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Propriedades nutricionais do mel – por Tatiane Turatti

Tatiane Turatti (Foto: Arquivo Pessoal)

O mel é um alimento obtido a partir do néctar das flores e transformado pela ação das abelhas melíficas. Desde a pré história o mel foi considerado um produto especial, há referências ao uso em pinturas rupestres e em manuscritos do antigo Egito, Grécia e Roma. Ele se apresenta de forma viscosa e açucarada e seu aroma, paladar, coloração, viscosidade e propriedades medicinais estão diretamente relacionados com a fonte de néctar que o originou e com a espécie de abelha que o produziu. Justamente por isso alguns benefícios podem ser mais fortes em determinados tipos do que em outros.

Estudos atribuem ao mel ações antioxidante, antibacteriana, antifúngica, antiviral, anti-inflamatória, antitumoral, além de propriedades imunomoduladoras. O alimento contém potássio, magnésio, sódio, cálcio, fósforo, ferro, manganês, cobalto e cobre. O potássio é interessante para o equilíbrio da pressão arterial, o cálcio importante para a saúde dos ossos e o ferro, necessário para a prevenção da anemia. A ação antimicrobiana também é favorecida pelos minerais ferro e o cobre. Ele conta ainda com carboidratos não digeríveis e oligossacarídeos que são prebióticos.

A ação prebiótica modifica o balanço da microbiana intestinal, estimulando o crescimento e/ou atividade de micro-organismos benéficos, isto significa que ele melhora o trânsito intestinal, cooperando com a consistência normal das fezes, prevenindo diarreia e constipação. Ele também possui alguns ácidos orgânicos, sendo que um deles, o ácido glucônico, contribui para a formação do peróxido de hidrogênio, um poderoso antibactericida.

O ácido glucônico também tem forte ação antioxidante. O alimento ainda conta com grande número de compostos que proporcionam este mesmo benefício. Os ácidos fenólicos, os flavonoides, certas enzimas, como a glicose oxidase, catalase e peroxidase, ácido ascórbico, hidroximetilfurfuraldeído e carotenoides. Todas as substâncias contribuem para combater os danos causados por agentes oxidantes, presentes nos alimentos e no corpo humano, e assim prevenir o envelhecimento e doenças como o Alzheimer, doenças do coração, entre outras.

Importante destacar que apesar de trazer inúmeros benefícios à saúde o mel continua sendo um açúcar e de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão máxima de açúcares por dia deve ser até 10% das calorias diárias. Ou seja, considerando uma dieta de 2000 calorias, essa taxa equivale a um total 50 gramas de açúcar por dia.

Outra consideração importante é direcionada ao público infantil, segundo o guia alimentar para menores de dois anos de idade apesar de o mel ser um produto natural ele é contra-indicado para crianças menores de um ano de idade. Isso porque há risco de contaminação por uma bactéria associada ao botulismo, a criança menor de um ano é menos resistente a esta bactéria, podendo desenvolver essa grave doença, que causa paralisia de membros inferiores e interfere na respiração.

Para desfrutar ainda mais dos benefícios nutricionais do mel vale lembrar que a agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) orienta aquecer o mel até no máximo 70 graus Celsius. Quando o mel é aquecido em em excesso pode reduzir a acidez e a umidade do alimento e causar a perda na atividade de algumas enzimas, fazendo com que o alimento deixe de ter parte de suas propriedades benéficas.Feitas as devidas ressalvas, pode-se dizer que o mel é um alimento de alta qualidade, rico em energia e inúmeras outras substâncias benéficas ao equilíbrio dos processos biológicos de nosso corpo. Aproveite o que a natureza tem de melhor.

 

 

Tatiane Turatti: Extensionista Social – Nutricionista
Escritório Municipal da Emater/RS – ASCAR Encantado

 

Fontes:

 

Fonte: Tabela Brasileira de Composição dos Alimentos / Taco – versão 2, UNICAMP

https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/territorio_sisal/arvore/CONT000fckg3dhb02wx5eo0a2ndxy0opz78w.html

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_criancas_menores_2anos.pdf