Vale do Taquari Meio Ambiente Rural - Agricultura

Proteção de nascentes garante sustentabilidade no uso da água em propriedades rurais

A água é um recurso natural necessário para praticamente todas as atividades realizadas no meio rural – da dessedentação de animais à irrigação de lavouras. E manter a água, preservá-la, propondo seu uso de forma racional e sustentável, também parte das ações da extensão rural e social. Nesse sentido, a Emater/RS-Ascar trabalha permanentemente na implantação de sistemas de captação de água de nascentes – aflorações perenes e naturais do lençol freático – e de olhos da água, a partir de intervenções feitas em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e que estejam totalmente de acordo com a Legislação Ambiental em vigor.

Em 2019, por exemplo, foram realizadas 88 ações para proteção de nascentes e de olhos d’água, atendendo 78 famílias de agricultores de 14 municípios dos vales do Caí e Taquari. Para 2020, a previsão  é de execução de 106 projetos em 25 municípios, tendo 70 já sido realizados, mesmo em um contexto de pandemia, que requer maiores cuidados. “Nesse trabalho, o que se busca é a integração do homem com a natureza, a partir da uma construção que busca a harmonia entre a manutenção da natureza e o desenvolvimento econômico e social”, salienta o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Marcos Schäfer.

O extensionista reforça o fato de que a implantação do sistema, que visa a garantir a qualidade da água, evitando a sua contaminação – seja por partículas de solo ou de matéria orgânica – já na origem, deve ser realizada com o acompanhamento técnico da Emater/RS-Ascar. “No local da nascente, após a limpeza do local de afloramento da água, será construída uma estrutura física que pode ser de alvenaria, visando ao menor dano possível a vegetação, sem também alterar a vazão da nascente”, explica Schäfer. Outras etapas envolverão instalação do reservatório e do filtro de captação, preenchimento da caixa, higienização e a colocação da cobertura.

Em Travesseiro, o trabalho de proteção de nascentes teve início ainda no ano de 1992 sendo, desde o ano de 2018, utilizado o solo-cimento para confecção das estruturas de proteção, em um programa que conta com o apoio da Prefeitura e que tem 42 produtores inscritos para a construção de 52 fontes em ação conjunta com a Emater/RS-Ascar. Morador da sede do município, o agricultor Fernando de Castro é um dos que está satisfeito com a ação. “A diferença na qualidade da água, no volume captado, é incomparável”, avalia Castro, que é avicultor.

Já em Roca Sales, os primos Daniel e Marcelo Jora, da Linha 21 de Abril, tinham a intenção de construir um poço artesiano que fornecesse suprimento de água para dois aviários, projeto que encontrou barreiras no alto valor da cota cobrada pelo suprimento comunitário. “Foi numa visita que percebemos a riqueza da área em águas superficiais, o que possibilitou proteger duas nascentes que produzem 40 mil litros por dia, o que representa uma economia de R$ 2 mil por lote produzido de frangos”, enfatiza o extensionista da Emater/RS-Ascar Deoclésio Piccoli, que ressalta o papel da Prefeitura no apoio deste e de outros projetos no município.

“O que se percebe é que muitas dessas nascentes estão abandonadas ou degradadas e essa ação visa a fazer o resgate dos mananciais, garantindo o suprimento também em períodos de estiagem, o que tem mudado a vida das famílias e das propriedades”, esclarece Schäfer. Do ponto de vista jurídico este tipo de intervenção, de baixo impacto ambiental, está amparado por Lei desde 2016, a partir do estabelecimento de critérios técnicos e padronizados, de acordo com o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) – sendo a Emater/RS-Ascar a entidade que orienta os agricultores. “Inclusive, o texto regulamentador dá a devida importância para a questão da saúde, além da ambiental, já que o modelo preserva a qualidade da água para o consumo”, salienta o técnico. Dúvidas podem ser tiradas com os extensionistas da Emater/RS-Ascar – que atua em parceria com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) do Governo do Estado – e com os setores ligados ao meio ambiente nas prefeituras.

 

 

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar – Regional de Lajeado

Jornalista Tiago Bald