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Hospital Ouro Branco pede envolvimento da comunidade com a Campanha Mãos Dadas com a Saúde

Reunião aberta com a participação da imprensa, secretários municipais de Saúde, representantes de prefeituras, diretores da mantenedora ABOB, coordenadores setoriais, colaboradores, corpo clínico e técnico do HOB (Foto: Leandro Augusto Hamester)
Reunião aberta com a participação da imprensa, secretários municipais de Saúde, representantes de prefeituras, diretores da mantenedora ABOB, coordenadores setoriais, colaboradores, corpo clínico e técnico do HOB (Foto: Leandro Augusto Hamester)

No dia 1º de agosto, o Hospital Ouro Branco (HOB), de Teutônia, deu início as ações do Mês das Misericórdias, promovido em todo Estado pela Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul. Na oportunidade a casa de saúde teutoniense promoveu o Dia de Luto, com funcionários usando uma faixa preta sobre o uniforme em sinal de luto pela situação extremamente delicada vivida pelo HOB.

Além disso, na parte da manhã a instituição organizou reunião aberta com a participação da imprensa, secretários municipais de Saúde, representantes de prefeituras, diretores da mantenedora Associação Beneficente Ouro Branco (ABOB), coordenadores setoriais, colaboradores, corpo clínico e técnico do HOB. Na ocasião o diretor-executivo do hospital, André Lagemann, expôs a grave crise financeira da instituição e reafirmou a importância da Campanha Mãos Dadas com a Saúde. “Optamos por um protesto silencioso neste Dia de Luto para alertar a população quanto ao descaso dos governos estadual e federal com a Saúde e, consequentemente, com a população, que é diretamente afetada e a mais prejudicada com esta situação”, disse.

Causas e consequências
Lagemann falou de causas e consequências do desequilíbrio financeiro dos hospitais gaúchos. Entre os reflexos dessa situação, enumerou a crise permanente, endividamento crescente, pressão sobre orçamentos municipais, depreciação física e tecnológica, precarização das relações de trabalho, baixos salários e rotatividade, redução de leitos, fechamento de hospitais, incapacidade de respostas às necessidades da população, urgências e emergências superlotadas, imagem do segmento em constante risco e judicialização da saúde.

“O HOB tem mais de R$ 1,2 milhão a receber. Mantemos exames eletivos de mamografia, tomografia e densitometria óssea, além da Porta de Entrada (urgência e emergência), Saúde Mental e Ambulatório de Especialidades com cirurgias eletivas em quatro especialidades (otorrino, traumato, vascular e coloproctologia), atualmente suspensos. No ano de 2016 não recebemos valores de incentivos dos programas do Governo do Estado referentes às competências de fevereiro a maio. Paralelamente a isso, por conta da restrição de alguns serviços, o governo ainda nos aplica uma multa, que hoje corresponde a R$ 56 mil mensais. Além disso, ainda estamos sem receber recursos do Incentivo Hospitalar (IHOSP) desde janeiro de 2015, correspondentes a R$ 82,5 mil por mês, e outros R$ 85 mensais referentes a cirurgias contempladas pelo Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC), suspenso pelo Ministério da Saúde. Esse somatório acaba gerando uma situação extremamente delicada para o HOB, com uma perda mensal de R$ 223,5 mil”, lamenta Lagemann.

“Todos nós estamos sendo prejudicados com esta situação. Somente em cirurgias eletivas, foram suspensos 120 procedimentos, deixando de gerar qualidade de vida à população. Nos últimos dois meses atrasamos o pagamento de salário dos colaboradores e de honorários médicos. Não podemos silenciar. Tivemos muitas conquistas ao longo dos últimos anos, nos qualificamos em termos de infraestrutura e profissionais, e tudo isso tem um preço”, exemplificou.
Em se mantendo o atual cenário, o HOB pode deixar de ter a sua farmácia 24 horas, o Pronto Atendimento Médico e Ambulatorial 24 horas, corpo clínico com 35 profissionais, atendimentos de referência junto ao Estado, oito leitos de Saúde Mental, 153 cirurgias em seis especialidades e exames eletivos de imagem.

Ações e Mãos Dadas com a Saúde
O diretor-executivo também falou de ações desenvolvidas para enfrentar este momento de dificuldades, citando ação judicial contra a Secretaria Estadual da Saúde, busca por recursos emergenciais junto a prefeituras da microrregião, o requerimento pela Gestão Plena da Saúde em Teutônia e mobilização junto à comunidade por meio da Campanha Mãos Dadas com a Saúde.

“Reconhecemos todo o apoio nas inúmeras ações pontuais que a comunidade, empresas e entidades têm desenvolvido em prol do HOB, bem como todo o esforço das prefeituras, com pagamentos em dia e o aporte de recursos extras. Nunca antes tivemos uma adesão tão grande à causa do hospital. São recursos financeiros e gêneros alimentícios arrecadados durante diferentes ações voluntárias e beneficentes ao HOB, doações sempre bem-vindas, somos extremamente gratos por isso, mas são ações pontuais. O que estamos precisando é o auxílio com recurso permanente para mantermos as portas do HOB abertas 24 horas por dia. E a Campanha Mãos Dadas com a Saúde serve para isso”, reforçou Lagemann.

Atualmente, a iniciativa da Certel Energia, com a parceria das prefeituras de Teutônia, Westfália, Poço das Antas, Paverama, Imigrante e Boa Vista do Sul, arrecada mensalmente cerca de R$ 7,3 mil por meio das contas de energia elétrica de seus associados usuários em benefício do HOB.

Uma nova proposta da campanha prevê contribuição mínima mensal de R$ 10,00, com fôlder entregue nas residências dos consumidores de energia da cooperativa juntamente com a leitura de consumo ou, ainda, junto às prefeituras, lojas Certel, unidades do HOB, Farmácias Dospital, Postos de Coleta e Laboratório Ouro Branco. Além de contribuir com a manutenção das atividades do hospital teutoniense, os participantes ainda concorrem ao sorteio mensal de um vale-presente das Lojas Certel no valor de R$ 500.

“Precisamos que a comunidade, ao receber a sua conta de luz, olhe com carinho para a Campanha Mãos Dadas com a Saúde e faça esta contribuição mensal. Com certeza o hospital saberá retribuir este gesto de carinho da comunidade”, concluiu. O gerente de relações institucionais da Certel Energia e vice-presidente da mantenedora ABOB, Marco Aurélio Weber, igualmente ressaltou a importância das inúmeras ações voluntárias em benefício do hospital e dos diferenciais da Campanha Mãos Dadas com a Saúde. “É uma ação de continuidade, sem a incidência de impostos, em que 100% do valor arrecadado é revertido, integralmente, em benefício do Hospital Ouro Branco. Hoje, apenas cerca de 10% dos usuários de energia da Certel contribuem com a campanha. Buscamos incrementar esta participação, considerando que a união de esforços é essencial para superarmos as dificuldades”, finalizou.

O médico Humberto Alencar Oliveira da Costa, diretor técnico do HOB, se solidariza com a situação da casa de saúde. “Estou há 18 anos em Teutônia e nunca vi o Hospital Ouro Branco numa situação como esta. Por quanto tempo ainda poderemos manter o atendimento e a infraestrutura que disponibilizamos hoje à comunidade? O hospital está sobrecarregado e não conseguirá manter o elevado padrão de medicina que disponibiliza. Enfrentamos problemas diários no atendimento em saúde à população, e isso pode impactar em dificuldades de tratamento dos pacientes”, acrescentou.

Texto: Ascom Hospital