Artigos - Política

“Partidos políticos realmente nos representam?” este é o artigo desta semana de Fredi Camargo

_ELI0998-EditarCaro leitor, você já parou para pensar se realmente os partidos políticos nos representam? Conhecemos mesmo a ideologia dessas agremiações? Somos atuantes dentro de suas decisões? Você escolhe seu partido conscientemente ou por indução?

O Brasil possui inúmeras siglas partidárias de diversos vieses ideológicos e ditando-se representantes de inúmeras classes e origens. É tanto partido que mesmo quem vive e trabalha com política não muito raro desconhece a totalidade e dificilmente exista alguém que saiba todas as 35 siglas (registradas no TSE) sem recorrer à internet.

A busca incessante do poder – que é o jogo político vigente no país – e as regras brasileiras propuseram que chegássemos a esse ponto. Diante dessa “salada de frutas” creio que se torna até simplório constatar que não há ligação alguma entre a vontade da população e tais instituições.

É bem verdade que o sistema político e a legislação no Brasil exigem representações partidárias – ao contrário de outros países onde encontramos em eleições candidatos autônomos – e é dentro desse quadro que temos há cerca de 20 anos as siglas partidárias entrando numa autofagia estrutural, ao meu ver sem volta, pois o inchaço da máquina pública acabou se tornando insustentável administrativamente e obviamente refletindo na confusão política em que nos encontramos pois as brigas internas fazem com que os próprios partidos percam forças. Este sistema político-administrativo é sem dúvida um dos motivos de nós, cidadãos, estarmos pagando caro pela mordomia alheia.

Alguns teóricos, no entanto, afirmam que na realidade a máquina partidária cresce e se estrutura como nunca no país devido ao número de cargos públicos criados para abraçar seus aliados, hipótese que não se descarta pois os números astronômicos de cargos de confiança em todas as esferas públicas não deixam dúvida de que o exército partidário é imenso. Porém, politicamente friso novamente que não há como afirmarmos que os partidos ainda são importantes pois o fenômeno de personalização do voto, ou seja, o eleitor vota no candidato e não em seu partido, justifica essa afirmativa.

Muitos alegarão também que ainda existem partidos que sustentam linhas ideológicas, principalmente aqueles de discursos inflamados, ou de extrema direita ou de extrema esquerda. Porém, não nos iludamos, há muito os partidos brasileiros deixaram esse viés doutrinário para, infelizmente, entrar no fisiologismo da busca ao centro do poder exatamente para a acomodação de pessoas. Afinal de contas, na ilha da fantasia que é a gestão pública brasileira, sem cobranças por resultados e custeada pelo povo, com nenhum risco de quebrar economicamente, todos querem navegar nas águas tranquilas em tempos de tempestades e crise financeira sem perspectivas de fim.

Os sinais estão claros e diariamente sendo expostos ao público que, passivamente sem conhecimento, admite esse exercício de toma-lá-dá-cá sem saber como agir para acabar com essa prática. São pessoas colocadas em órgãos públicos com pouco ou nenhum preparo sequer para atender ao público. Falar em planejamento, trabalho de equipe, metas e resultados soa para o gestor público tradicional e seus companheiros de confiança é uma afronta direta a quem muitas vezes acha que basta pedir voto ao candidato eleito para posteriormente arrumar a popular “boquinha” e se encostar durante o período de governo.

No entanto, para não permanecer refém do sistema partidário atual, a população possui ferramentas para reverter este quadro. Uma delas é a informação, que hoje é facilitada pela tecnologia e pode agregar ideias e ações em um curto espaço de tempo. A população não quer mais esse modelo, as manifestações mostram que há uma geração informada e atuante para encerrar este ciclo histórico. Essa deve ser nossa verdadeira busca, uma gestão eficiente, com uso correto de recursos e de conhecimento de todos.

Não caia na tentação, não busque em candidatos as mesmas coisas que condena nos que estão no poder e claramente mostram que representam interesses. Na hora da escolha de seu candidato pense no que realmente lhe atrai como representante político de forma coletiva, em modo de ideias e propostas e não se deixe seduzir por discursos tradicionais de voto em troca de favores pessoais pois a conta mais tarde vem com juros altos.

Fredi Camargo – Cientista Político
Contato: cc.consultoria33@gmail.com