RS RSS Eventos Teutônia

“O professor é tão importante quanto um médico, porque ele salva vidas com seu entusiasmo”

Humor e reflexão marcaram a palestra de Shinyashiki (Foto: Larissa Santos/Divulgação)

Humor, emoção e reflexão marcaram a formação continuada oferecida aos profissionais da Educação de Teutônia na última quarta-feira (22), na Associação Pró-Desenvolvimento do Bairro Languiru. Na oportunidade, houve palestra com consultor organizacional, escritor, conferencista nacional e internacional, especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional, educacional e pessoal e em neurocoaching Eduardo Shinyashiki.

O palestrante enfocou a temática “Abrace sua missão – vença desafios, construa o futuro”, evidenciando o importante papel do professor na formação de seus alunos. Com humor, Shinyashiki levou todos os profissionais a refletirem sobre a sua missão e sobre quais os desafios que precisam ser superados para a construção do futuro. “Quando olhamos para o mercado de trabalho, nós vamos ver quem são as pessoas que criaram o seu futuro. São pessoas que, de alguma forma, tiveram uma formação. Mas, dentro dessa formação, elas tinham confiança de ousar, de se posicionar, são pessoas que se deram valor, que aprenderam a se dar valor ao longo da sua vida”, sublinhou.

Shinyashiki também ressaltou que o professor precisa estar estimulado para desenvolver, com competência e entusiasmo, sua função. “Precisamos olhar, acolher e fortalecer o professor, investir nele. Quando essas pessoas estiverem estimuladas, a extensão se dará dentro da sala de aula”, colocou. Ele ainda acrescentou que o professor não lida somente com conteúdo. “Precisamos ter presente que não lidamos, somente, com conhecimento, com conteúdo, mas, sim, lidamos com destinos, com vida”, frisou.

O palestrante fez questão de deixar claro o quão importante é o professor. “Um professor presente é um professor que está feliz e comprometido com o destino e a vida de seus alunos, é capaz de criar um futuro, um contínuo desejo de viver intensamente a capacidade de realizar. O professor é tão importante quanto um médico, porque ele salva vidas com seu entusiasmo. Aliás, entusiasmo é uma palavra tão poderosa. Vem do grego e significa sopro interior de Deus. Manter o entusiasmo é um sopro de Deus dentro das crianças”, enalteceu.

Para o secretário de Educação de Teutônia, Paulo Brust, oferecer momentos como a palestra de Eduardo Shinyashiki é de extrema importância. “Muitas vezes nos questionamos sobre a importância do nosso papel de professor. E quando temos a oportunidade de ouvir um palestrante tão renomado como Eduardo Shinyashiki, que nos traz palavras de estímulo e diz que, com entusiasmo, damos um sopro de Deus dentro das crianças, nos faz ver que não há nada mais gratificante do que ser professor”, ressaltou.

O público foi recepcionado ao som da Orquestra Jovem de Teutônia, que também executou o Hino Nacional. O conjunto é regido por William Bayer e integra os Núcleos de Cultura oferecidos pela Secretaria de Juventude, Cultura, Esporte e Lazer do município.

BATE-PAPO COM EDUARDO SHINYASHIKI

> Na visão do senhor, quais são os desafios da educação?

Eduardo Shinyashiki – Hoje, quando falamos dos grandes desafios que nós temos dentro da educação, nós falamos das competências sócio-emocionais. Às vezes nos questionamos o que sonhamos. Se perguntarmos para os pais o que eles sonham, eles responderão ‘que o filho tenha um futuro’. Então, nos perguntamos o que permite a pessoa ter um futuro, ela ter conhecimento, ter frequentado uma boa escola, uma boa faculdade. Quando olhamos para o mercado de trabalho, nós vamos ver quem são as pessoas que criaram o seu futuro. São pessoas que, de alguma forma, tiveram uma formação. Mas, dentro dessa formação, elas tinham confiança de ousar, de se posicionar, são pessoas que se deram valor, que aprenderam a se dar valor ao longo da sua vida. São pessoas que desenvolveram uma capacidade de se comunicar, de se relacionar, de interagir, de envolver pessoas, que souberam desenvolver novas estratégias em função das mudanças de cenário. Observamos que as pessoas que estão na ponta, que são referência, parecem que se adaptaram, buscaram conhecimento, estão sempre criando um olhar para os novos horizontes. São pessoas que, de alguma forma, têm iniciativa, são criativas. Nós olhamos para a educação e a gente se pergunta: é isso que estamos ensinando dentro da sala de aula? Uma pergunta que faço aos professores: o que você sonha para o seu filho? É neste momento que começamos a perceber que, tão importante quanto conteúdo, é poder oferecer uma experiência significativa, que faça essa criança ter um desenvolvimento de conhecimento, de confiança, de estima, de valores e também uma capacidade de ela ter voz, de comunicar, de interagir. Daí a importância de ampliarmos nosso olhar dentro da educação. De que não tenhamos somente a ideia de que de ir lá e passar o conteúdo. O conteúdo não vai mudar a vida de ninguém. Se você pegar uma criança tímida e ela crescer tímida e ela se tornar um adulto tímido, ela vai ter muito mais desafios na vida dela, mesmo que ela tenha grandes conteúdos, porque ela vai ter receio de transformar este conhecimento em uma experiência significativa de sucesso.

> Neste momento entra muito o papel do professor, do educador motivar estas crianças. Mas o professor também precisa estar motivado, certo?

Eduardo Shinyashiki – Exatamente! É muito importante que nós possamos também olhar para o professor. Se fala muito do conteúdo, do currículo, do que se oferece para a criança. Às vezes, acaba se negligenciando um pouco o professor, o educador. Às vezes oferecemos a ele mais do mesmo. Sim, tem capacitações, mas, às vezes o professor está precisando de mais ferramentas, de mais recursos para se sentir mais fortalecido na sua vida, para lidar com os desafios que ele enfrenta no seu dia a dia. O professor que está em conflito na sua vida entra na sala de aula em conflito. Ele vai se tornar uma fonte de conflitos. Uma sala de aula sem recursos, sem tecnologia, é mais um desafio para uma pessoa que já está em conflito. Por isso, é muito importante que nós possamos olhar para o educador não como um vilão e sim como um profissional que, em algum momento, está sem recursos para lidar com seus desafios pessoais. Neste momento é importante que possamos ajudá-lo a se fortalecer enquanto pessoa, não somente em termos de competência técnica. Muitas vezes, falamos que não estamos gostando do nosso trabalho. Não é o trabalho. Às vezes a minha vida está chata, não está sendo uma fonte de realização, estou em conflito comigo mesmo e com as pessoas ao redor. Aquilo que está acontecendo com minha fora do meu trabalho vai afetar diretamente aquilo que estou fazendo dentro do meu trabalho. Então, às vezes não é que o trabalho está chato. É a vida que está chata. Precisamos ajudar os nossos educadores a ter uma vida feliz, realizada. E isso não se aplica somente ao educador, mas, sim, com todos os profissionais. Nenhum índice aumenta por causa de tecnologia. Os índices só aumentam por causa das pessoas. Precisamos olhar, acolher e fortalecer o professor, investir nele. Quando essas pessoas estiverem estimuladas, a extensão se dará dentro da sala de aula.

> Hoje em dia, o professor assumem funções que competem às famílias. Como o senhor enxerga isso?

Eduardo Shinyashiki – A realidade que a gente vive hoje é que não se tem mais os núcleos familiares. O pai e a mãe trabalham para compor a renda. Para compor uma renda de uma família, pai e mãe estão fora. Os avós estão trabalhando também e não conseguem cuidar das crianças. Estamos começando a ter uma comunidade que vai ter muito mais atividades profissionais do que estar em casa. Não é que isso é melhor ou pior. A gente precisa olhar isso de forma muito real e concreta: o que está acontecendo com a nossa sociedade? Quando o pai e a mãe tem que sair de casa para manter um padrão de vida, eles veem na escola a concretização de sonhos para seus filhos. Talvez não é porque eles querem delegar, é porque é a forma mais segura de com que deixamos nossos filhos. Os professores, lógico, estão recebendo uma carga maior. Tem crianças que veem mais o professor do que os pais. Isso acontece em Teutônia e em todas as cidades do mundo. Quando observamos isso, começamos a perceber que o professor acaba sendo a referência de valores, de comportamento, pois é a pessoa que está mais próxima das crianças. Isso, muitas vezes, não ocorre por abandono, mas por uma questão econômica.

> Voltando à questão da motivação dos professores, que mensagem o senhor deixaria aos profissionais da educação?

Eduardo Shinyashiki – Todos nós, em algum momento, precisamos ter presente que não lidamos, somente, com conhecimento, com conteúdo, mas, sim, lidamos com destinos, com vida. O erro médico mata um paciente. A negligência de um educador mata um pouquinho a cada dia uma criança e um jovem pelo resto de sua vida. Um professor presente é um professor que está feliz e comprometido com o destino e a vida de seus alunos, é capaz de criar um futuro, um contínuo desejo de viver intensamente a capacidade de realizar. Um professor que negligencia, que não está presente faz com que a criança perca a disposição de gerar futuro, de não acreditar, de não confiar. Por isso, é muito importante termos esta compreensão de que todos os dias lidamos com vida. O professor é tão importante quanto um médico, porque ele salva vidas com seu entusiasmo. Aliás, entusiasmo é uma palavra tão poderosa. Vem do grego e significa sopro interior de Deus. Manter o entusiasmo é um sopro de Deus dentro das crianças. Essa capacidade de dizer ‘eu posso’ nasce todos os dias num olhar, num toque, num estímulo, numa presença. Somos capazes de produzir isso todos os dias quando estamos de bem com nós mesmos. Que todos os dias, o educador esteja de bem com ele mesmo.

Texto: Ascom Teutônia