrecões, ficavam do outro lado. Colocamos as armas num caíque e o gringo mandou Teobaldo atravessar o rio com o jipão por baixo da água. Nós ficamos meio loucos e assustados, mas o gringo garantiu que aquele quilometro e meio, o negão atravessava em 8 min. Subimos no  caíque e remamos até a outra margem, demorando uma meia hora. Lá chegando, não estava o jipão com Teobaldo. Começamos a ficar nervoso, e o gringo nos acalmou, afirmando que o negão estava acostumado e não ia demorar.
Já tinha quase uma hora que o jipão tinha afundado no rio quando apareceram umas borbulhas na água e o jipão apareceu com o nego secando a cara com um lenço.
-Ma que isso negón? Tu nunca demorou tanto. Qué assustá mios convidado/
- Que nada patrão, eu me atrasei um pouco, pois tive que trocar um pneu lá em baixo, retrucou Teobaldo.
Depois disso, cada um pegou uma espingarda e os cachorro e se tocaram para o lado dos açude. Eu fiquei sem espingarda e sem cachorro, aí me emprestaram um revolvinho calibre 22 e umas caixas de balas. Ora, caçar marrecão com bala é muito mais difícil, ainda mais sem cachorro pra buscar a caça. Mas como sempre carrego comigo uns duzentos anzóis e um rolo de cordão, não me apertei.
Lembrei que a minha avó me ensinou, que para colar metal, a melhor coisa é mascar beterraba com cachaça e usar saliva. Masquei e coloquei um anzol na ponta de cada bala e amarrei o cordão no anzol. A cada tiro que eu dava acertava na asa de um marrecão e puxava o cordão para prender o bicho. Deixava ele no açude e amarrava a ponta do cordão no meu braço esquerdo, para ele não fugir.E assim, passei a noite inteira dando tiro e prendendo no meu braço esquerdo uns duzentos marrecões.
Pois gente, acho que foi um pouco pelo cansaço e outro tanto pelo bafo de cachaça, que eu peguei no sono de manhãzinha. Me acordei assustado e pensando que eu estava morto, pois me sentia muito leve, com vento na cara e uma enorme dor no braço esquerdo. Abri os olhos e olhei no relógio, já eram 15:30h e eu estava sobrevoando a cidade de Santa Cruz – RS.
Aí, é que eu fui me dar conta, que os marrecões feridos nas asas e presos ao meu braço esquerdo tinham se acertado, um ferido na asa esquerda, se acertou com um outro ferido na asa direita, formando um par, começando a voar e me levando de arrasto pelo céu.
Pela hora, eu achei que não ia dar tempo de chegar no festival, mas quando eu vi o Rio Taquari, ajeitei minhas quase duzentas rédeas e fiz os marrecões voarem em direção à Encantado. Chegou ali, virei para a esquerda em direção a Nova Bréscia. Começamos a sobrevoar as montanhas e foi nessa hora que vi as máquinas do governador Collares se movimentando, para começar o asfalto na segunda-feira.
Aí, eu me dei conta que já eram quase 19 horas. Comecei a cortar os marrecões e aterrisei no pátio da Igreja com os últimos três. Por saber que o padre gosta de marrecão, dei ao vigário comer com uma massa no domingo. Por sorte, cheguei a tempo de contar minha história para vocês.”

VIII FESTIVAL DA MENTIRA

O 8º Festival da Mentira foi realizado no dia 30 de novembro de 1991. Paralelo ao  festival aconteceram  o 2º Encontro das Churrascarias e a 2ª Festa Campeira.
A programação teve inicio às 8h da manha com a recepção aos visitantes no Parque São Cristóvão.
A fase eliminatória das mentiras teve início às 10h, seguindo até às 18h. A partir das 19:30h teve início à contagem das 10 mentiras classificadas na SRCT. A mentira vencedora foi contada por Ivano Casagrande, de Porto Alegre, que contou:

 
                                                    A CAÇADA


“Certa vez resolvemos ir caçar lá pelas bandas da São Borja, na divisa com a Argentina. Passamos por São Tiago para pegar os cachorros, na fazenda do seu Adamastiori. Chegando na Argentina, os homens nos disseram que não poderíamos caçar porque “o trigo esta na colheita e vocês vão fumar, acender o fogo e com isso incendiar o trigo, daí está feito o estrago.
Então voltamos para São Borja, no outro lado do rio, lá nos ofereceram “dois alemãos”, para cuidar do acampamento. Lá pelas tantas os dois começaram a discutir
- Sabe Alemão, esta noite, tive “uma sonho”, sonhei que tu “era morrido” e que o teu corpo era enterrado lá na minha propriedade e que virou adubo, lá nasceu uma  grama bonita, viçosa. Veio uma das minhas vacas e comeu a grama, “que era tu”. A vaca chegou perto da porteira e fez “cocô”, eu fui lá, olhei e disse: “Fritz, como tu ta diferente”.
O outro, indignado respondeu:
Tu sabes que eu também tive um sonho, eu tu também “era morrido”, foi enterrado em minha propriedade,que teu corpo virou adubo, que a minha vaca comeu a grama que antes era teu corpo e que a minha vaca chegou perto da porteira e fez um “cocô” e eu olhei e disse: “Frantz, tu não mudou nada”.
Após muita gargalhada, resolvemos ir caçar, estava com uma arma “mocha 12”, encostado numa árvore, fazendo um lanche para não acender o fogo. Nesse instante ouvi um barulho ( sss...sss...sss...), olhei para os alemães, e perguntei “o que é isso”?
- Eu acho que é uma cascavel.
Ao olharmos para o lago vimos uma grande cascavel de 14 a 15 metros, com o rabo bem de pé. Mas era uma cascavel bem velha e a metade dos guizos estavam secos.para nossa segurança dei um tiro na cobra, levantei a arma e apertei os dois gatilhos de uma vez só, cruzou chumbo 12 com chumbo 5, fazendo faísca e pegando fogo no rabo da cascavel, justamente nos guizos secos, a mesma, para sobreviver jogou-se dentro do rio, como qualquer cidadão faria. Acostumada a nadar, com o rabo de fora “a maldita” atravessou o rio Uruguai até a outra margem, lá, o fogo que ainda estava no guizo, espalhou-se no trigal dos argentinos.
Para encurtar a história, meu pai, Jucelino, que queria cortar relações com os argentinos, vendeu todos os caminhões para pagar as despesas dos castelhanos. O fato é verdadeiro, e eu venho contando a mais de 30 anos, só que ninguém acredita, então vai passar por mentira.”


                                        VII FESTIVAL DA MENTIRA

       Marcado para os dias: 30 de setembro e 1º de outubro, o Festival reuniu 47 candidatos. Paralelo ao Festival aconteceu o 1º Encontro das Churrascarias e a 1ª Festa Campeira. Com programações variadas e dois dias de festa, o festival, trouxe ao município milhares de pessoas. Neste ano o Festival foi promovido pela SRCT e pelo CTG Chaleira Preta, com total apoio da Prefeitura Municipal.
A classificação dos 5 melhores mentirosos do ano de 1989 foi:

· João Valdir Santos Alves – São Gabriel;
· Osmar Ghisleni – Boqueirão do Leão;
· Sérgio Lorenzon – Nova Bréscia;
· Luis Cigolini – Nova Bréscia;
· José Calvi – Encantado.

Pela segunda vez, José Calvi,  campeão do Festival da Mentira. Calvi contou a mentira:


O SAPO BRESCIENSE ALTEROFILISTA


“Vou aproveitar a oportunidade para contar um caso que realmente aconteceu comigo nos últimos dias. Sou motorista de caminhão, tenho uma carreta 77, e eu estava viajando lá para Sete Lagoas e fiquei sabendo, através da rádio Nova Bréscia que tinha problemas de enchente aqui no sul. Aí, eu pensei: vou voltar e levar alguma coisa de útil para os flagelados lá da minha região.
Carreguei meu caminhão com penas, para fazer acolchoados e travesseiros. Botei 47 mil quilos em cima da carreta e vim embora. A carreta era muito boa e agüentava direitinho.
Quando cheguei ali em Estrela, a água tinha levado embora aquela ponte. Tive que entrar pelos fundos e fui até a barca do Picão. Chegando lá, notei que tinha uma coisa muito estranha, porque Da metade do rio para lá tinha uma gurizada brincando na areia e, para cá, uma enchente invadindo tudo. Fiquei impressionado, na correnteza tinha um salão de baile de Arvorezinha, que a água levara e o pessoal continuava dançando lá dentro, e o salão rio a baixo...
Continuei minha viagem, fiz a volta e vim então para Nova Bréscia, que era onde eu queria fazer a minha primeira entrega. Cheguei, estacionei a carreta, carregada com 47 mil quilos de penas, bem aí ao lado da estatua do churrasqueiro, tomei um banho e fui dormir na boléia. Mas ali pela uma hora da madrugada eu senti um negócio estranho na carreta. Achei que alguém estava querendo roubar alguma coisa, algum pneu, porque a carreta subia e descia, subia e descia...
Peguei meu revolver calibre 37, um calibre especial, que mandei fazer para mim e dei a volta na carreta e nada, voltei a dormir. A carreta continuou subindo e descendo. Aí peguei o revolver e uma lanterna e fiquei escondido num canto. Quando ela subiu de novo, eu foquei a lanterna na roda da carreta, mas não é que eu tinha estacionado em cima de um sapo?
Quando o sapo respirava, a carreta, que estava carregada com penas, subia, e quando o sapo soltava a respiração, a carreta descia. Aí, eu tive que tirar a carreta para não matar o sapo. (...)
Se alguém tem alguma dúvida posso provar também.”


                                      VI FESTIVAL DA MENTIRA

O VI Festival da Mentira aconteceu no dia 21 de novembro de 1987, com a participação de 57 candidatos. No dia,  muitas programações paralelas ao Festival aconteceram. Teve início às 9:30h  para a classificação de 15 finalistas, que se apresentaram ao público na SRCT na parte da noite. Os 5 melhores foram:

· Valmor Marrasca – Garibaldi;
· Ari Fraporti – Nova Bréscia;
· Ivair Giovanaz – Nova Bréscia;
· Ari José Grolli - ?
· Osmar Ghisleni – Boqueirão do Leão.

Pela segunda vez consecutiva, o campeão foi Osmar Ghisleni, com a mentira:


O NOVO PLANO BRESSER: O PLANO DE NOVA BRÉSCIA


“Fui convidado pelo Ministro Bresser Pereira, para ir até Brasília que ele queria fazer um novo plano econômico, e precisava de minhas idéias. Aí eu fui. Entrei numa sala grande e na mesa estavam sentados os assessores e o Ministro. Aí eu disse para o Ministro que um novo Plano não pode mais se chamar Plano Bresser e sim Plano Bréscia, porque as idéias vêm todas de Nova Bréscia. Eu disse também que eu tinha sete pontos importantes que o Ministro deveria seguir para o plano.
1 – Fazer uma reforma ministerial e criar o Ministério da Imprensa e convocar o ex-Ministro Funaro para trabalhar na imprensa porque quando falta carne ele tem que imprensar os bois vivos para ele vender bife batido.
2 – Matar o Salário Mínimo com o disparo do gatilho e se não morrer dá uma dose de abono, ou um choque econômico, porque o salário mínimo é um cara muito humilde, que pouco subiu na vida.
3 – Liberar o filme “A Volta da Inflação” estrelando a grande atriz brasileira Dívida Externa, escrito e dirigido pelo cineasta “FMI” um filme colorido onde a atriz é verde amarela, o cenário é preto,  quando o Diretor fica vermelho, o dinheiro azula e o consumidor branqueia.
4 – Descobrir a vacina contra a doença do vazio que ataca desde o estomago até o canal do compulsório.
5 – Suspender o asfalto de Nova Bréscia a Encantado que está indo muito ligeiro, mas em compensação fazer partir de Nova Bréscia a Ferrovia Norte Sul.
6 – Recolher as notas de 1.000 Cruzados porque são falsas e no lugar onde está escrito “Deus Seja Louvado” escrever “Seja o Que Deus Quiser”.
7 – Fazer o congelamento – mandar a lista de preços para a Antártida e cavocar um buraco de uns quatro metros no gelo e enterrar que fica congelada.
Depois disto o Ministro me agradeceu e me deu uma gorjeta, eu fui para o aereoporto, peguei um avião da Aerolineas Brescienses e cheguei no aereoporto de Atochava na cidade de Nova Bréscia a tempo de participar do VI Festival Nacional da Mentira.”


                                          V FESTIVAL DA MENTIRA

No dia 22 de novembro de 1986, foi realizado o V Festival da Mentira, que contou com a presença de 54 candidatos. Durante as apresentações das mentiras classificadas foi sorteado, entre os presentes, uma passagem de ida e volta com estadia de 4 dias para o Rio de Janeiro.
O vencedor foi Osmar Ghisleni de Boqueirão do Leão, o 2º lugar ficou com Edi Borghetti de Encantado e o 3º lugar ficou com Mário Radaelli de Garibaldi.
Osmar Ghisleni, contou a mentira:


COMO NOVA BRÉSCIA ANUNCIA A REFORMA DO CRUZEIRO PARA O CRUZADO

“Esta é a RNBT (Rede Nova Bréscia de Televisão), apresentando o seu Jornal Nacional.
BRASÍLIA – O ex-ministro Abi Ackel vai morar definitivamente em Nova Bréscia. Perguntado porque respondeu: Nova Bréscia é a capital das pedras preciosas.
NOVA BRÉSCIA – Dentro de 15 dias, estará pronto o asfalto que liga Nova Bréscia a Encantado. Um grupo de geólogos estudando as montanhas próximas da estrada, concluíram que um vulcão vai explodir e a lava vai escorrer montanha abaixo e vai asfaltar toda a estrada.
CONVITE PARA ENTERRO – A família do sempre lembrado CR$, conhecido como Cruzeiro, tem o grato prazer em convidar para o seu enterro. O féretro já empacotado sairá de circulação logo.
ATESTADO DE ÓBITO – Aos 28/02/06, faleceu na Santa Casa da Moeda do Brasil, o Sr. CR$, conhecido com Cruzeiro, nascido em 1942, com 44 anos de idade. Após longa enfermidade que começou com uma picada de mosquito FMI, causando Febre, Moleza e Inflação. Em 1966, fez uma cirurgia plástica, ficando Cruzeiro Novo. De lá para cá foi piorando, sendo a causa mortis, desvalorização galopante, causada por inflacionite aguda. Atestado assinado pelo Senhor Presidente e seus ministros. Não deixou testamento, nem bens a inventariar, somente uma baita dívida externa, que será congelada, como seu corpo e sua memória. Será sepultado no jazigo da Velha República, onde estão seus antepassados: João Pataca, Pedro Mil Réis e Miguel Vintém.
Após seu enterro, será batizado o Filho da Nova República, um belo garoto, que se chamará José Cruzado, que segundo a parteira se não for bem vacinado depois das eleições começará a adoecer também.
Este foi o jornal nacional da RNBT, Rede Nova Bréscia de Televisão.”

                                 IV FESTIVAL DA MENTIRA


       O 4º Festival foi realizado no dia 23 de novembro de 1985 e contou com a presença de 43 candidatos. Juntamente com o Festival aconteceram exposições e feiras.
Em 5º lugar ficou Paulo A. M. da Silva, de Nova Bréscia, em 4º Luiz Seguetto, de Putinga, o 3º lugar ficou com Edi Borghetti de Encantado, o 2º com Osmar Ghisleni de Boqueirão do Leão, e o 1º lugar foi conquistado por uma dupla: Tito Simonágio e Valmor Marrasca de Garibaldi, que contaram:


DIÁLOGO ENTRE DOIS AMIGOS

“- Tito – Oi, há quanto tempo que não te vejo mais, são mais ou menos 100 anos!
- Marrasca – Mais ou menos 120 anos.
T – Mas vêm cá, tu estas morando aonde tchê?
M – Estou morando em São Paulo, a maior cidade do mundo.
T – Eu estou morando aqui em Nova Bréscia, aqui que é a maior cidade do mundo.
M – A maior cidade nada, eu estou morando em São Paulo num prédio de 83 andares.
T – Eu moro num prédio de 150 andares, pode pedir pro pessoal aí.
M – 150 andares?
T – 150 andares pra baixo, porque pra cima tem mais 200.
M – Já que a cidade é tão grande, vocês têm pista de aeroporto?
T – Quantos km tem a pista?
M – Tem 5 km.
T – Nós temos uma pista aqui em Nova Bréscia  de 48 km.
M – 48 km?
T – 48 de largura, porque de comprimento tem 140 km.
M – E tem avião pra pousar nesta pista?
T – Tem e carrega 30.000 passageiros.
M – 30.000 passageiros?
T – Em cada asa, porque o resto do avião carrega muito mais.
M – Vocês têm fábrica de automóveis, pois nós em São Paulo temos fábrica de Corcel II.
T – Ah! Nós temos fábrica em Nova Bréscia de Corcel 8.
M – Corcel 8?
T – Um dirigindo e 7 empurrando.
T – Me diga uma coisa, o Presidente da República já foi alguma vez em São Paulo?
M – 4 vezes.
T – Ahhaha, aqui veio 8 vezes o Presidente da República.
M – 8 vezes?
T – A semana passada.
T – Me diz uma coisa, vocês têm vaca leiteria lá?
M – Vaca leiteira de 120 litros de leite por dia.
T – Hahaha, nós temos vaca leiteira que dá 1.000 litros de leite por dia.
M – 1.000 litros e leite?
T – Em cada teta, e temos vacas com 16 tetas.
T – Me diga outra coisa, tu que moras em São Paulo, tem rede de televisão?
M – Temos 12 canais em São Paulo.
T – 12 canais? Hehehe, isso é fichinha, nós temos 480 canais de televisão aqui.
M – 480 canais?
T – Só da Globo.
T – Bom, o negócio é o seguinte: já que a coisa é assim, eu vou te levar lá em casa para conhecer minha mulher e meus 200 filhos.”


                                         III FESTIVAL DA MENTIRA

O III Festival da Mentira foi realizado no dia 08 de setembro de 1984, com a participação de 59 candidatos. Compareceram apenas 36. A participação do público foi além de 2.000 pessoas que assistiram às mentiras. A classificação foi:

 3º lugar - Ivair Antônio Giovanaz, de Nova Bréscia.
 2º lugar -  Luiz Seghetto, de Anchieta (SC).
 1º lugar - Valdir Antônio Bertozzi, natural de Nova Bréscia, mas residente em Porto Alegre, que contou a mentira:


                         CACHIMBO DAS DIRETAS


“- Este e o cachimbo das Diretas Já, que continua levando chumbo.
- Sabem, agora as condições de vida do Brasil vão melhorar para todos. Chega de podação, trancar ruas e barreiras.
- As greves terminarão porque as reivindicações salariais e profissionais serão atendidas.
- O INPS vai ter um atendimento perfeito; sem matar o velho.
- Os agricultores venderão sua produção diretamente ao consumidor porque agora inventei uma máquina para passar pesticidas nos intermediários e defensivos nos preços dos produtos agrícolas que estão baixinhos.
- Parecem que querem por em extinção o homem da terra (do campo) juntamente com a pequena propriedade.
-Vamos dar a César o que é de César...
- Portanto, tudo sairá da crise.
- Vamos todos dar a volta por cima, terá pão, trabalho e dignidade para todos.
- Plante que o Giovani Garante. (Ah canhi dal ostrega).
- Pau na crise.
- Pra frente nação, com a enxada na mão.
- Uma enxada para cada brasileiro.
- Para baixar o Dólar e subir o Cruzeiro.
- Casca fora!!!!”


                                        II FESTIVAL DA MENTIRA

        O segundo festival da mentira foi realizado no dia 17 de setembro de 1983. Neste ano o Festival ganhou slogan: “POVO DE VERDADE BRINCA COM A MENTIRA”, e ganhou também uma logomarca, que é a abóbora com um porquinho saindo de dentro, que foi idealizada por Mairi Scartezini Giovanaz, que foi a vencedora de um concurso realizado na escola local. Neste Festival, participaram 47 candidatos, que se apresentaram ás 14:30min na SRCT, para a etapa classificatória, e às 9:00h, os 15 classificados contaram suas mentiras para o público, obtendo-se o seguinte resultado:

3ºlugar – José Calvi – Encantado;
2ºlugar – Paulo Marques da Silva – Nova Bréscia;
1ºlugar – Dr José Maria de Araújo Pires – Porto Alegre., com a mentira:    


                                   A MÁQUINDA DE ESCREVER


        “Eu vim de Porto Alegre porque estou com um problema muito grave. Eu tenho amigos e conto para eles o que aconteceu comigo há certo tempo atrás e o pessoal diz que é uma tremenda de uma mentira. E, como aconteceu realmente, eu trouxe inclusive a minha máquina de escrever para contar a esta comissão julgadora o que aconteceu e aqui decidir esta questão. Se achar que a minha história é uma grande mentira, eu não vou contar para mais ninguém, por que eu não quero passar por mentiroso. Se eu não for classificado é porque a história é verdade.
Era uma tarde de sábado em Porto Alegre; que eu sou de lá, e de onde vim para resolver este problema; e fazia um calor terrível, e estava trabalhando em casa, fazendo um texto datilografado, mas era tanto calor tanto, que eu não agüentei mais trabalhando em casa, e pensei em levar a máquina lá para cima do morro da televisão, que é mais fresquinho, lá onde tem as antenas das repetidoras. E botei a máquina no carro, cheguei lá desci do carro, instalei a máquina num banco, de uma pracinha que tem ali, e o vento começou a bater, e coloquei o papel na máquina para terminar o trabalho.
O vento começou a ficar forte e a levantar o papel, aí eu levantei esse dispositivo (toda máquina de escrever possui uma espécie de vareta quando em posição vertical firma o papel em pé) quando levantei esta vareta, só de pensar eu fico todo arrepiado, começou a aparecer a imagem “dum” canal de televisão aqui neste papel, no papel que estava na máquina, mas olhem, eu ainda estou arrepiado, começou a aparecer, e eu fiquei nervoso. Estava aparecendo a imagem, e aí já juntou aqueles gurizinhos que tão sempre pedindo esmolas e disseram que a imagem não estava boa, e mandaram que eu mexesse no vertical, aí eu olhei a letra “V” e pressionei a tecla, e melhorou um pouquinho a imagem, mas ainda não estava boa, quando outro gurizinho disse para mexer no horizontal, e eu tremendo de nervoso pressionei a tecla “H” aí sim melhorou muito. E cada vez juntava mais gurizada, quando um deles pediu para que eu mudasse de canal, eu olhei e pressionei o número “5”, mas não estava bom, aí pressionei o “4” e mudou para o canal 4, e tinha uma imagem boa, bem melhor. Lá pelas tantas um guri disse, pô tio, se fosse a cores. E eu me lembrei que a máquina também tinha outro dispositivo que troca a cor da fita, e passei para o vermelho e começou uma imagem colorida.
Eu acho, que foi por causa deste dispositivo que firma o papel, que ali perto da televisão começasse a aparecer a imagem no papel.
E esta foi a história que aconteceu, e eu tenho até vergonha de contar, sem ter o veredicto desta comissão, e trouxe esta máquina que aconteceu isso, pois tenho que me limpar com os amigos que me chamam de um tremendo mentiroso então está aí para os senhores resolverem.”


                                       I FESTIVAL DA MENTIRA


         O primeiro Festival da mentira ocorreu no dia 22 de maio de 1982. Tendo como idealizador , Gilberto Laste - CATRACA .
Na noite do dia 22 de maio de 1982 a programação iniciou-se  com um churrasco na Sociedade Recreativa e Cultural Tiradentes, após os 20 candidatos contaram suas estórias para um público de aproximadamente 400 pessoas e para um júri ,que foi escolhido na noite.
José Calvi, de Encantado e Aquilino Scartezini, de Nova Bréscia, empataram na contagem dos votos do júri. O desempate foi feito através das palmas da platéia, onde José Calvi consagrou-se campeão do 1º Festival da Mentira, com a mentira:


                                         A FAZENDA DO MEU PAI


“Na fazenda do meu pai, que tinha sete mil hectares surgiu um problema na criação de porcos. Nunca dava certa a contagem. Um dia havia 20 animais no chiqueiro. Outro dia 18, depois 5. Um dia descobrimos que a porca redomona tinha sumido.
Depois de vários dias procurando no mato, encontramos uma coisa grande parecida com uma pedra. Quando batemos, ouvimos os gritos da porca, com 27 leitões dentro de uma enorme abóbora. Com o susto, os animais a desequilibraram e a abóbora, com os porcos, saiu rolando morro abaixo.
Quando a abóbora parou, o pai, a mãe, e nós, os 25 irmãos, estávamos diante de um buraco perto de um pezinho de mandioca que faz sombra em nossa casa. O pai descobriu que a raiz era roída pelos porcos. Ele entrou na raiz e sumiu. Desesperados, depois de um mês, nós ficamos sabendo que a raiz era tão grande, mas tão grande, que o pai tinha ido paras na Ilha das Malvinas.”

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A mentira que ficou em segundo lugar no 1º Festival foi mais ou menos assim:


“Uma turma de oito pessoas, aqui de Nova Bréscia, decidiu ir pescar no mar. Saímos decididos para ficar acampados durante três dias. Depois de muita procura achamos o lugar certo. Era um pedrão de mais ou menos 15 a 20 metros. Em cima dele, colocamos a barraca, e depois foi tudo festa. Tocamos gaita, violão, uns pescavam e os outros tomavam chimarrão.
Quando bateu a fome, resolvemos fazer um fogo para assar o churrasco. De repente, a pedra se mexeu e sumiu em alta velocidade para o mar. Nós todos passamos dificuldades para não morrer afogados. Depois do susto, vimos uma luzinha a cinqüenta quilômetros mar adentro. Foi aí que descobrimos que nós tínhamos feito o nosso acampamento e o fogo em cima do rabo de uma baleia.”

(Por: Marina Martini Fontana)

 
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