Artigos - Desenvolvimento Rural

Produção de leite a pasto – por Higor Barcelos

Higor Barcelos

A alimentação representa o maior custo na produção leiteira. Em todos os sistemas, seja ele confinado, semi-confinado ou a pasto, têm seus desafios quando o tema é “comida”. Produzir leite a base de pasto pode ser uma ótima alternativa viável para a maioria dos produtores do estado. Esse sistema contribui para a redução de despesas com alimentação e favorece a sustentabilidade da produção.

O uso de pastagens adaptadas regionalmente e bem manejadas é uma ferramenta indispensável para sistemas de produção de leite eficientes. As pastagens podem fornecer de 60% a 100% da dieta volumosa para vacas em lactação. A contribuição desses volumosos pode variar em função do grau de intensificação da exploração leiteira e do grau de especialização ou exigência nutricional do rebanho. Em sistemas extensivos, com o uso de animais de produção moderada, um programa de alimentação à base de pastagens diversificadas tende a minimizar a estacionalidade e aumentar a produção por animal e por área. Ademais, em sistemas produtivos com maior uso de tecnologia e com animais de maior potencial genético, a utilização de pastagens de qualidade pode reduzir os custos de alimentação e aumentar a renda dos produtores, estimando a manutenção de altas produções, contribuindo para a saúde dos animais em produção e para a redução dos impactos ambientais característicos de sistemas mais intensivos.

As gramíneas tropicais são os principais componentes das pastagens brasileiras, crescem rapidamente em condições favoráveis de temperatura e umidade no solo, mas concentram mais de 70% da produção de matéria seca (MS) durante a primavera-verão. Existem poucas regiões do mundo em que agricultores podem ser bem sucedidos em um planejamento forrageiro a pasto durante o ano todo. Entre elas inclui-se praticamente todo o Rio Grande do Sul e grande parte da região Sul do Brasil. Nessa região é possível desde a utilização das pastagens naturais até as mais variadas espécies tropicais e temperadas cultivadas nas principais regiões produtoras de carne e leite do mundo (Santos et al., 2002).

A variabilidade estacional na quantidade e qualidade do alimento fornecido é uma característica inerente aos sistemas de alimentação baseados na utilização de pastagens e se constitui numa das principais limitantes para elevados níveis de produtividade. Existem três maneiras para aumentar e renda que podem ser aplicadas na atividade de leite no RS, são eles: a) aumento de escala de produção; b) redução de custos; e, c) melhoria na qualidade. Qualquer empresário produtor de leite pode fazê-lo desde que, busque capacitação e aplique ferramentas gerencial no processo.

Entretanto, devido o perfil da maioria das propriedades gaúchas a produção de leite a base de pasto viabiliza a produção e favorece a sustentabilidade do negócio. Desde que, o produtor aplique boas práticas de produção de pastagem e tenha oferta de pasto disponível para os animais.

 

Higor Barcelos
Gestor em Agronegócio
ERNM I – Agropecuária
Emater/Ascar