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Rendimentos dos brasileiros até na quarta-feira foram para impostos, são 153 dias de trabalho

Os números do impostômetro crescem mais rápido do que a qualidade dos serviços oferecidos (Foto: Divulgação)
Os números do impostômetro crescem mais rápido do que a qualidade dos serviços oferecidos (Foto: Divulgação)

Se os serviços prestados pelo governo não são satisfatórios e não atendem as necessidades da população, para o brasileiro eles custam caro – consomem 153 dias de trabalho. Um estudo divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra: todos os rendimentos do contribuinte até está quarta-feira, 1º de junho, servirão somente para pagar impostos, taxas e contribuições. Os números do impostômetro, que crescem infinitamente mais rápido que a qualidade dos serviços oferecidos, apontam mais de R$ 843 bilhões, pagos do início do ano até o início da tarde da quarta.

De acordo com o IBPT, por ser ano bissexto, com 366 dias, o brasileiro trabalhou estes cinco meses e um dia somente para munir os cofres públicos. A pesquisa mostra ainda que de 1989 os impostos consumiam apenas dois meses e 21 dias de trabalho. Em 1996 já havia aumento para três meses e 10 dias – no total de 100 dias. O que significa crescimento de 50% em 20 anos. “Ou seja, hoje se trabalha o dobro do que se trabalhava na década de 70, para pagar a tributação”, destaca a pesquisa.

De forma mais clara, estudo Dias Trabalhados para pagar Tributos mostra que os cidadãos brasileiros tiveram de destinar em média 41,80% do seu rendimento bruto de 2016 para pagar a tributação sobre os rendimentos, consumo, patrimônio e diversos outros impostos obrigatórios.

Países
EBCNo ranking dos países pesquisados, o Brasil se aproxima da Noruega, lugar em que os cidadãos destinam 157 dias de trabalho aos tributos. “No entanto, a população de lá tem um considerável retorno em termos de qualidade de vida, podendo usufruir dos serviços públicos, infelizmente diferente do povo brasileiro, que paga muito e não tem o retorno adequado”, destaca o presidente-executivo do IBPT, João Eloi.

Os números causam espanto ainda maior quando mostram que o trabalhador brasileiro trabalha mais dias que os americanos, os uruguaios, os chilenos e os mexicanos para pagar imposto. Nesses países, os dias trabalhados para este fim, variam entre 98 e 91 dias. Na Alemanha, o índice é que 139 dias de trabalho destinado a impostos, porém ela está no topo do ranking mundial de melhores países do mundo para se viver.

Texto: CNM