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“Parece que não aprenderemos nunca” este é o artigo de Fredi Camargo

Cientista Político Fredi Camargo (Foto: Divulgação)
Cientista Político Fredi Camargo (Foto: Divulgação)

A invasão, de escolas e faculdades pelos estudantes, da Assembleia Legislativa por funcionários públicos no Rio ou da Câmara pelas pessoas que bradaram pela intervenção militar no Brasil, é uma das mais burras formas de buscar a melhora, de acordo com cada um dos lados, de nosso país. Esse tipo de ação demonstra que o respeito às instituições, um ponto delicado pela manutenção da democracia plena, ainda é um fator a ser amplamente trabalhado em nossa sociedade.

Não é porque um prédio é público que ele pode ser simplesmente tomado pela população, como se fosse uma Bastilha, e as coisas serem forçadas a acontecer. O respeito a coisa pública, o mesmo que cobramos diariamente dos maus políticos e agentes públicos, também deve ser demonstrado com civilidade pelas pessoas que buscam a alteração de diretrizes políticas. Jamais poderemos combater práticas escusas com outras da mesma natureza.

Alunos que estão buscando seu aprimoramento intelectual nas faculdades e escolas, que querem e precisam estudar, são afrontados por colegas que tomam os prédios e transformam em quartel as salas de aulas. Da mesma forma condenável e criminosa foi a atitude de um grupo de manifestantes que invadiu o plenário da Câmara Federal pedindo a intervenção militar no Brasil como se fosse esse tipo de ação que faria com que eles fossem respeitados e atendidos e ainda mais num pedido que afronta a liberdade da nação.

No fim, o Brasil mostra que a população segue intolerante contra os que pensam diferente de seus grupos. Os radicais estão tanto na esquerda como na direita e disso a democracia não precisa. A democracia precisa é de participação, discussão em grupos, presença em audiências públicas para discutir os orçamentos municipais, fiscalização nas sessões de câmaras de vereadores, criação de assembleias de bairros, representatividade com transparência e busca de civilidade e moral pública. A democracia vive do respeito a maioria, mesmo que a ideia prevalecente contrarie a nossa.
Sendo radical, nenhum grupo terá razão, serão somente raivosos em busca do seu direito, sem respeitar o direito do outro. Isso não é Nação, isso é estado natural da humanidade, o qual Hobbes já citou como sendo precário e egoísta.

Mostramos cada dia que passa que estamos longe de saber como trabalhar nossa democracia, pois para que ela seja madura e eficiente não basta votarmos obrigatoriamente, é pouco irmos pra uma rede social e esbravejar ideologicamente, temos é que ter mais participação social, aumentar nosso interesse pelo coletivo e fazer com que o Estado trabalhe para nós e não o contrário, que é o que ocorre desde que fomos “colonizados”.

Ainda poderemos saber como é bom viver em um país com as instituições moralmente forte e respeitáveis, mas estamos mostrando que não aprendemos nada ainda. E pior, parece que nunca vamos aprender.
Boa semana!

Fredi Camargo – Cientista Político
Contato: cc.consultoria33@gmail.com