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Formação de Professores: Um Olhar Necessário

Observando o cenário regional, que acompanha a tendência nacional, é possível identificar uma queda na procura por cursos de licenciatura (Foto: Tuane Eggers)

“Só a educação liberta”. A frase, atribuída a Epicteto ainda no primeiro século depois de Cristo, tem sido ecoada ao longo da História. Muitas iniciativas e estudos da Univates são realizados para qualificar a sala de aula tanto dentro da universidade quanto em escolas e espaços não formais de ensino.

Para a professora Suzana Feldens Schwertner, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ensino, vivemos em um momento no qual a profissão professor vem sendo questionada com a ampliação dos espaços de aprendizagem. “As mídias, as redes sociais, as fundações de arte, os movimentos sociais, as pessoas imaginam que a figura do professor pode até mesmo ser dispensável, mas esquecem que a aprendizagem e o ensino são processos diferentes. Sempre precisaremos do professor – não como alguém que determine verticalmente o que se aprende, que guia, que ‘dá o norte’ – mas como alguém que compartilha, acompanha, questiona, ‘dificulta’: não um facilitador, mas um dificultador no sentido de colocar problemas, fazer pensar de outro modo – isto é ensinar”, argumenta Suzana.

O vice-reitor da Univates, Carlos Cyrne, afirma que, para a educação ser emancipadora e de qualidade, é preciso desenvolver a autonomia do estudante. “Como dizia Paulo Freire, ensinar não só conteúdos, mas ensinar a pensar. É preciso influenciar os alunos ao ponto de que não se deixem influenciar, que sejam capazes de pensar por si, com autonomia. É preciso formar pessoas capazes de exercer a reflexão crítica sobre a prática e de propor alternativas, para reconstruir e não somente destruir as verdades vigentes, capazes de intervir na realidade de forma autônoma”, ressalta o vice-reitor.

A estudante do 8º semestre de Pedagogia Bruna Dörr considera que a formação do futuro professor é decisiva para a qualidade das aulas. “Acredito ser de suma importância a formação acadêmica de um professor, pois é com base nela que irá dedicar seu tempo para aperfeiçoar as suas aulas. É importante que a formação seja de qualidade, pois é ela que dará a base para formação pessoal e servirá de suporte para atuar na sala de aula, ou em outro espaço escolar. Uma boa formação acadêmica dá a autonomia necessária para agir dentro desses espaços com respeito e ética, visando ao melhor para a educação”, pontua Bruna.

No oitavo semestre do curso, a futura pedagoga elogia as metodologias da Univates. “A nossa universidade vem crescendo cada dia mais, com muitas propostas e inovação. Na minha formação penso que foram muitas aprendizagens, pois percebo os profissionais muito bem capacitados. A reflexão e ação fazem parte da formação de um sujeito, e a cada semestre que passa aprendo a realizar essa ação. A Univates oferece o compromisso com a educação, refletido nos próprios professores que demonstram em atitudes e palavras para os que estão em formação”, conclui.

Bolsa licenciatura: uma semente que já germina

Observando o cenário regional, que acompanha a tendência nacional, é possível identificar uma queda na procura por cursos de licenciatura. Esse fenômeno pode gerar um “apagão docente”. Desde 2012, a Univates percebe um descréscimo do número de alunos dos cursos de licenciatura. Além disso, a média de disciplinas cursadas também vem caindo.

Preocupada com essa situação, a Univates propôs a Bolsa Licenciatura. Implantada em 2017, a iniciativa é um incentivo a mais para quem quer ser professor. Trata-se de um programa de pagamento diferenciado que pode gerar economia de até 50% no valor total do curso, dependendo da quantidade de disciplinas cursadas pelo estudante.

A iniciativa já tem resultados. A média de carga horária dos estudantes ingressantes aumentou em 120% com a Bolsa. Em 2017, os estudantes de licenciatura cursavam em média 136 horas e em 2018 a matrícula aumentou para 299 horas.

Com praticamente 50 anos de história, a Univates já conta com:

3.417 diplomados em cursos de licenciatura

58 diplomados no Mestrado em Ensino

137 diplomados no Mestrado em Ensino de Ciências Exatas

80 diplomados no curso de especialização em Docência na Educação Profissional

*dados coletados até 2018A

EAD: formação para todos

Em 2018 uma das grandes iniciativas da Univates para fomentar a formação de professores foi oferecer opções de cursos a distância. Mais acessíveis financeiramente e flexíveis com relação ao tempo e espaço, os cursos a distância têm ganhado força nos últimos anos. “Pessoas que moram em locais com pouca mobilidade, que viajam a trabalho ou possuem atividades em horários alternativos encontram na modalidade a distância a possibilidade de acesso ao ensino superior”, comenta Cyrne.

São 11 cidades que oferecem as quatro opções de Licenciatura: Ciências Biológicas, História, Pedagogia e Letras. Os Polos estão distribuídos em Arroio do Meio, Bom Retiro do Sul, Encantado, Estrela, Guaporé, Lajeado, Serafina Corrêa, Soledade, Taquari, Teutônia e Venâncio Aires. Atualmente mais de 700 estudantes estão matriculados.

Conforme Cyrne, os cursos foram cuidadosamente construídos. “Existe uma preocupação muito grande em manter a qualidade de tudo o que a Univates faz. Nossos materiais têm sido validados com muita atenção para não apenas formar profissionais competentes mas também pessoas comprometidas com seu entorno”, comenta o vice-reitor.

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino

A frase acima, proferida por Paulo Freire, reflete sobre a importância da investigação em sala de aula. Os programas de pós-graduação em Ensino de Ciências Exatas e em Ensino têm trazido qualificação aos processos de aprendizagem, em todos os níveis de ensino, a partir da intervenção de alunos mestrandos e doutorandos nas escolas.

“Muitos dos nossos mestrandos são professores de vários níveis de escolas dos municípios do RS e de outros estados: desde a Educação Infantil até o Superior, além de ocupar cargos de gestão nas escolas. O mestrando/ doutorando, em contato com as pesquisas que temos aqui realizado, compartilha suas práticas pedagógicas e as repensa por meio de seus estudos, aprimorando seu trabalho e realizando a troca indissociável entre a Educação Básica e a Universidade”, comenta Suzana.

Uma das pesquisas realizadas é a da mestra em Ensino da Univates Daniela Diesel. Atualmente doutoranda em Educação pela Universidade de Lisboa, Daniela buscou elencar o que seria um bom professor e interessantes modos de ensinar com base na perspectiva dos estudantes. Após análise do ponto de vista de 23 alunos, entre 15 e 17 anos, o estudo mostrou que os jovens consideram o professor como uma fonte de inspiração e apontaram que o docente precisa ser dinâmico e estar em permanente evolução. Na visão dos estudantes, a relação professor-estudante precisa ser marcada por vínculos de afeto. Os jovens afirmaram, ainda, que a escola continua seguindo uma abordagem tradicional de ensino e sugerem outros ambientes e ferramentas que favoreçam a aprendizagem. Conforme seu estudo, a pesquisadora confirmou que o professor do século XXI deve estar aberto para as mudanças nas relações com o aluno e precisa estabelecer um espaço de troca, compartilhando seus saberes.

Texto: Ascom Univates