Artigos - Desenvolvimento Rural

O trabalho de segurança e soberania alimentar na extensão rural – por Tatiane Turatti

Tatiane Turatti (Foto: Arquivo Pessoal)

A segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o atendimento de outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

Dados do IBGE (2010) mostram que 65,6 milhões de pessoas (34,2% da população) estão em situação de insegurança alimentar (IA) no país. Dessa população, a prevalência de IA na área rural é superior à urbana, com os percentuais de 40,2% e 33%, respectivamente.

As famílias assistidas carecem  de orientações, informações e estímulo para adotarem práticas de cultivo e hábitos alimentares mais saudáveis. Os hábitos, muitas vezes influenciados pela mídia e pelas facilidades dos “fast food” estão invadindo até mesmo a área rural, produtora de alimentos, onde as famílias cultivam cada vez menos para o consumo da família, adquirindo alimentos processados e ultra processados, reduzindo o aporte nutricional e aumentando os gastos com alimentação.

A atuação da extensão rural no desenvolvimento desse trabalho está alicerçada em quatro eixos:

  1. a) acesso aos alimentos: abordar as ações que envolvem desde o planejamento do plantio dos alimentos até a chegada à mesa dos consumidores. Baseando-se na produção de alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, incluindo a produção para autoconsumo, comercialização em feiras e mercados institucionais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), resgatando e preservando a biodiversidade;
  2. b) educação alimentar: trabalhar a alimentação com a população, orientando

sobre alimentação saudável e sustentável, aproveitamento integral dos alimentos, diversidade alimentar, economia, sanidade e acessibilidade, sempre respeitando a cultura local;

  1. c) cidadania alimentar: estimular o resgate e a qualificação da cultura alimentar. A cidadania alimentar significa ter condições de escolher o que comer, como, quanto, quando e onde comer.
  2. d) qualidade dos alimentos: estimular a produção sustentável de alimentos com qualidade e livre de contaminantes físicos, químicos, biológicos e de organismos geneticamente modificados, buscando melhorias no processo produtivo, incluindo manejo adequado, e ampliando sua comercialização.

Assim, essa área visa promover a produção de alimentos com base nos princípios da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional e do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), mediante processos de ATER (Assistência Técnica e Extensão Rura), além de identificar, propor, planejar, monitorar e executar ações, que vão desde a produção da matéria-prima até o consumidor final.

Fontes:

  1. Guia prático das ações sociais da Emater/RS-Ascar /Coordenado [por] Regina da Silva Miranda –

Tatiane Turatti: Extensionista Social – Nutricionista
Escritório Municipal da Emater/RS – ASCAR Encantado