Artigos - Desenvolvimento Rural

Fisiologia da produção de leite no Úbere – por Higor Barcelos

Higor Barcelos

Encerrando o ciclo proposto no inicio do ano, trago um artigo falando sobre a fisiologia da produção do leite no úbere, que explica em uma estrutura ampla a sequência da produção de leite na vaca.

Síntese do leite

A boca, o rúmen, o abomaso e os intestinos da vaca são importantes na digestão e absorção dos alimentos ingeridos por ela. O processamento inicia-se na boca, pela mastigação e pelas enzimas. O material mastigado passa ao rúmen, onde é misturado a um líquido que contém vários tipos de microrganismos, sobressaindo aqui as bactérias e os protozoários responsáveis pela fermentação contínua do alimento ingerido.

Os produtos resultantes do metabolismo fermentativo, tais como aminoácidos, carboidratos e gorduras, são absorvidos no trato gastrointestinal. Após serem absorvidos, esses nutrientes são transportados pela corrente sangüínea até a glândula mamária, onde servem de base à síntese do leite.

Para que se produza um litro de leite, é necessária a passagem de 300 a 500 litros de sangue pelo úbere. Diante de todos esses processos, pode-se caracterizar o leite como uma mistura complexa e nutritiva, composta por água, açúcares, gordura, proteínas, lactose, minerais e vitaminas.

Glândula mamária (Úbere)

O leite é produzido pelas glândulas mamárias das vacas, que recebem também o nome de úbere. Tais glândulas são compostas por um grande número de células responsáveis pela secreção do leite. São divididas em quatro quartos, sendo os anteriores responsáveis pela produção de aproximadamente 40% do leite e os 60% restantes produzidos pelos posteriores.

Ejeção do leite

Recebe o nome de ejeção ou descida do leite a resposta ao estímulo da mamada do bezerro ou massageamento manual dos tetos ou com equipamento mecânico (ordenhadeira). Trata-se de um reflexo inato, isto é, uma resposta involuntária, inerente ao animal. Esses estímulos são importantes porque eles produzem pulsos nervosos que chegam ao cérebro e ordenam a liberação de uma substância (hormônio) chamada ocitocina. Da estimulação pelo tato (táctil) até o aumento da pressão intramamária transcorrem 30 a 60 segundos. Esta ação hormonal tem uma curta duração, de 5 a 7 minutos, daí a importância de colocar as teteiras o mais rápido possível após ter ocorrido o estímulo, caso contrário o efeito hormonal desaparece, deixando leite residual.

Manejo das vacas na ordenha

O manejo correto das vacas é essencial para a eficiência do tempo de ordenha. As vacas podem liberar o hormônio adrenalina 30 minutos antes da ordenha, interferindo negativamente na descida do leite, e estender o tempo de ordenha. Ao contrário, quando são bem tratadas, entram tranqüilas e de forma rápida no local.
Resultados de pesquisa demonstram redução de 10% da produção de leite quando as vacas sofrem maus-tratos, e mostram um aumento de 5,5% na produção de leite durante o período de lactação, quando se pratica uma rotina padronizada em comparação às práticas variadas.

Ordenha

A ordenha de vacas significa tirar o leite, ou seja, é o lucro da atividade leiteira. Esse ato deve ser feito sem paradas, com os tetos limpos e secos em um ambiente asseado, tranqüilo, sem umidade e longe de outros animais. Para se ordenhar completamente uma vaca, é necessário estimulá-la, para evitar que o leite fique retido no úbere (leite residual), o que é feito normalmente pelas crias; no entanto, para segurança do produto como fonte de alimento humano, o estímulo deve ser feito pelo ordenhador ao lavar, secar e descartar os primeiros jatos do teto (jatos contaminados por microrganismos).

Conclusões

Os assuntos são amplos e nessa oportunidade são abordados apenas os aspectos básicos. Em qualquer tipo de ordenha manual ou mecânica, a capacitação do pessoal envolvido é prioritária. Na tomada de decisão de mecanizar ou não, ou de escolher o modelo de equipamento para determinado estabelecimento, deverá sempre prevalecer o argumento econômico (relação custo/benefício).

De nada adianta adquirir um sofisticado equipamento, se o fator limitante for a capacitação da mão-de-obra, tanto no que se refere ao uso e manutenção do equipamento, quanto na obediência aos preceitos da higiene na ordenha e adoção de medidas preventivas para o controle de mastite ( doença infecciosa causada por bactérias no úbera da vaca). As práticas de higiene aplicadas à ordenha, armazenamento e transporte de leite resultam na redução da contaminação de bactérias no leite, tornando o mesmo mais limpo e as instalações utilizadas pelos animais devem ser mantidas em condições higiênicas para evitar a contaminação.

Contudo, a produção de leite é relacionada ao estado fisiológico da vaca correspondendo diretamente na quantidade e qualidade do produto a ser coletado.

 

 

Fonte: Embrapa