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PARA PLANTAR E COLHER: CONHEÇA AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE SEMENTES E GRÃOS – por Eduardo Mariotti Gonçalves

Eduardo (Foto: Divulgação)

Começo este texto com uma frase muito conhecida no meio agronômico: “toda semente pode ser um grão, mas nem todo grão, pode ser uma semente”!

Essa diferença, se deve em especial a semente possuir um embrião vivo, responsável pela propagação que possui material genético e em função das características de um lote pode apresentar maior ou menor qualidade fisiológica.

Sobre a qualidade fisiológica das sementes faço referência à germinação e ao vigor. A germinação refere-se à capacidade da semente, emitir um raiz e/ou parte aérea responsável pelo crescimento inicial da planta.

Os testes de germinação e vigor são conduzidos em laboratório em condições ambientais controladas seguindo protocolos e padrões internacionais e posteriormente validados à campo. Já o vigor está relacionado a capacidade de um lote de sementes tolerar estresses, como por exemplo, uma estiagem logo após a semeadura, e mesmo assim se estabelecer e desenvolver um adequado stand de plantas.

A possibilidade de mensurar estes dois importantes indicadores, fez por exemplo, que as sementes comercializadas, à exemplo do milho, passassem a ser comercializadas em número de sementes e não em função do peso. Neste sentido podemos ter sacas de sementes de milho com pesos variáveis, de 12Kg até 25 kg, ambas com mesma quantidade de sementes, ou seja, 60 mil sementes.

Ainda sobre o peso da semente abro um parêntese para falar do tamanho da semente: a maior semente (de maior peso), não necessariamente será a semente com maiores índices de germinação e vigor. A vantagem da semente maior está relacionada ao maior acúmulo de reserva, portanto caso o vigor do lote de sementes for menor, serão as reservas de amido que irão nutrir a planta na fase de inicial de emergência.

Agora vamos falar um pouco sobre o grão, que é destinado à alimentação humana e animal através de farinhas e rações, respectivamente. Nos grãos, a preocupação é com a conservação e armazenagem para uso pela indústria. Neste sentido, a umidade de colheita e a maturação fisiológica do grão não são determinantes. Pois não se está preocupado com a parte viva, o embrião. Neste produto o importante é a qualidade nutricional, que em nosso exemplo está relacionado aos teores de amido que é o principal constituinte do milho.

De acordo com as informações apresentadas podemos concluir que as práticas agronômicas e os processos tecnológicos para produção de sementes são extremamente diversos quando comparados à produção de grãos. Ainda podemos pontuar que o tema escolhido é bastante amplo e poderia render diversos artigos.

Para finalizar gostaria de agradecer aos leitores da coluna de Desenvolvimento Rural por acompanhar os artigos desenvolvidos ao longo deste ano e desejar um feliz 2019, com muita saúde, sucesso e realizações.

Referências

BRASIL. Regras para análise de sementes. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Brasília: Mapa, 2009. 399 p.