Artigos - Saúde e Prevenção

“Os perigos do Omeprazol” – por Gabriela Tonini Bertoldi

Marisa, Cristiane e Gabriela
Marisa, Cristiane e Gabriela

Ao que parece, o mundo todo sofre mesmo é do estômago, o Omeprazol foi um medicamento que apareceu como uma autêntica revolução no tratamento de inúmeros males que atingem o órgão. No entanto, seu uso prolongado (cerca de dois anos) pode provocar demência, de acordo com um artigo publicado por um dos mais respeitados jornais médicos, o Journal of the American Medical Association (JAMA).

O Omeprazol é da classe dos inibidores da bomba de prótons, e indicado para pessoas que sofrem de má digestão, refluxo, azia, hérnia de hiato ou úlceras pépticas benignas, tanto gástrica como duodenal. Hoje, ele é o segundo medicamento mais consumido do planeta depois do paracetamol, informa Dr. Jorge Fonseca, médico da Open International University for Complementary Medicine, na Índia, em seu blog. O Omeprazol está inclusive na lista de “Medicamentos Essenciais” da Organização Mundial da Saúde. Mas veja só o que seus efeitos colaterais podem causar no longo prazo.

** Aumenta as chances de desenvolver doenças do coração
O medicamento pode aumentar o risco de ataque e doenças do coração, segundo um estudo realizado e publicado em 2013 pelo Circulation, jornal da Associação Americana do Coração. Na época, o pesquisador John P. Cooke, chefe do departamento de ciências cardiovasculares do Houston Methodist Hospital, disse que “antiácidos que suprimem inibidores da bomba de prótons podem provocar a constrição dos vasos sanguíneos e consequente redução do fluxo de sangue.”

** Derrame cerebral, espasmos musculares e osteoporose
Nos últimos três anos, a Food and Drug Administration (FDA) emitiu dois alertas sobre os inibidores da bomba de prótons. Em abril de 2011, a agência alertou que o uso prolongado (mais de um ano) deste tipo de medicamento poderia levar a uma queda na absorção de magnésio, elevando o risco de arritmias, derrames cerebrais, convulsões, enfraquecimento dos ossos e espasmos musculares.

** Anemia e demência
Pesquisadores demostraram por meio de estudos científicos que o uso contínuo desse medicamentol leva a uma baixa absorção de vitamina B12. Indivíduos que tomam Omeprazol por mais de dois anos tem 65% mais chances de desenvolver deficiência de B12, a falta da vitamina pode causar demência, dano nos nervos e anemia.

Finalmente, é claro que isso não significa que as pessoas devem simplesmente parar de tomar seus medicamentos. Se o médico receitou, existe um motivo, é para melhorar sua qualidade de vida. Por outro lado, se o seu caso exige o uso prolongado do Omeprazol, vale a pena conversar com o seu gastroenterologista para saber se existem alternativas com menos efeitos colaterais no longo prazo.

Gabriela Tonini Farmacêutica e Doutoranda do PPG em Epidemiologia – UFRGS