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“MAMITE – Realidade presente na bovinocultura leiteira” – por Higor Barcelos

Higor Barcelos (Foto: Divulgação)
Higor Barcelos (Foto: Divulgação)

A mamite ou mastite é a inflamação da glândula mamária causada pelos mais diversos agentes. A higiene é fundamental na prevenção e controle da mamite, sendo uma doença de manejo. Para se fazer uma prevenção adequada, é preciso considerar todo o manejo da propriedade.

É considerada uma das principais doenças da vaca leiteira, causando uma diminuição de 3% e 50% da produção potencial de leite. Provoca também, alterações indesejáveis na composição e na qualidade do produto, além de possíveis riscos à saúde pública.

A ordenha mal conduzida é um dos grandes causadores de mamite. Na ordenha mecânica os equipamentos devem ser manejados como recomendado pelos fabricantes.

As trocas de peças e borrachas têm que ser realizadas dentro do prazo recomendado. O nível de vácuo deve ser adequado, pois, tanto o excesso quanto a falta, são fatores que predispõem o aparecimento de mamite. A maioria dos equipamentos tem problemas de funcionamento (regulagem) e a limpeza diária deixa muito a desejar. Quanto ao agente causador, a mamite pode ser classificada como contagiosa ou ambiental.

Existem vários testes que podem auxiliar no diagnóstico da mamite. O “CMT” (California Mastitis Test) é um teste realizado semanalmente no momento da ordenha por pessoa treinada. A contagem de células somáticas “CCS” é outro exame que é usado para diagnóstico da mamite, o qual é feito em laboratório. Essas duas técnicas são utilizadas para diagnosticar a mamite subclínica, que ocorre com frequência nos rebanhos e que não podemos enxergar a olho nu e podem ser precursora da mamite clínica.

A mamite clínica pode ser vista a olho nu, usando os primeiros jatos de leite em uma caneca telada ou de fundo escuro. No caso da mamite clínica há um depósito de leucócitos no canal da teta, formando grumos que é visualizado no fundo escuro da caneca. Este teste deve ser feito em todas as ordenhas.

Para um controle adequado da mamite, devemos usar a linha de ordenha onde primeiramente são ordenhadas as vacas sadias, depois as que já tiveram mamite e foram curadas e no final aquelas que estão com mamite e em tratamento. Lembrando sempre da importância da limpeza e desinfecção das mãos de ordenhador e do úbere da vaca, pré e pós ordenha (pré e pós dipping).

Contudo, o tratamento das vacas com mamite varia de acordo com o caso apresentado. As alelopatias são as mais usadas, porém as plantas medicinais de uso tradicional/popular tem apresentado intensa atividade antimicrobiana (antisséptica/desinfetante) em mamite bovina, mostrando-se ser uma importante opção à pecuária leiteira nos moldes da agricultura familiar do sul do Brasil.

Téc. Agr. Higor Barcelos

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