Cultura Lajeado

Oficina de boneca Abayomi na Casa de Cultura valoriza a cultura africana

Na tarde desta quarta-feira, 20/03, mulheres de todas as idades participaram da Oficina de Abayomi na Casa de Cultura. Integrando a programação do Mês da Mulher, o evento foi realizado pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) Espaço de Cidadania e Espaço de Todos Nós, setores vinculados à Secretaria do Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sthas) da Prefeitura de Lajeado. O prefeito Marcelo Caumo e a vice-prefeita Gláucia Schumacher prestigiaram a oficina e também, aproveitaram para conferir a Exposição Maria Maria, que ficará na Casa de Cultura até o dia 29/03. Na oficina, foram confeccionadas cerca de 50 bonecas.

A oficina foi ministrada por integrantes do quilombo do bairro Morro 25 e usuárias dos CRAS. Durante a tarde, as participantes aprenderam a confeccionar as bonecas Abayomi apenas remendando, dobrando, cortando e fazendo nós em retalhos. Cada oficineira criou sua própria boneca.

Além disso, foi um momento para debater sobre as bonecas como símbolos de resistência, elemento de afirmação das raízes da cultura brasileira e também do poder e determinação das mulheres negras.

Eliege Pretto, 53 anos, foi uma das participantes da oficina. “Já participo do grupo terapêutico do Posto de Saúde do Centro. Como hoje a aula foi cancelada, fomos convidadas para vir pra cá, e é uma maneira de ocupar a mente”, conta Eliege.

Saiba mais sobre a história das bonecas Abayomi:

Para acalentar seus filhos durante as terríveis viagens a bordo dos tumbeiros – navio de pequeno porte que realizava o transporte de escravos entre África e Brasil – as mães africanas rasgavam retalhos de suas saias e a partir deles criavam pequenas bonecas, feitas de pano, que serviam como amuleto de proteção.

As bonecas, símbolo de resistência, ficaram conhecidas como Abayomi, termo que significa “Encontro precioso”, em Iorubá, uma das maiores etnias do continente africano cuja população habita parte da Nigéria, Benin, Togo e Costa do Marfim. Sem costura alguma (apenas nós ou tranças de tecidos como o algodão) não possuem demarcações, o que favorece o reconhecimento das múltimas etnias africanas.

 

Texto e fotos: Pietra Darde
Assessoria de Imprensa Lajeado