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Oficina sobre Imigração reúne 200 pessoas

A I Oficina de Fluxo Migratório, Acolhida e Integração contou com 200 pessoas Crédito: Renata Lea
A primeira Oficina de Fluxo Migratório, Acolhida e Integração contou com 200 pessoas (Foto: Renata Leal)

Muitas questões foram esclarecidas na I Oficina de Fluxo Migratório, Acolhida e Integração realizada pelo Grupo de Diaconia da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Lajeado. O evento foi realizado no sábado (27) no Centro Comunitário Evangélico e contou com a presença de cerca de 200 pessoas. Os imigrantes puderam ter um melhor entendimento sobre as causas dos fluxos migratórios mundiais e os desafios para os países que acolhem imigrantes. A Oficina teve início 8h30min e ao meio dia foi servido um almoço típico, preparado pelos imigrantes. No turno da tarde o evento teve continuação com palestras e questionamentos.

Para o Pastor Luis Henrique Sievers, foi importante conhecer a cultura, saber os motivos pelos quais eles se encontram na região, as dificuldades e como manter um relacionamento, aprendendo uns com os outros. O encontro buscou contribuir para a compreensão da situação dos imigrantes na região, vencer preconceitos e proporcionar crescimento mútuo. “Queríamos diminuir as distâncias entre as pessoas e que os imigrantes superem o isolamento, dessa forma mostramos interesse e prestamos solidariedade em momentos difíceis”.

A maioria do público foi composto por imigrantes. Segundo o Pastor Luis a presença de brasileiros deveria ter sido mais incentivada, pois é necessário conhecer melhor os imigrantes. “Acredito que os haitianos e senegaleses puderam saber mais dos seus direitos, mas também dos seus deveres. Nós como brasileiros e membros de comunidade nem sabíamos sobre a vida deles e o encontro serviu para nos aproximarmos.“ Conforme Sievers no antigo testamento já se dizia para não esquecer os pobres, órfãos, viúvas e estrangeiros. “E dizia que nós também já fomos estrangeiros e sabemos como é dificil viver em terras estranhas, por isso temos que saber lidar e amar o estrangeiro”, diz. Segundo o Pastor hoje os brasileiros acolhem e amanhã podem ser acolhidos ou abrigados.

O coordenador dos imigrantes Renel Simon gostou muito do encontro e afirma que todos sairam com muitas dúvidas esclarecidas. “Aprendemos muito. Compartilharam coisas que não sabíamos. A ideia é que possamos ter mais encontros como esse”. Simon conta que no atual momento uma das maiores dificuldades para os imigrantes é o desemprego. “Me sinto muito mal vendo eles sem emprego. Meu maior desejo é que consigam ajudar a si mesmos e seus familiares”, diz.

Causas, consequências e desafios

A secretária geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) pastora Romi Márcia Bencke (IECLB), de Brasília falou sobre “Causas, consequências e desafios dos fluxos migratórios mundiais”. A pastora se ateve a dois artigos da Revista Internacional de Direitos Humanos que teve um número especial sobre imigração. Para Romi é muito bom receber a diversidade de imigrantes, ter contato com a riqueza cultural e poder conhecer países, hábitos e culturas. “Mas sinto-me triste em saber que existem pessoas sendo desalojadas, expulsas de suas casas por causa de grandes conflitos ambientais. De repente são jogadas no mundo e obrigadas a recomeçar a vida numa terra distante da cultura e realidade deles”, diz a pastora.

Desafios da acolhida

Para falar dos “Desafios da acolhida de imigrantes e refugiados pelas populações dos países solidários”, o assessor de direitos e diaconia da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), de São Leopoldo/RS Rogério Aguiar discutiu como as comunidades religiosas estão frente a esse fluxo de migração atual no Brasil. Aguiar destacou como comunidades podem se preparar para deselvover trabalhos com imigrantes e refugiados. “Queremos ajudar as comunidades a buscar parcerias em organizações não-governamenais ou governamentais que possam auxiliar nesse trabalho. A ideia é criar uma rede de apoio entre as organizações da sociedade civil que compõe rede de assistência do município, do estado, ou a nível federal”.

Aguiar conta que a FLD fomenta a discussão dentro das comunidades e cita que tem editais abertos para apoio de iniciativas da sociedade civil para imigrantes e refugiados no Brasil. “Queremos capacitar os trabalhos feitos nas comunidades para que sejam trabalhos de empoderamento desses imigrantes, que possam constituir cooperativas e ações como tem acontecido em Lajeado”, diz.

Direitos e deveres

O advogado Alexandre Scherer Neto palestrou sobre os “Direitos e deveres de imigrantes e refugiados” perante a legislação brasileira. Conforme ele o governo aceita que os imigrantes venham para o Brasil mas não proporciona as condições adequadas. “Os nossos antepassados que vinham para cá antigamente tinham natureza que podia proporcionar algo, ou seja, sobreviviam com recursos naturais. Os que vem hoje já estão inseridos no sistema industrializado mais desenvolvimentista com necessidades que vão além da situação de luz e água porque existe a necessidade do transporte e de comprar ou adquirir bens, sem contar no principal que é a alimentação“, diz.

O advogado também falou sobre o documento feito para os imigrantes, confessando que sente vergonha em ser brasileiro ao ver o registro impresso em papel de xerox. “Não sei se foi falta de recursos do governo ou descaso. Todos precisam tratá-los melhor. Sabemos que o povo brasileiro também está enfrentando carências devido a esse momento de crise, por isso esse encontro deve passar uma outra visão.“ Conforme Neto, os brasileiros também se sentem desassistidos pelo governo e o que deve-se perceber é que os imigrantes não querem tirar nada do país, mas contribuir dentro de uma nova terra. “Precisam de pessoas que os acolham e que os tratem com respeito como todo o ser humano merece ter“.

Texto: Ascom IECLB