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Projeto beneficia idosos do Vale do Taquari

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Idosos de Anta Gorda, Ilópolis, Forquetinha, Santa Clara do Sul, Westfália, Travesseiro e o Grupo Univates participam do projeto (Foto: Nicole Morás)

Desde 2014, o projeto de extensão “Ações Sociais e de Saúde em Gerontologia (PASSG)” busca identificar o perfil da população idosa do Vale do Taquari e promover atividades de educação para o envelhecimento. Até o momento, 365 idosos da região já participaram. No ano de 2016 integraram as atividades os grupos dos municípios de Anta Gorda, Ilópolis, Forquetinha, Santa Clara do Sul, Westfália, Travesseiro e o Grupo Univates, composto pelos idosos que frequentam a Instituição para práticas esportivas, como natação e hidroginástica. Foram beneficiados neste ano 131 idosos com a realização de mais de 550 atendimentos.

De acordo com a professora Alessandra Brod, que coordena a iniciativa, por meio dos resultados obtidos, o projeto visa a estimular as autoridades públicas a desenvolver novas políticas voltadas para o envelhecimento, em relação à qualidade de vida, aos aspectos sociais, à saúde e à educação.

“Além das avaliações, o PASSG também busca promover a educação para o envelhecimento por meio de oficinas de intervenção, com os temas mais diversos. Neste ano definimos que as ações seriam focadas na prevenção do câncer de pele, nos cuidados com a postura corporal e o risco de quedas e automassagem”, explica Alessandra.

O trabalho do projeto é realizado em parceria com as secretarias de saúde dos municípios da região, que geralmente organizam grupos de idosos em seus Centros de Referência em Assistência Social (Cras). “No primeiro semestre de cada ano fazemos as avaliações. Depois vamos ao município para a entrega do resultado a cada participante e planejamos oficinas que abordem aspectos que precisam ser mais desenvolvidos por aquele grupo”, finaliza Alessandra. De acordo com a coordenadora do projeto, o objetivo é oportunizar educação para o envelhecimento.

Para descrever o perfil dos idosos do Vale do Taquari, foram usadas avaliações como a de composição corporal, por meio da bioimpedância elétrica, Índice de Massa Corporal (IMC), relação cintura-quadril, fotoenvelhecimento cutâneo e grau de envelhecimento, capacidade cognitiva e mental, por meio do Miniexame do Estado Mental (MEEM), capacidade respiratória, pelo teste de pressão inspiratória e expiratória, além do pico de fluxo expiratório (Peak Flow). Também foi avaliada a força manual direita e esquerda, observando possíveis lesões não perceptíveis até então, dos membros superiores, e foi classificada a qualidade de vida por meio do questionário Whoqol-Bref. O equilíbrio, que avalia o risco de quedas, por sua vez, é analisado por meio do teste Time Up and Go (TUG).

Confira os principais resultados da análise de perfil dos idosos:
a média dos resultados dos idosos do Vale do Taquari apontou para IMC 29, demonstrando grande proporção de sobrepeso entre os participantes, corroborando com os resultados das médias da bioimpedância, que apontaram percentual de gordura alto, o que é considerado sobrepeso.

a razão da cintura e quadril obteve média de 0,9 WHR, o que representa risco moderado a alto de desenvolvimento de doenças cardiovasculares;

quanto à capacidade cognitiva e mental, os idosos avaliados que possuem grau de escolaridade de um a quatro anos de estudo obtiveram pontuação 24, no entanto, deveriam atingir pelo menos 25 pontos. Isso indica início da perda das capacidades cognitivas, sendo necessário que os idosos pratiquem e desenvolvam mais as percepções, a memória e o raciocínio, questões fundamentais para o funcionamento cognitivo e mental saudável;

em relação aos resultados do teste de Peak Flow, os idosos não apresentaram bons índices, indicando fraqueza de musculatura respiratória, podendo desencadear doenças cardiorrespiratórias. De acordo com a faixa etária e altura média, as idosas deveriam obter pico de fluxo expiratório de 406, sendo a média encontrada entre as avaliadas de apenas 191. O público masculino avaliado, nos mesmos critérios, obteve média de 216, sendo o ideal 529;

a média da pressão inspiratória dos avaliados atingiu o valor de 63, sendo o ideal de no mínimo 90. A pressão expiratória máxima chegou ao valor de 61, quando deveria atingir o valor de 100, no mínimo. A explicação desses resultados aos idosos foi seguida de ideias práticas para melhorar a capacidade respiratória dos participantes, como pequenos exercícios de expiração e inspiração, utilizando objetos do cotidiano deles ou de baixo custo;

o teste Time Up and Go (TUG) mede o tempo que o idoso leva para realizar manobras simples, como levantar, caminhar, dar uma volta e sentar novamente. No teste, os indivíduos avaliados apresentaram média equivalente a 9,7 segundos, o que representa um valor considerado normal para adultos saudáveis, caracterizando baixo risco de queda;

a qualidade de vida foi avaliada por meio do Whoqol-Bref, em que a pontuação máxima é cinco para definir uma ótima qualidade de vida. A percepção dos idosos atingiu o escore médio de 3,90, indicando boa qualidade de vida. N análise dos domínios que envolvem esse protocolo, a maior pontuação foi de relações sociais (4,3), o que evidencia a importância de o idoso estar e conviver em grupos. Já o de menor pontuação foi o domínio físico (3,6), o que ressalta as dificuldades relativas a dor e doenças oriundas do processo de envelhecimento e estilo de vida.

Outra atividade realizada pelo projeto é o Encontro Regional de Idosos, este ano em sua quinta edição. Essa ação acontece em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc) e a Unimed. O evento desenvolveu oficinas, na parte da manhã, sobre memória, cuidados com a audição, qualidade de vida e atividade física, práticas esportivas como o Câmbio, relaxamento, mat pilates e maquiagem, totalizando a presença de 217 idosos e realizando 434 atendimentos. No turno da tarde foram realizadas palestras sobre os cuidados com medicação e a automedicação, a longevidade e os direitos dos idosos, das quais participaram em torno de 140 idosos.

O projeto conta com a colaboração do professor Dênis Barnes e das bolsistas Mônica N. Goergen e Bibiana B. Martinez. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail passgerontologia@univates.br.

Texto: Ascom Univates