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Mais de 600 pessoas prestigiam programação que celebrou o Dia Estadual do Leite em Teutônia

Evento reuniu diferentes públicos ligados à cadeia produtiva do leite para palestras e painéis no Auditório Central do Colégio Teutônia (Foto: Leandro Augusto Hamester)
Evento reuniu diferentes públicos ligados à cadeia produtiva do leite para palestras e painéis no Auditório Central do Colégio Teutônia (Foto: Leandro Augusto Hamester)

Nos dias 21 e 22 de setembro ocorreu em Teutônia o Fórum Tecnológico do Leite – 10ª Edição e a Feira Agro-Comercial – 6ª Edição. Com o tema central “Eficiência nos sistemas de produção de leite”, o evento reuniu mais de 600 pessoas, entre produtores rurais, profissionais técnicos, lideranças e estudantes, bem como a comunidade em geral.

Com vasta programação, as atividades ocorreram no Colégio Teutônia e marcaram as comemorações pelo Dia Estadual do Leite em Teutônia. A data é celebrada anualmente na terceira quarta-feira do mês de setembro, enaltecendo a importância da bebida para a população e incentivando o consumo do alimento.

Qualidade

Falando em nome dos parceiros na organização do Fórum, o presidente da Cooperativa Languiru, Dirceu Bayer, reafirmou a importância do evento para a valorização da cadeia produtiva. “O Estado teve episódios que denegriram a imagem do leite gaúcho, mas com todo o controle e a fiscalização de hoje, podemos afirmar que o leite gaúcho é sim o melhor leite do país, de qualidade exemplar”, disse, citando o exemplo da cooperativa teutoniense, onde a matéria-prima passa por inúmeras análises no processo de industrialização, que atestam a segurança alimentar.

Bayer também destacou ações pontuais que podem contribuir com o incremento no consumo de leite per capita. “Há um grande trabalho pela frente. Os maiores desafios estão na importação desenfreada, no câmbio flutuante e questões sanitárias, ao mesmo tempo em que temos grandes oportunidade, alicerçadas na nossa agricultura familiar, com investimentos nas propriedades rurais”, frisou, enaltecendo também a importância da extensão rural e da assistência técnica no campo.

Produtividade

O secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Tarcísio Minetto, frisou a importância da cadeia do leite no Vale do Taquari, um dos maiores polos produtores do Estado. “Temos muitos desafios relacionados aos índices de produção, genética, qualidade e formação da renda dos agricultores, mas também temos a certeza de que com foco, todos juntos vamos vencer. O Fórum Tecnológico do Leite contribui nesta caminhada para todos os elos da cadeia, fundamentalmente o pequeno agricultor familiar”, afirmou.

Importância econômica, nutritiva e social

O diretor técnico da Emater/RS, Lino Moura, falou da importância econômica, nutritiva e social do leite. “A agricultura precisa de indicadores para avaliar a atividade produtiva nas propriedades, e isso passa essencialmente pela gestão. De posse desses dados, também é possível motivar os jovens para que permaneçam no campo, mostrando que a atividade leiteira pode ser rentável. O agricultor só permanece no meio rural se for feliz lá”, disse.

Desenvolvimento

O diretor do Colégio Teutônia, Jonas Rückert, lembrou o envolvimento do educandário na formação de mão de obra qualificada também para o campo, com os cursos técnicos da Educação Profissional. “As parcerias permitem a promoção de diferentes iniciativas que propiciam o desenvolvimento do setor leiteiro no Vale do Taquari e no Estado, desenvolvimento esse que ocorre com a difusão do conhecimento, com a leitura de novas tendências, com novas possibilidades e a identificação de cenários. Esse é um dos desafios do Fórum, com foco no produtor rural, sua qualidade de vida e sustento, responsável por colocar em nossas mesas um dos produtos mais importantes da cadeia alimentar, que é o leite”, mencionou.

Painel sobre qualidade do leite, cenário e ações governamentais

O primeiro painel do Fórum destacou qualidade do leite, cenário e ações governamentais. Com mediação do professor e extensionista da Emater, Diego Barden dos Santos, o tema foi abordado pelo presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat/RS), Alexandre Guerra; pelo secretário geral da Fetag/RS, Pedrinho Signor; e pelo assistente técnico estadual em Bovinocultura de Leite da Emater/RS-Ascar, Jaime Ries.

“Ainda somos um país importador de lácteos e para mudarmos este cenário, para vendermos mais, precisamos ser altamente competitivos. Embora o Rio Grande do Sul tenha crescido 101% em volume de produção nos últimos dez anos, com as cooperativas fazendo o seu papel neste contexto, ainda precisamos evoluir em termos de eficiência produtiva e incentivar o consumo”, frisou Guerra, acrescentando que nesse contexto as indústrias têm papel essencial ao oferecer ao mercado consumidor novos produtos lácteos, com a agregação de valor. “Cada um deve fazer a sua parte. Precisamos crescer, com sustentabilidade da cadeia.”

Signor acrescentou que o leite é responsável pelo sustento de muitas famílias em inúmeros municípios gaúchos, ao mesmo tempo em que é uma das principais atividades produtivas responsáveis pela sucessão rural. “A legislação vem regulamentar ‘da porteira para fora e para dentro’, precisamos novamente nos adaptar para não sermos excluídos. A fiscalização deve ser séria e há pontos positivos nisso. Mais do que quantidade, a qualidade deve estar em primeiro lugar. Um dos melhores lugares para viver é o campo, mas o agricultor precisa ter renda para isso.”

Ries mencionou a necessidade de investimentos no campo. “Temos um modelo de produção de sucesso, baseado na agricultura familiar, com muitos produtores, mas precisamos seguir investindo em infraestrutura. Um grande gargalo em termos de qualidade do leite está baseado no fato de que apenas 38% das propriedades gaúchas conta com sistema de aquecimento da água para higienização dos equipamentos de ordenha, o que interfere na qualidade do produto. Num Estado que depende de exportar cerca da metade do volume que produz, isso é muito prejudicial. Nos falta uma visão de cadeia, de cooperação do produtor e da indústria.”

Palestra sobre forrageiras

Com mediação do coordenador do Setor de Leite do Departamento Técnico da Cooperativa Languiru, Fernando Staggemeier, a palestra sobre “Forrageiras para integração lavoura-pecuária” foi proferida pelo professor e pesquisador da Embrapa Trigo e Universidade de Passo Fundo, Renato Serena Fontaneli.

“Muitas vezes desafiamos o produtor para saber até onde ele quer ir, suas metas, sem ajudar para que ele alcance e supere esses desafios. Com o aumento da população mundial, precisamos aumentar a produção de alimentos, mas não estamos sendo efetivos, oportunizando para que o agricultor seja um profissional do leite. É preciso compreender os ciclos produtivos e nisso se inclui aumentar a eficiência do plano forrageiro. Economizar não é não gastar, é ser efetivo”, sugeriu.

Entre outras considerações, Fontaneli afirmou que profissionais técnicos e produtores devem ser excelentes gestores. “Com assistência técnica são possíveis boas pastagens durante o ano todo, e quanto mais forrageiras de boa qualidade na dieta, menor será o custo de produção. Não existe uma receita, varia de propriedade para propriedade em função dos recursos humanos e materiais”, concluiu.

Relato de experiências

Na tarde de quinta-feira ainda ocorreu o painel “Sistemas de produção – relato de experiências”, com a participação de três associados da Cooperativa Languiru que apresentaram as vantagens e detalhes dos sistemas a base de pasto, Free Stall (galpão de confinamento de animais em sistema de baia/cama individual) e Compost Barn (galpão de confinamento de animais em sistema de cama coletiva).

Com a mediação do pesquisador e consultor Lucildo Ahlert, contribuíram com depoimentos os produtores Élio Post e Élia Schossler, de Nova Westfália, município de Fazenda Vilanova; Diego Dickel, de Linha Gamela, município de Teutônia; e Fábio Secchi e Simone Broenstrup Secchi, de Linha Catarina, Teutônia.

“Para crescer, mudar, precisamos de conhecimento, além de agregar este conhecimento à propriedade rural. Precisamos de pessoas que não são agricultores por obrigação, mas por vocação e vontade própria”, avaliou Ahlert.

“Hoje tenho qualidade de vida, sou uma pessoa mais feliz, mais tranquila. Eu amo o que faço. Para chegar até isso procuramos e contamos com o apoio da assistência técnica da Languiru e da Emater, além de participarmos de diversos cursos. Mesmo assim, ainda temos muito a melhorar e não vamos parar por aqui”, frisou Élia.

“O controle financeiro e de custos na propriedade rural é fundamental. Almejo crescer no futuro, mas sempre priorizando a qualidade da produção. Para isso, vou seguir buscando por novas tecnologias acessíveis e possíveis de serem implementadas na propriedade, aprimorando a qualidade dos alimentos e a produção de leite”, revelou Dickel.

“Nossa família tem um sonho, depois de persistir em momentos de dificuldade. Desejamos que o produtor de leite seja valorizado, seu trabalho precisa ser reconhecido. Não podemos perder a esperança por dias melhores, com a valorização do empenho dos produtores de leite e da qualidade de matéria-prima alcançada”, afirmou Secchi.

Escolinha do Leite

A Escolinha do Leite, coordenada pela Cooperativa Languiru e pelo Colégio Teutônia, contou com a participação de cerca de 1,5 mil estudantes, entre 05 e 10 anos de idade, de escolas da rede pública e privada de Teutônia e municípios vizinhos.

“Esse público passou a fazer parte do Fórum em 2015, num espaço para conhecer e vivenciar as diferentes etapas da cadeia produtiva do leite, desde o campo, passando pela indústria até os pontos de venda, incentivando o consumo do produto e seus derivados”, explica o gerente da Indústria de Laticínios da Languiru, Lauri Reinheimer.

“A Escolinha do Leite propõe o envolvimento direto do Fórum na conscientização do consumidor final sobre a importância do consumo de leite, um alimento saudável e nutritivo. Tudo isso abordado de forma lúdica e didática, num circuito temático”, destaca a coordenadora da Educação Profissional do CT, Maria de Fátima Fuzer da Silva.

Feira e leite em metro

A programação ainda contou com Feira Agro-Comercial e Estações Temáticas com a participação de empresas parceiras do evento, disponibilizadas na estrutura interna do CT, o tradicional concurso de Leite em Metro e o sorteio de brindes. Ainda houve espaço destinado a agroindústrias familiares com produção de queijo, conservas, embutidos, pães e ovos.

O Fórum Tecnológico do Leite – 10ª Edição e a Feira Agro-Comercial – 6ª Edição foram uma realização do Colégio Teutônia, com o patrocínio das cooperativas Languiru, Certel e Sicredi, Nutrifarma/Nuscience, Du Pont/Pioneer e Prefeitura de Teutônia, com apoio de Emater/RS-Ascar, Governo do Estado do Rio Grande do Sul – Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Fetag-RS, Associação dos Engenheiros Agrônomos do Vale do Taquari (ASEAT), Regional Sindical Vale do Taquari e Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA).

Texto: Ascom Colégio Teutônia