Artigos - Desenvolvimento Rural

“O vinho nosso de cada dia” – por Eduardo Mariotti Gonçalves

Eduardo (Foto: Divulgação)

No artigo de hoje vamos falar um pouco sobre o vinho, uma bebida bastante apreciada especialmente na estação fria no Rio Grande do Sul. Entender um pouco sobre o mercado de consumo interno e importação e ainda fazer uma breve apresentação das principais variedades de uvas destinadas a elaboração de vinho no estado gaúcho.

De acordo com uma pesquisa de mercado realizada em 2017 (Wine Intelligence), o consumo per capita de vinhos no Brasil gira em torno de 2,7 litros/ano, enquanto no Rio Grande do Sul a média sobe para em torno de 9 litros/ano. Já na Serra Gaúcha estima-se cerca de 20 litros/ano, consumo que se aproxima da média do Chile, maior exportador de vinhos para o mercado interno, cujo consumo per capita é de 21 litros/ano.

No Rio Grande do Sul destacam-se especialmente duas grandes regiões produtoras: a Serra Gaúcha, região da Uva e Vinho, com tradição no cultivo da parreira e variedades americanas, destinadas para elaboração de sucos e vinhos de mesa, e mais recentemente, a Região da Campanha (Sul do Rio Grande do Sul), em que nos últimos 20 anos houve expansão no cultivo predominantemente de uvas viníferas.

Antes de adentrar na particularidade das variedades é necessário distinguir as uvas cultivadas em dois grandes grupos: americanas e viníferas. As uvas americanas são variedades derivadas da espécie Vitis labrusca (onde também estão agrupadas as uvas híbridas), entre as representantes destas variedades podemos citar as variedades Bordô, Isabel, Niágara branca e rosa: são uvas destinadas a elaboração de vinhos de mesa, sucos e também para o consumo in natura. Já as variedades viníferas, também chamadas de europeias, são derivadas da espécie Vitis vinífera sendo variedades destinadas a elaboração de vinhos finos também chamados de vinhos tranquilos ou para elaboração de espumantes. Como representantes deste grupo podemos citar as variedades tintas Cabernet sauvignon, Merlot, Tannat e as brancas Chardonnay e Riesling itálico.

Dados de 2018, do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), indicam que o processamento de uvas viníferas representa apenas 10% do mercado brasileiro. Desse total, cerca de 15,6 milhões de litros, aproximadamente 90% são vinhos tintos. Dentre os vinhos importados, que representam 25% do mercado interno, o Chile lidera com cerca de 40 milhões de litros seguido da Argentina com cerca de 13 milhões de litros. Quanto a comercialização, o principal canal de compras são redes de supermercados, lojas especializadas e compras pela internet.

Sobre as variedades produzidas:

Vitis labrusca – Americanas

Bordô é originária de Ohio, E.U.A. Produz mosto tintório para cortes, (boa cor e alta acidez). Principal uso pela indústria de sucos e vinhos de mesa.

Isabel é originária da Carolina do Sul, E.U.A. É a uva mais cultivada no país, dela se elaborando todo o tipo de produto enológico, incluindo sucos. Serve também como uva de mesa.

Niágara Branca: origem em Nova Iorque, E.U.A. Produz mosto aromático. Também serve como uva de mesa, pois tem bagas grandes de sabor e aromas de framboesa e doce.

Vitis vinífera – Europeias

Cabernet Sauvignon: Variedade originária de Bordeaux, França, de película tinta e sabor herbáceo. Produz vinho tinto, varietal fino, de longo envelhecimento. É uma das viníferas mais disseminadas no mundo, produzindo vinho de qualidade em diversos países.

Merlot: originária de Bordeaux, França. De película tinta e sabor herbáceo. Produz vinho tinto, varietal fino, de médio envelhecimento. Uva de excelente adaptação às condições de solo e clima do sul do Brasil.

Tannat: originária da região de Madiran, no sul da França, onde está sua maior área de cultivo. Também é importante no Uruguai, onde é a principal vinífera tinta cultivada. É um vinho bastante adstringente (pela alta concentração de taninos), necessitando de envelhecimento.

Chardonnay: originária da Borgonha, França. De película branca e aromática. Produz vinho branco, varietal fino, frutado, de médio envelhecimento ou espumante, de características notáveis. É cultivada com sucesso em praticamente todo o mundo, do Brasil à Nova Zelândia, sendo uma das principais variedades utilizadas na produção de espumante.

Riesling itálico: originária da Europa Centro-oriental. De película branca e sabor simples. Produz vinho branco, varietal fino, frutado, de consumo breve. Muito usado para espumantes. É vinífera branca mais cultivada, sendo empregada em vários tipos de produtos enológicos.

Ademais gostaríamos de lembrar que dia 17 de maio é comemorado o dia do vinho brasileiro. A programação completa que se estende durante os dias 17 de maio à 02 de junho encontra-se disponível no site www.diadovinhobrasileiro.com.br.

No site acima é possível consultar a programação por local (Ex: Garibaldi/Região Uva e Vinho) e ainda consultar as vinícolas com produtos em promoção com descontos que podem chegar a 50%. Para os apreciadores da bebida, uma excelente oportunidade para conhecer mais sobre a bebida e ideal para abastecer a adega.

Boa semana! Um brinde à saúde e ao vinho!

 

 

Referências: Instituto Brasileiro do Vinho, Viveiros Sinigaglia e Dia do Vinho Brasileiro 2019.

Eduardo Mariotti Gonçalves
Engenheiro Agrônomo, Emater RS/Ascar