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Pais ocupam lugar dos filhos

Pais compartilharam informações (Foto: Carina Marques)
Pais compartilharam informações (Foto: Carina Marques)

Em sala de aula, os pais ocuparam o lugar que uma vez ao mês pertence aos filhos. A inversão de tarefas ocorreu na terça-feira, dia 26 de setembro, quando os pais dos jovens participantes da quarta turma do Projeto Sucessão Familiar da Dália Alimentos estiveram reunidos. Como ocorre de praxe, pais e mães reúnem-se em cada turma para relatar suas histórias de vida e sucessórias na agricultura.

Presidente do Conselho de Administração e pai de uma aluna participante do projeto, Gilberto Antônio Piccinini, também relatou o início e a rotina como gestor da cooperativa e de empreendedor rural. Disse que o evento é oportuno para a sucessão de ideias e para o compartilhamento de informações. “Cada história se mescla e se confunde porque é marcada pelo esforço de pais que tocam os negócios perpetuando gerações”.

O professor que ministra as aulas do curso, Lucildo Ahlert, explanou sobre a importância de preparar os filhos para o empreendedorismo rural. “É importante preparar o sucessor, envolvendo-o na atividade. O agricultor de hoje é um empresário e por isso deve buscar conhecimento, estudar, se atualizar e se preparar, sem esquecer da gestão compartilhada e do diálogo em família”.

Na segunda parte do encontro, cada pai e mãe teve a oportunidade de relatar a experiência familiar vivenciada com os filhos, depondo as experiências de sucessão familiar. Todos demonstraram entusiasmo, emoção e orgulho ao falar dos herdeiros, evidenciando a tradição na sequência dos negócios.

De Arroio do Meio, o casal Gilmar e Leoni Gerhardt, pais do jovem participante Everton, contaram que o filho auxilia nas atividades com suínos e leite, estimulando a execução, inclusive, de novas ideias aplicadas à propriedade onde há uma granja com 800 suínos e a produção diária de 350 litros de leite. Everton participa do curso com a companheira Aline Costa e também levam o filho Moisés, de apenas quatro meses, para os encontros. “Na nossa época não havia incentivo como tem hoje”, diz o pai. “Se os filhos têm o que tem hoje é porque construímos no passado e percorremos muito chão”, finaliza a mãe.

Um dos alunos do projeto, Eduardo Ames, de Capitão, também participou. Porém, de uma forma diferente. Ele concedeu o relato de como precisou se adaptar aos obstáculos do destino, assumindo a propriedade na ausência dos pais. Logo após se formar Técnico Agrícola, Ames perdeu o pai e a mãe com a diferença apenas de seis meses. Na época, a família estava estruturando uma granja de suínos e ele, com os irmãos, precisou gerenciar sozinho os negócios. “Quando o pai adoeceu estávamos começando a obra do pavilhão e quando ele faleceu logo iriamos alojar as 300 matrizes. Depois, a mãe entrou em depressão e três meses depois faleceu de câncer. Foi muito difícil, mas superamos”.

Para ele, o destino, embora cruel, o fez crescer com a dor. “Tenho o olhar de jovem participante do curso e também de pai. Sofri porque quando tinha dúvidas não havia ninguém para perguntar se estava certo ou errado, mas no fim tudo deu certo e hoje estamos trabalhando com suínos e leite”.

A próxima aula do Projeto Sucessão Familiar ocorrerá no dia 28 de outubro. Os jovens participantes estão no processo de elaboração do projeto final que deverá ser entregue e apresentado ao Conselho de Administração no mês de janeiro de 2018.

 Texto: Ascom Dália Alimentos