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Pesquisa busca compreender enxurrada de 2010 para reduzir impactos das cheias

ilustracao_aEm um período de fortes chuvas, como o dos últimos dias, um sistema de monitoramento, previsão e alerta pode melhorar a convivência das pessoas que são atingidas pelas inundações, melhorar as ações de prevenção e de resposta da Defesa Civil e reduzir os danos e prejuízos em caso de inundações. Em vários pontos da Bacia do Rio Taquari-Antas, incluindo o Porto Fluvial de Estrela, por exemplo, os equipamentos implantados por um projeto da Univates, realizam o monitoramento do nível do Rio Taquari de forma automática e em tempo real, cujas informações são disponibilizadas no portal http://netsenses.univates.br/. É buscando criar um sistema de alertas na bacia do rio Forqueta, especialmente no município de Marques de Souza, que um projeto de pesquisa é realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Sistemas Ambientais Sustentáveis (PPGSAS).

Intitulado “Modelagem, análise espacial e diretrizes para ocupação de áreas suscetíveis a enxurradas e corridas de detritos na bacia hidrográfica do rio Forqueta, RS”, o estudo é coordenado pelo professor Guilherme Garcia de Oliveira e objetiva, além de criar uma modelagem que permita o desenvolvimento do sistema de alertas, identificar área de riscos, as famílias mais vulneráveis e qual o tipo de perigo a que elas estão expostas.

Conforme Oliveira, o estudo tem como base a enxurrada registrada em Marques de Souza em 2010, uma vez que compreender aquele fenômeno representa um desafio para a ciência. A enxurrada durou pouco mais de 30 minutos e deixou cerca de 100 famílias desabrigadas, 60% do perímetro urbano de Marques de Souza inundado e prejuízos econômicos. “Há muitas dúvidas ainda sobre aquele episódio, mas é consenso que não foi um episódio normal, devido à velocidade com que se deu a enxurrada. Naquela ocasião não foram registradas mortes, mas circunstâncias que poderiam ocasionar mortes de dezenas de pessoas. A sorte é que foi em uma segunda-feira à tarde e os campings estavam vazios. Mesmo assim, tivemos muitas mortes de frangos e suínos da produção primária”, afirma Oliveira.

Para entender o acontecimento, a pesquisa é realizada a partir de imagens de satélite, por meio do Google Earth, que possibilitam comparar a região antes e depois da enxurrada, além de entrevista com moradores, medições de vazão em campo e modelagem hidrológica para simular os efeitos das chuvas nos principais rios, como o Fão e o Forqueta. “Foram verificadas 140 cicatrizes em imagens de satélite, ou seja, movimentos de massa em áreas remotas de Fontoura Xavier e Barros Cassal no mesmo dia. O que ocorreu, então, é que choveu mais de 300mm, houve centenas de toneladas de detritos transportados ao rio Fão e uma das pontes acumulou esses detritos, formando uma barragem natural com esses sedimentos de grande porte, como blocos de rocha. A ponte ruiu e gerou uma onda de água, árvores e detritos que atingiu até quatro metros de altura, por isso foi chamada de ‘tsunami do rio’ pelos moradores”, explica o professor.

Com a compreensão do ocorrido, o projeto de pesquisa busca formas de contribuir para o planejamento regional e a sustentabilidade no meio rural, promovendo alternativas de compatibilizar a agroindústria e o turismo de forma sustentável. “Com o estudo e sistemas de alertas, teremos gestão do risco e do pós-desastre, aumentando a resiliência da população aos desastres. Também pode-se repensar o espaço rural e há possibilidade de reduzir custos referentes à reconstrução de casas, às perdas agrícolas. Hoje o que observamos é que há muitas famílias que têm levado de três a quatro anos para se reerguerem economicamente”, analisa Oliveira.

De acordo com Oliveira, os resultados preliminares mostram que não há relação entre a existência de uma barragem no rio e o episódio da enxurrada. O pesquisador afirma ainda que a meta é sobrevoar com drone e fazer um mapeamento mais refinado da planície inundável. Além disso, serão buscadas parcerias internacionais para o estudo, que já conta com parceria dos Programas de Pós-Graduação (PPG) Sensoriamento Remoto, PPG em Geografia e PPG em Recursos Hídricos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

O projeto de pesquisa conta com a colaboração de oito professores e a participação de um mestrando, de um bolsista de iniciação científica e voluntários. Já foi publicado um artigo sobre a pesquisa e foram produzidos três trabalhos de conclusão sobre o assunto nos cursos de Engenharia Ambiental e Engenharia Civil. Mais informações sobre o PPGSAS podem ser obtidas em www.univates.br/ppgsas ou pelo e-mail ppgsas@univates.br.

Inscrições abertas
O PPG em Sistemas Ambientais Sustentáveis (PPGSAS) recebe inscrições para 25 vagas para mestrado até o dia 16 de novembro. As áreas de concentração e suas linhas de pesquisa são: Tutela Jurídica Ambiental, com pesquisas em bases ecológicas para o licenciamento ambiental e legislação para empreendimentos agroindustriais; e Sustentabilidade da Cadeia Produtiva, com pesquisas em eficiência produtiva na agroindústria e sistemas produtivos agroindustriais avançados. Mais informações em www.univates.br/ppgsas.

Texto: Ascom Univates