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Pesquisa aponta que mulheres ganham espaço no campo

A jovem Ana Heilmann de Estrela é uma das mulheres do campo entrevistadas (Foto: Carine Krüger/La Salle)

“Lugar de mulher é onde ela deseja estar”, foi uma das principais constatações da pesquisa desenvolvida pela Faculdade La Salle Estrela sobre o Protagonismo Feminino no Agronegócio no Vale do Taquari. Os dados foram divulgados nesta semana e podem ser considerados como uma homenagem ao Dia do Colono, comemorado no dia 25 de julho.

De acordo com a coordenadora Rosemari Kreimeier, a ideia foi conhecer o perfil de mulheres que trabalham no campo, mas também que se aperfeiçoam e buscam conhecimento para desenvolverem suas propriedades. Assim, ouvir, aquelas que estão engajadas em alguma das áreas do agronegócio: antes da porteira, dentro da porteira e depois da porteira.

De acordo com Rosemari o agronegócio do Vale do Taquari desempenha, nos últimos anos, papel fundamental no crescimento e no desenvolvimento da região, com expressivos saltos na produção, na geração de emprego e renda. Um dos motivos para essa expansão é o aumento da produtividade em razão do modelo de gestão, da complementaridade de ideias e do poder da diversidade, onde a mulher vem cada vez mais, ocupando espaços que antes eram reservados aos homens.

“A mulher sempre foi relevante na garantia da segurança alimentar e nutricional das famílias, por participar historicamente do desenvolvimento da agricultura.” Salienta, inclusive, que foram elas as responsáveis nos primórdios dos tempos pela seleção das sementes e outras formas de propagação vegetal, por meio da escolha de espécies superiores quando os alimentos ainda eram coletados na natureza.

Qual é o perfil das entrevistadas

As mulheres do agronegócio do Vale do Taquari romperam com diversas barreiras do preconceito e estereótipos. Gestoras, trabalhadoras, motivadas e valentes, estão cada vez mais inseridas no universo do trabalho ocupando espaços nos diversos segmentos do agronegócio.

Rosemari analisa os dados e explica que são mulheres conciliadoras, que transitam entre o campo e as cidades com a mesma facilidade com que harmonizam a carreira e a família. Os filhos não ficam em segundo plano, e maioria dessas mães deseja que seus filhos continuem trabalhando na propriedade rural da família.

Muitas têm uma segunda atividade profissional, mostrando o quanto são empreendedoras. Ao mesmo tempo, algumas buscam uma renda extra fora da propriedade para não abrirem mão da paixão pelo campo.

A pesquisa monstra que as mulheres do agronegócio são resilientes e não se contentam com a posição que já conquistaram, querem ir mais longe. A maioria sentindo-se preparada para posições de liderança, que muitas já conquistaram, e se interessam por gestão empresarial, gestão de pessoas e finanças.

Protagonismo

Esta pesquisa revela um retrato atual e caracteriza um momento histórico do agronegócio brasileiro: a inserção efetiva das mulheres antes, dentro e depois da porteira, com o protagonismo tão sonhado pelas mulheres do campo de décadas atrás. E, a julgar pelas características encontradas nesta pesquisa, dentro de algum tempo este estudo estará obsoleto, pelo dinamismo das mulheres do agronegócio e pela força de trabalho que já representam.

Segundo opinião das mulheres questionadas, consideram que a mulher não precisa mostrar nada, basta ter conhecimento e capacitação para ocupar espaços em todas as áreas da vida humana, inclusive as consideradas até a pouco tempo exclusiva para homens.

Sobre vantagens masculinas

Elas afirmam que, muitas conquistas foram alcançadas durante muitos anos. Hoje a mulher já é muito valorizada, comparando a outros tempos. Porém, alguns insistem em acreditar, que algumas atividades, só podem ser desempenhadas por homens. Pois, a sociedade acredita que eles, os homens, passam maior confiança em dados técnicos, informações do setor, trabalhos técnicos entre outros.

Os números
– 44,5 % das entrevistadas trabalham dentro da porteira (mulheres com atividades e responsabilidades relacionadas com a propriedade rural);
– 38,9% das entrevistadas trabalham antes da porteira (atividades incluídas na cadeia de suprimentos e serviços que atendem as propriedades rurais);
– 16,7% das entrevistadas trabalham depois da porteira (nos negócios ligados ao transporte, armazenamento, industrialização, distribuição e comércio da produção).

Texto: Ascom La Salle