Artigos - Desenvolvimento Rural

Plantas Bioativas na saúde humana – por Tatiane Turatti

Tatiane Turatti (Foto: Arquivo Pessoal)

O conceito de “plantas bioativas” foi criado para designar aquelas plantas que possuem alguma ação sobre outros seres vivos e cujo efeito pode manifestar-se tanto pela sua presença em um ambiente quanto pelo uso direto de substâncias delas extraídas. Assim, são consideradas como bioativas as plantas medicinais, aromáticas, condimentares, inseticidas, repelentes, tóxicas, bactericidas e até mesmo as que possuem cunho místico ou religioso.

O uso e o conhecimento das plantas medicinais, aromáticas e condimentares fazem parte da cultura popular e constituem-se em um patrimônio imaterial do povo gaúcho. As plantas bioativas são usadas desde nossos antepassados, muitas vezes como única opção de remédio para os males. O conhecimento sobre elas é ancestral, mas hoje tem um espaço também na ciência, que desenvolve pesquisas sobre diferentes plantas e graças a elas tivemos muitos avanços nessa área na última década.

Um bom exemplo é o do município de Nova Petrópolis que no ano de 2007 implantou a fitoterapia na atenção básica e hoje tem a prática como um dos grandes diferenciais para a saúde da comunidade. O Programa Municipal de Plantas Medicinais constitui-se na entrega de dez tipos de plantas medicinais na forma de chás nas farmácias das sete Unidades Básicas de Saúde.

Algumas das plantas que os munícipes têm acesso são: a espinheira santa indicada para problemas digestivos como azia e gastrite, o guaco para a gripe, a camomila para insônia e infecções das vias respiratórias e a melissa que pode ser usada como um calmante suave.

Sempre importante ressaltar que, ao contrário do que muitos imaginam, algumas plantas fazem mal à saúde. Portanto, o uso de plantas medicinais não deve ser indiscriminado. Algumas espécies são muito parecidas e corre-se o risco de, por engano, ingerir uma que é perigosa e não benéfica. Nunca se devem usar plantas para fazer chás sem que se tenha certeza de sua origem e seus possíveis efeitos.

A forma de uso e a frequência também são importantes durante o tratamento. Não adianta ingerir um litro de chá de uma só vez, quando se deveria tomar a intervalos regulares de tempo durante o dia. Da mesma forma, uma planta recomendada exclusivamente para uso externo não deve ser administrada internamente.

Outros cuidados importantes são: preparar o medicamento, preferencialmente, com plantas colhidas a pouco tempo; não pegar plantas perto de fossas, lixos, esgotos, locais tratados com agrotóxicos e na beira de estradas (porque a fumaça dos veículos pode conter substâncias tóxicas que ficam na planta); não utilizar plantas que estejam mofadas, velhas e com bichos; ter o cuidado de lavar bem a parte da planta a ser usada; no caso de preparar o chá com folhas secas, secá-las à sombra e em locais arejados, pois os raios solares podem eliminar parte das substâncias curativas; quando for utilizar raízes secas, picar em pequenos pedaços antes de secar; após a secagem, guardar em vidro escuros ou caixas bem fechadas, com o nome da planta; não guardar as plantas medicinais por muito tempo, porque elas podem perder a ação medicinal.

Fontes:

1. http://www.novapetropolis.com.br/noticias_int.php?id=5500
2. https://www.grupocultivar.com.br/noticias/artigo-aproveitamento-de-plantas-bioativas
3. https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/2492715/prosa-rural—a-importancia-das-plantas-medicinais

Tatiane Turatti
Extensionista Social – Nutricionista
Escritório Municipal da Emater/RS – ASCAR Encantado