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Fórum da La Salle aponta caminhos para reduzir desigualdades sociais

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Evento reuniu autoridades e a comunidade em geral para debater o assunto (Foto: Divulgação)

Educação de qualidade, qualificação profissional e boa estrutura familiar embasada pelo diálogo são algumas das soluções apontadas pelos debatedores do 7º Fórum de Ensino Superior para amenizar as desigualdades sociais em Estrela. O encontro que reuniu jornalistas e representantes da sociedade para debater o tema: “Desigualdades sociais podem se esconder?” fruto de uma pesquisa científica feita pela Faculdade La Salle, ocorreu nesta quinta-feira (27) à noite no auditório da instituição.

O Fórum atraiu estudantes, imprensa e comunidade que absorveram informações relevantes por parte dos debatedores os quais analisaram os números do levantamento e chegaram a conclusão de que mulheres negras e índias estão no topo da discriminação. O evento foi integrado pelos jornalistas Carine Krüger (Jornal Nova Geração de Estrela), Fernando Weiss (Jornal A Hora de Lajeado), advogado Daniel Horn e secretário de saúde, Elmar Schneider. Os debatedores geraram reflexões na plateia e expuseram caminhos que devem ser construídos para amenizar a discriminação – que passam, impreterivelmente, pela educação e pelo estímulo à diversidade.

“O que eu percebo e me parece que as pessoas não estão se dando conta é que a gente tem que acabar com o conceito do “nós” e do “eles”.”Nós” enquanto brancos, moradores do bairro Cristo Rei e “eles” enquanto negros e residentes no Bairro Moinhos”, salienta o editor do jornal A Hora, Fernando Weiss. Ele questionou a construção de complexos habitacionais populares erguidos em áreas pobres , o que chamou de “assentação da pobreza.” Sugeriu que casas populares sejam distribuídas por bairros diversos para que se possa acabar com a segregação social. Evidenciou a importância de investir em educação no Brasil, já que as desigualdades grassam pelo país afora. “Educação é o único caminho para se conseguir formar cidadãos críticos e fazer com que a sociedade consiga despertar para a miscigenação”.

Para a jornalista Carine Krüger, a discriminação transcende a questão política e social e parte de um movimento interno da própria pessoa. “O próprio discriminado deve olhar para si, para o mundo que vive e deve buscar a qualificação, que deve ser acessível para todos. Não basta o governo oferecer cursos. Necessário ele se interessar em aprender. É preciso que a pessoa que está sendo discriminada busque melhorar sua formação.”

O advogado Daniel Horn foi mais longe em suas considerações e provocou inquietação com suas proposições. Expôs que além de complexos habitacionais espalhados por bairros, adequado seria inserir alunos de bairros mais populares na rede privada e vice-versa. “Misturar” os estudantes é uma proposta de humanidade. “Assim eles vão crescer juntos, construir amizades e uma relação de igualdade.”

O secretário de Saúde, Elmar Schneider acredita que uma família estruturada e aberta ao diálogo é primazia para a auto-estima do indivíduo. Para ele, uma das soluções para o país se tornar igualitário e avançar no processo evolutivo são as relações familiares. “Não adianta o poder público vir com a força. O braço social é fundamental, mas se não tiver o apoio da família, não adianta apenas a caneta.” Para ele, as boas relações nas células familiares estão vinculadas à educação. “É importante que o poder público ofereça cursos de qualificação. Hoje não há mais espaço para amador.”

O Fórum deixou como sugestões os seguintes tópicos:
– Programas habitacionais populares distribuídos em diversos bairros;
– Projetos educacionais que abordem o tema;
– Qualificação profissional acessível a todos;
– Diversificação entre escolares, inserir alunos de bairros mais populares na rede privada e vice versa;
– Projetos de conscientização e inclusão social;
– Incentivo à qualificação profissional;
– Estender a pesquisa para que todas as cidades dos vales do Taquari e Rio Pardo sejam contempladas;
– Elaborar pesquisas que envolvam dados e fatos reais da cidade, não apenas embasados pelo IBGE;
– Formação de comissões de Direitos Humanos.

Texto: Ascom Faculdade La Salle